2005-04-22

Subject: Estado de animação suspensa induzido em ratos

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Estado de animação suspensa induzido em ratos

 

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Ratos foram colocados num estado de animação suspensa, aumentando a probabilidade de um dia se assistir à indução da hibernação humana. Se assim for, pode ser possível colocar os astronautas em hibernação para os voos espaciais de longa duração, como frequentemente se vê em filmes.

No estudo agora conhecido, a animação suspensa significa uma cessação reversível de todos os processos visíveis da vida num organismo.

Os investigadores da Universidade de Washington e do Fred Hutchinson Cancer Research Center de Seattle colocaram os ratos numa câmara contendo ar com 80 ppm de sulfureto de hidrogénio, o gás com o conhecido cheiro a ovos podres.

O sulfureto de hidrogénio pode ser mortal em concentrações elevadas mas também é produzido normalmente por todos os animais, incluindo o Homem, onde se acredita que ajude a regular a temperatura corporal e a actividade metabólica.

Para além da sua potencial utilidade nas viagens espaciais, a capacidade de induzir um estado semelhante à hibernação pode ser muito importante para a medicina.

O investigador principal Mark Roth refere que este procedimento pode em última análise conduzir a novas formas de tratamento para o cancro e na prevenção da morte e de ferimentos devidos a insuficiente irrigação de órgãos e tecidos.

Durante a hibernação, a actividade das células do corpo abranda quase até parar, reduzindo dramaticamente as necessidades do animal em oxigénio.

Se o Homem puder ser libertado da sua dependência do oxigénio, pode-se obter tempo extra para pacientes críticos na lista de espera para transplantes ou nas salas de operação, diz Roth. 

"Manipular este mecanismo molecular para obter benefícios clínicos pode revolucionar o tratamento de toda a família de condições patológicas associadas a isquémia (problemas no fornecimento de sangue) ou a danos em tecidos vivos devidos a falta de oxigénio", explica ele. No entanto, ele acrescenta que em ambiente clínico é mais provável que seja administrada uma injecção e não ocorra inalação de gás.

No seu estudo mais recente, Roth e os seus colegas descobriram que ratos deixaram de se mover e pareceram perder a consciência em minutos após respirar o ar com sulfureto de hidrogénio. A taxa respiratória dos animais desceu de 120 inalações por minuto para menos de 10.

Durante a exposição ao gás, as suas taxas metabólicas desceram 90% e a temperatura do corpo caiu de 37ºC para 11ºC. Após seis horas de exposição à mistura, os ratos receberam ar fresco e a taxa metabólica e temperatura corporal voltaram ao normal. Os animais não mostraram nenhum sinal de efeitos secundários.

 

O co-autor do estudo Eric Blackstone considera que o próximo passo será realizar o mesmo tipo de estudo em animais maiores. Os ratos normalmente não hibernam mas podem alcançar um estado semelhante designado torpor clínico em condições de privação de alimentos.

"Se conseguirmos manipular o metabolismo dos animais desta forma, ter´qa com certeza uma gama muito vasta de aplicações", comenta John Speakman, professor de zoologia da Universidade de Aberdeen. "Há grande interesse por parte dos militares na hibernação de curto prazo, como forma de estabilização de feridos no campo de batalha, por exemplo."

Os cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA) estão a investigar a possibilidade da indução de estados do tipo hibernação em astronautas enviados em viagens longas como a Júpiter ou Saturno. No entanto, estas e outras aplicações podem estar ainda muito distantes.

"A abordagem atmosférica ao torpor é boa porque se espalha rapidamente pelo corpo e descarta a necessidade de injecção interna de substâncias", explica Mark Ayre, da Equipa de Conceitos Avançados da ESA em Nordwijk na Holanda.

"Temos andado de olho na animação suspensa como forma de reduzir os consumíveis (comida e água) numa viagem que pode demorar cinco anos ou mais. Isso é muito importante porque as missões estão dependentes da massa da nave. Outra coisa é tentar evitar os problemas psicológicos. Para termos pessoas acordadas é necessário mantê-las entretidas, o que significa mais volume e potencialmente uma massa gigantesca. Ou contornamos tudo isso pondo-os a dormir."

A indução de estados do tipo da hibernação também pode ter potencial utilização na investigação do cancro, permitindo aos pacientes tolerar níveis mais elevados de radiação sem danos para o tecido saudável. As células cancerosas não dependem do oxigénio para crescer, diz Roth, logo são mais resistentes à radioterapia.

"Neste momento, a maioria das formas de tratamento do cancro mata as células normais bem antes de matar as células tumorais. Induzindo uma hibernação metabólica nos tecidos saudáveis, pelo menos damo-lhes mais hipóteses de sobrevivência", explica ele. 

 

 

Saber mais:

Science

 

 

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