2005-04-18

Subject: Pistas de esqui colocam plantas alpinas em perigo

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Pistas de esqui colocam plantas alpinas em perigo

 

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O impacto da preparação das pistas de esqui nas plantas alpinas é duradouro e maior a altitudes mais elevadas, relatam os investigadores suíços. Os efeitos deverão tornar-se ainda piores com o aquecimento global a obrigar os operadores a utilizar neve artificial e a abrir pistas mais largas.

Os cientistas compararam a vegetação dentro e fora das pistas em 12 estâncias de esqui suíças, o maior estudo desta natureza alguma vez realizado. 

No total, descobriram 9% menos cobertura vegetal e 11% menos espécies na zona das pistas. As plantas lenhosas e as espécies de floração precoce parecem ser as mais afectadas. Estas diferenças eram mais pronunciadas nas altitudes elevadas, sugerindo impactos mais preocupantes à medida que as pistas se deslocam mais para o alto.

O trabalho foi realizado por uma equipa do Swiss Federal Institute for Snow and Avalanche Research (SLF), da Universidade de Zurique e da Universidade de Potsdam na Alemanha.

Os danos causados por máquinas usadas para aplanar o terreno sob as pistas foram particularmente severos.

As pistas aplanadas com máquinas tinham cinco vezes mais solo nu que as pistas não aplanadas e ainda não tinham recuperado, mesmo 30 anos depois de terem sido "trabalhadas" e em encostas que tinham sido replantadas.

"A altitudes mais elevadas, especialmente acima da linha da floresta, é realmente difícil voltar a ter coberto vegetal depois de terem sido aplanadas", diz o botânico do SLF Christian Rixen. "Quanto mais alto se está, mais difícil é."

Como permanece no solo mais tempo que a neve natural, a neve artificial favorece as plantas que se desenvolvem enterradas na neve, como a campainha alpina Soldanella alpine e espécies de floração tardia como a Calluna vulgaris, em vez das gencianas e outras espécies de floração precoce.

Estas alterações na composição específica tornaram-se mais proeminentes quanto mais tempo as máquinas de produção de neve artificial foram usadas e devem ter um impacto mais vasto, consideram os cientistas.

 

A redução do coberto vegetal nas encostas de esqui pode tornar a zona mais sensível à erosão do solo e reduzir o seu valor para os utilizadores de Verão, onde se incluem os agricultores e os turistas, diz Rixen.

A equipa recomendou que a utilização de máquinas aplanadoras e produtoras de neve artificial sejam evitadas e que as pistas de esqui não sejam permitidas em áreas de alto valor conservacionista.

"Os efeitos que descobrimos serão muito mais dramáticos nos próximos anos", alerta Rixen, pois a produção de neve artificial está a aumentar e as pistas de esqui estão a ser criadas a altitudes mais elevadas, onde a vegetação e o solo são mais sensíveis.

Prevê-se que o nível de neve consistente suba 300 a 600 metros, na Suíça, nos próximos 30 a 50 anos devido ao aquecimento global, segundo o relatório do Programa Ambiental das Nações Unidas.

Países mais baixos, como a Áustria e a Itália, já usam actualmente neve artificial em cerca de 40% das pistas de esqui, e a percentagem, ainda que mais baixa, está também a subir rapidamente na Suíça, conclui Rixen.

 

 

Saber mais:

Swiss Federal Institute for Snow and Avalanche Research

Unep report- Climate Change and Winter Sports

International Commission for the Protection of the Alps (CIPRA)

 

 

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