2005-04-28

Subject: Política de pesca e protecção do atum está mal direccionada

 

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Política de pesca e protecção do atum está mal direccionada

 

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Um estudo agora conhecido sobre o atum azul atlântico (também conhecido por albacora em Portugal) mostra que são necessárias restrições mais fortes à sua captura para proteger esta espécie, relata a última edição da revista Nature.

De momento, existem duas quotas de pesca separadas para os atuns do Atlântico ocidental e oriental, pois os peritos acreditam que as duas populações nunca se misturam. No entanto, um novo estudo com marcação de animais sugere que isto não é verdade e que os peixes se deslocam livremente entre as duas zonas.

Por esse motivo, os cientistas consideram necessário e urgente uma nova política de regulação da pesca para esta espécie, de forma a manter o stock estável.

"A nossa ciência não apoia a manutenção de um sistema de gestão de stocks que assume que os atuns do Atlântico oriental permanecem sempre no Atlântico oriental e que os atuns do Atlântico ocidental não se afastam dessa mesma zona", diz a investigadora chefe Barbara Block, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

"Acreditamos que é tempo ... de introduzir medidas de gestão que reconhecem o facto de que há uma mistura espacial e temporal complexa das duas populações, das zonas ocidental e oriental do Atlântico, com excepção dos terrenos de procriação."

O atum azul do Atlântico Thunnus thynnus é um importante predador marinho, que atinge os 650 Kg de peso. A sua carne é muito apreciada em todo mundo, alcançando valores espantosos de €100000 por um único peixe no Japão.

Por esse motivo, nos anos mais recentes, as capturas excessivas têm deixado fortes marcas nos stocks da espécie.

De acordo com a Comissão Internacional de Conservação do Atum Atlântico (CICAA), o efectivo da população ocidental caiu mais de 80% desde os anos 70 do século passado. A população da zona oriental também se reduziu bastante, pelo que restrições adequadas à sua pesca são essenciais.

Já há 10 anos que uma equipa de investigadores liderada por Block tem vindo a conduzir um estudo sem precedentes sobre as migrações do atum azul.

Os cientistas colocaram marcas nos atuns selvagens, que lhes permitiram seguir os seus movimentos enquanto migram através de milhares de quilómetros de mar aberto e a profundidades abaixo dos 900 metros, em busca de alimento e parceiros.

Block e os seus colegas analisaram os dados recolhidos ao longo de um período de nove anos e descobriram que uma atum azul tem um ciclo de vida complexo e migratório, que variam de acordo com a estação do ano, bem como com a idade e a corpulência do peixe.

O estudo confirmou que o Atlântico norte é lar de pelo menos duas populações de atum azul, um stock ocidental que desova principalmente no Golfo do México e um stock oriental, que se reproduz no Mediterrâneo.

Os dados recolhidos com as etiquetas também revelaram que, ao contrário do que se acreditava, o atum azul ocidental do Golfo nada rotineiramente com os seus parentes da zona oriental, que desovam no Mediterrâneo.

 

"Parece que alguns peixes adolescentes da zona oriental se alimentam e passam tempo no Atlântico ocidental, até serem suficientemente crescidos para se reproduzirem. Nessa altura, voltam para o Mediterrâneo e raramente regressam à América do Norte", diz Block.

No entanto, de acordo com a CICAA, as populações raramente se misturam e a política pesqueira actual baseia-se nesse pressuposto.

Como o atum azul ocidental foi o que sofreu o declínio mais acentuado nos últimos 35 anos, recebe mais protecção. Os pescadores apenas podem capturar 3000 toneladas de atum no Atlântico ocidental, enquanto são permitidas 32000 toneladas na zona oriental.

O atum azul do Atlântico é um importante predador de alto mar mas os seus stocks estão cada vez mais fragilizados pela pesca intensiva europeia e americana.

Mas de acordo com a equipa de Block, este controlo restrito pode não ajudar a fragilizada população ocidental, se os peixes se aventuram regularmente para leste, onde a pesca é intensa.

"Neste momento, qualquer atum da zona ocidental que nade para leste do meridiano 45 pode acabar como parte da muito maior quota de capturas da zona oriental", explica o co-autor do estudo Steven Teo, da Universidade de Stanford. "O que estamos a sugerir é que a CICAA estabeleça uma nova zona de gestão no Atlântico central, com uma quota de capturas extremamente baixa. Dessa forma pode-se reduzir a mortalidade dos atuns da população ocidental que se alimentam aí regularmente."

Block acrescenta: "Não podemos conservar a população ocidental sem proteger os peixes no Atlântico central, ou, dito de outra forma, os pescadores da zona oriental, particularmente os de linha longa de alto mar, podem estar a ter um impacto muito negativo na recuperação do stock ocidental."

Um porta-voz da CICAA referiu que a organização está a par desta investigação, estando a considerar a alteração da política de pescas de forma a inclui-la. 

 

 

Saber mais:

Tuna Research and Conservation Center

Barbara Block

Regulamentações à pesca estão a falhar

Imagens do declínio dos stocks pesqueiros do Mar do Norte

 

 

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