2005-04-19

Subject: Aves jovens têm que "gritar" para se fazerem ouvir

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Aves jovens têm que "gritar" para se fazerem ouvir

 

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O trânsito, a música, as buzinas e os aviões que provocam o ruído constante sobre as nossas cidades são suficientes para nos causar problemas mas como reagem as aves a esta cacofonia constante? Serão capazes de se fazer ouvir acima dela?

É a esta questão que os cientistas estão a tentar responder com os estudos mais recentes sobre as aves, que indicam que algumas espécies estão elas próprias a aumentar o nível de ruído, para não serem totalmente abafadas.

As cotovias de Berlim, por exemplo, cantam mais alto nos dias da semana durante a hora de ponta do que aos fins de semana. Da mesma forma, os chapins de Leiden na Holanda, cantam mais estridentemente nos bairros barulhentos que nas zonas mais calmas.

Entretanto, um novo estudo canadiano mostra que os juvenis também aumentam o volume para que os seus progenitores os possam ouvir acima do ruído de fundo.

Não devia ser uma surpresa que as aves sejam tão sensíveis aos ruídos ambientais, diz Henrik Brumm, biólogo da Universidade de St. Andrews na Escócia. "Poucos animais usam a comunicação acústica em tal grau", continua ele, "é por isso que são especialmente sujeitos à interferência sonora."

Brumm, especialista em comunicação animal, diz que essa interferência pode potencialmente levar a sérias dificuldades para as aves conseguirem defender os territórios ou atrair as fêmeas. As mesmas pressões podem estar a afectar as crias no ninho.

"Alguns estudos sugerem que pedir alimento aos pais exige muita energia", diz o autor de um outro estudo, Marty Leonard. "Se chamar alto aumentar esse esforço, podem não ter energia suficiente para crescer, logo podem deixar o ninho em piores condições."

Chamamentos mais altos a partir do ninho não só gastam mais energia como também podem atrair visitantes pouco desejados, como os predadores, considera Brumm. 

 

Um estudo de 2002 sobre os custos metabólicos do canto nas cotovias europeias mostrou que um aumento de 16 decibeis no nível do som conduz a mais 16% no consumo de oxigénio. 

Os investigadores que tentam avaliar os efeitos dos sons humanos nas aves selvagens têm uma dificuldade importante: como isolar a influência dos sons humanos de outros factores, como a poluição do ar ou o desenvolvimento urbano?

Outra complicação para os cientistas é o facto de as aves terem que lidar com ruídos de fundo naturais, como o vento, a chuva ou mesmo outras aves. Algumas espécies desenvolveram gritos de furar os tímpanos para combater o efeito mascarador desses sons.

Apesar de estudos recentes parecerem indicar que alguns dos cantores das nossas cidades podem ser capazes de se adaptar ao aumento da poluição sonora, os cientistas ainda não têm a certeza que espécies toleram melhor essa situação.

"Existem limitações, as aves não conseguem lidar com qualquer nível de ruído", alerta Brumm. "Dados recolhidos em humanos mostram que níveis crónicos de ruído podem afectar a fisiologia humana, bem como o bem-estar geral do indivíduo. Talvez as aves também sofram de sintomas de stress."

 

 

Saber mais:

Dalhousie University- Department of Biology

University of St. Andrews- School of Biology

 

 

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