2005-04-04

Subject: Perguntas e respostas sobre o surto do vírus Marburg

News of the Wild

 

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Perguntas e respostas sobre o surto do vírus Marburg

 

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Um surto da rara e mortal febre hemorrágica de Marburg já custou a vida a mais de 100 pessoas em Angola. Mas afinal de onde vem este perigoso vírus e até que ponto nos devemos preocupar com a situação?

O que é o vírus de Marburg e que consequências tem?

O vírus de Marburg é raro e mortal, pertence à mesma família do Ébola e também desencadeia febre hemorrágica. Afecta as células do revestimento dos vasos sanguíneos e um tipo específico de glóbulos brancos, fazendo com que os capilares vertam sangue.

Os primeiros sinais da infecção são febre e dores corporais, o que torna a doença muito difícil de distinguir da malária e outras doenças virais. Apesar do Marburg causar hemorragias graves, na maioria dos casos os pacientes morrem de colapso do sistema circulatório, que leva a choque e a falência múltipla de órgãos.

Porquê tanto alarme com este surto?

O vírus de Marburg é perigoso porque tem uma taxa de mortalidade elevada, é muito contagioso e não existem tratamentos eficazes. O vírus mata pelos menos 25 a 30% das pessoas que infecta, ainda que menos do que o seu primo ainda mais temível, o Ébola, cuja taxa de mortalidade ronda os 90%. Ainda assim, é "uma proporção assustadora", comenta Sina Bavari, que estuda o vírus no US Army Medical Research Institute of Infectious Diseases em Fort Detrick, Maryland.

O surto actual, com origem na província do norte de Angola do Uíge, já matou mais do que qualquer outro. A doença surgiu pela primeira vez em Outubro de 2004 mas apenas foi identificada como vírus de Marburg na semana passada. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as autoridades de saúde angolanas têm registo de 132 casos até 30 de Março, dos quais 127 foram fatais.

O vírus também tem atraído as atenções mundiais nos últimos tempos pois tem sido considerado um candidato de primeira para agente de bioterrorismo: é fácil de produzir em massa e é muito estável sob a forma de pó. "É algo a manter debaixo de olho, de certeza", diz Tom Ksiazek, funcionário do Departamento de Agentes Patogénicos Especiais do US Centers for Disease Control and Prevention de Atlanta, Geórgia, onde peritos testaram recentemente espécimes recolhidos de pacientes infectados com Marburg.

De onde vem este vírus?

O vírus foi reconhecido pela primeira vez em 1967 após uma carregamento de macacos com origem no Uganda ter desencadeado a doença em trabalhadores de laboratório em Marburg e Frankfurt, Alemanha, bem como em Belgrado, na antiga Jugoslávia. No total, 37 pessoas foram atingidas.

Desde então, apenas um punhado de surtos foi registado, todos com origem na África sub-sahariana. Antes deste surto mais recente, a pior epidemia foi registada na República Democrática do Congo entre 1998 e 2000, durante a qual 150 pessoas foram infectadas.

 

Os cientistas não têm uma ideia clara da origem do vírus. É pouco provável que provenha de macacos ou outros primatas, pois também eles são rapidamente mortos pela doença. Os cientistas suspeitam que subsista noutro animal, que pode ser qualquer coisa entre morcegos e mosquitos ou aves, saltando ocasionalmente para o Homem e outros primatas. Como os surtos são tão raros, os investigadores têm tido poucas oportunidades de localizar a sua fonte e reservatórios naturais.

Pode a doença ser controlada?

Não existem vacinas ou medicamentos para combater a febre de Marburg. O vírus transmite-se através do contacto próximo com pessoas infectadas, os seus fluidos corporais ou tosse e espirros. No entanto, a sua dessiminação pode ser reduzida através de métodos típicos de controlo de infecções, como a utilização de luvas e máscaras, bem como a quarentena dos infectados.

Devido à preocupação com a possibilidade de o vírus se espalhar para além de Angola, os peritos em doenças infecciosas da OMS e de outras organizações médicas estão a trabalhar com as autoridades locais para isolar os pacientes, localizar todos os que com eles contactaram e alertar as populações para o perigo da doença.

Vários grupos de investigadores por todo o mundo estão a trabalhar em protótipos de medicamentos ou vacinas para combater o vírus, que exige as medidas máximas de segurança para o manuseio laboratorial. Um estudo publicado no ano passado mostrou que partículas virais desactivadas por remoção do material genético protegiam porquinhos da Índia da infecção.

A doença é mesmo assim tão má?

O Marburg é um vírus perigoso e este surto é claramente devastador para as comunidades afectadas mas em termos de número de mortes não se pode comparar com os danos causados por assassinos mais persistentes e disseminados como a malária ou a SIDA. "Realmente capta a atenção das pessoas", diz Ksiazek, "mas se calhar mais do que realmente merece."

 

 

Saber mais:

CNES - Febre hemorrágica (Ébola)

Factos sobre a febre hemorrágica (Marburg)

Animais podem alertar para novas epidemias de Ébola

"Carne selvagem" semeia novos vírus

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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