2005-04-29

Subject: Poluentes estão a alterar o comportamento dos animais

 

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Poluentes estão a alterar o comportamento dos animais

 

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Vários programas de investigação têm vindo a estudar os poluentes e a forma como podem estar a alterar o comportamento dos animais selvagens. 

Consideremos esta situação real: um pequeno peixe-rato, com apenas 5 ou 6 centímetros de comprimento, vive em permanente sobressalto devido à ameaça das garças, seus predadores principais.

Muitas vezes por dia, um peixe-rato observa um pedaço de comida e tem que decidir se vale a pena sair de debaixo das plantas do rio para o obter, correndo o risco de se tornar ele próprio uma refeição. 

O peixe-rato demasiado aventureiro não viverá muito tempo mas o demasiado tímido vai morrer de fome. Até que ponto dos pequenos peixes são aventureiros depende, pelo que se descobriu, do tipo de água em que são criados.

Alison Bell, da Universidade de Glasgow, tem vindo a criar peixes-rato em água que contém pequenas concentrações de um estrogénio sintético, o nível de poluição que podemos encontrar facilmente no ambiente que nos rodeia. Ela descobriu que os peixes que criava eram significativamente mais ousados que os criados em água limpa. 

O trabalho de Alison Bell é um dos muitos estudos que mostram que o comportamento pode ser influenciado pelos químicos no ambiente. Sugere mesmo que estes efeitos podem ser encontrados mesmo com concentrações muito baixas desses químicos, níveis que, até agora, todos consideravam seguros.

"Existem muitos estudos que mostram que a exposição a níveis muito baixos desses químicos pode levar a alterações comportamentais", diz ela. "Mal estamos a arranhar a superfície do problema."

Stuart Rhind, do Macaulay Land Research Institute de Aberdeen, tem a mesma opinião. Ele e a sua equipa estudaram dois grupos de ovelhas, que colocaram a pastar erva normal e erva fertilizada com lodo de esgoto.

O lodo de esgoto contém uma mistura complexa de químicos geralmente descritos como "perturbadores do sistema endócrino", químicos que conseguem "enganar" o corpo, imitando hormonas naturais. Também neste lodo contaminado, os níveis das substâncias são muito baixos.

Stuart Rhind não encontrou diferenças nos corpos dos animais dos dois grupos de ovelhas ou nos seus cordeiros, mas descobriu que os cordeiros nascidos na pastagem com lodo do esgoto se comportam de forma completamente diferente da dos seus primos não contaminados.

Os cordeiros macho comportam-se de forma muito mais feminina, o que nas ovelhas significa ser muito mais curioso. "Não se trata de observar esta alteração em particular", explica Rhind. "É o facto de que o comportamento tenha sido alterado de alguma forma, pois implica que os descendentes destas ovelhas sofreram alterações no cérebro."

Se pequenas quantidades destes químicos, aplicados a animais durante o seu desenvolvimento embrionário, podem alterar os seus cérebros, o que se passa com o Homem?

É muito mais complicado realizar uma experiência controlada com bebés, mas existe um estudo muito intrigante, realizado na Holanda.

 

Pediatras holandeses mediram a concentração de dois químicos perturbadores do sistema endócrino no sangue de mulheres grávidas. Os níveis encontrados estavam dentro do que seria de esperar quando se tem uma dieta variada normal.

De seguida, analisaram o comportamento das crianças, quando estas tinham idade escolar. Descobriram que os rapazes que tinham tido mães mais expostas tinham maior probabilidade de brincar "como as raparigas", ou seja, com jóias e bonecas, por exemplo. Por seu lado, as raparigas cujas mães tinham sido mais expostas eram atraídas para os brinquedos masculinos, como as armas e os comboios.

De acordo com o investigador Nynke Weisglas Kuperis, "o efeito da exposição é significativo, ainda que muito subtil". 

Estes e muitos outros resultados obtidos com animais em laboratório têm levado alguns cientistas a exigir uma alteração radical da forma como os testes de segurança dos químicos são realizados.

Alegam ser capazes de detectar efeitos adversos com concentrações bem inferiores às consideradas seguras pelas agências reguladoras.

Mas então porque não se mudam as regras? Talvez porque estamos a falar de uma área extremamente "escorregadia" da ciência.

Enquanto alguns investigadores encontram estes efeitos nos organismos, outros que tentaram repetir as experiências em vastos, testes bem controlados, não encontraram nenhuns.

As pessoas que não encontram os efeitos são, em vasta maioria, os que trabalham na industria química, um facto que leva alguns académicos a suspeitar de conspiração, mas o facto permanece: até que estes efeitos em presença de doses muito baixas sejam consistentemente replicados, temos muitas suspeitas e preocupações mas nenhuma prova.

 

 

Saber mais:

Greenpeace Toxic Chemicals Campaign

Royal Commission on Environmental Pollution

"Poluentes" na gordura de baleia são naturais

Carga tóxica no Árctico prejudica ursos

Plástico é o maior poluente do mundo

Salmão de aquacultura não é comida saudável

 

 

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