2005-04-11

Subject: Para onde foram os tigres indianos?

News of the Wild

 

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Para onde foram os tigres indianos?

 

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A recente suspensão de oito guardas florestais do Parque Nacional indiano de Sariska por não cumprirem a sua missão de proteger os tigres, serviu também para alertar a comunidade internacional para os sucessivos reveses do Project Tiger, um enorme programa de conservação estabelecido nos anos 80 do século passado pela então primeira-ministra Indira Gandhi. 

O que correu mal?

As autoridades do estado do Rajasthan actuaram como parte de uma investigação em curso sobre o desaparecimento de muitos, senão de todos, dos tigres do estado.

Os conservacionistas dizem que o número de tigres na Índia decaiu de forma alarmante nos anos mais recentes e que os guardas florestais de muitas das áreas protegidas têm estado a encobrir a situação.

A última crise foi desencadeada pela descoberta de que os guardas florestais do Parque Nacional de Sariska, um dos mais visitados da Índia, andavam à vários meses a exagerar o número de tigres presente no parque.

Valmik Thapar, um dos mais respeitados peritos indianos em tigres, diz que o alarme foi lançado quando uma equipa do Wildlife Institute of India, a realizar um curso de detecção de tigres, não encontrou qualquer evidência da presença dos animais nos 15 dias que esteve na área.

"Basicamente, não há tigres em Sariska desde Outubro de 2004", acrescenta Thapar. "Enquanto lá estive, vi 20 Jeeps cheios de turistas estrangeiros e os guias apontavam para os arbustos e avisavam do perigo de um tigre saltar a qualquer momento. Mas não há tigres para saltar de lado nenhum."

A Índia é lar de 40% do efectivo mundial de tigres e dizia-se que lá existiam mais de 4000 animais no final da década de 80 do século passado, após a primeira-ministra Indira Gandhi, lançar o Project Tiger, um sistema de parques nacionais e de santuários de fauna selvagem para os proteger.

Os registos oficiais actuais referem que existem 3723 tigres mas muitos conservacionistas dizem que o número real é muito inferior. 

O desaparecimento do símbolo natural mais apreciado da Índia está a causar indignação geral entre os indianos. O primeiro-ministro Manmohan Singh ordenou uma investigação e o governo estadual do Rajasthan já começou a despedir vários guardas florestais.

LN Dave, ministro das Florestas e do Ambiente de Rajasthan, aceita a responsabilidade da perda dos tigres mas não a culpa. "Aceito a responsabilidade mas na realidade, vemos que estes acontecimentos ocorreram devido à atitude desleixada dos oficiais subalternos. Todos os que forem culpados serão punidos."

 

Dave, e outros funcionários do estado, sugerem que a mineração e agricultura intensivas podem ter afugentado os tigres. Muitas sugestões esperançadas dizem que estarão escondidos e podem regressar mais tarde.

Vijendra Pahul Singh, vereador do governo estadual, diz que a caça furtiva está largamente disseminada na Índia. "Isto tem vindo a acontecer em todo o país, não só no Rajasthan. É triste que em Sariska tenha sido feito em tão larga escala e vamos garantir que não aconteça com outros predadores, como as panteras."

Os conservacionistas são mais explícitos em relação à extensão dos danos causados pelos caçadores furtivos. Belinda Wright, directora executiva da Wildlife Protection Society of India, diz que tem havido um aumento alarmante da caça furtiva em todo o habitat tradicional do tigre de Bengala, desde o subcontinente indiano até à Tailândia e Cambodja.

Acredita-se que a principal razão é o elevado valor das partes do corpo dos tigres no mercado da medicina tradicional chinesa. A cabeça, pele, garras, carne, sangue e pénis são todas partes altamente valiosas. O corpo inteiro, moído e separado em diversos "medicamentos", pode render €70000.

Wright acredita que o número real de tigres ainda vivos na Índia não ultrapasse os 2000, "se tivermos sorte". 

"A contagem de tigres é muito difícil de realizar de todas as formas, e para este senso espantoso indicar 30 machos, 20 fêmeas e uma cria é, no mínimo bizarro. Penso que a maioria dos parques têm populações criticamente baixas de tigres, o que com as pressões e os problemas a isso associado torna a situação muito grave."

Thapar diz que o trabalho de contar tigres deve ser feito por outras entidades que não os guardas florestais, que têm demasiado interesse em exagerar as estatísticas. "Centremo-nos na protecção", acrescenta. "Protejam o vosso parque, porque se não for assim, os tigres morrem."

 

 

Saber mais:

Tigres em perigo por parte dos caçadores de porcos selvagens

Baptizada nova espécie de tigre

Tigre salvo dos caçadores furtivos

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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