2005-04-02

Subject: Sexo acelera a evolução

News of the Wild

 

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Em destaque:

Sexo acelera a evolução

 

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Qual é a vantagem do sexo?

Do ponto de vista científico parece fazer muito pouco sentido: consome demasiado tempo, é desgastante e muitas vezes perigoso. Nem sequer se pode considerar essencial à reprodução, pelo menos para os organismos considerados mais primitivos, como os micróbios e certos tipos de fungo que se multiplicam generosamente sem sexo.

Mas este novo estudo vem mostrar que o sexo permite uma evolução mais rápida.

Para o demonstrar, uma equipa de cientistas criou uma linhagem mutante de leveduras que, ao contrário das leveduras normais, era incapaz de formar esporos sexuados. Normalmente, as leveduras podem alternar entre os dois tipos de esporos, sexuados e assexuados.

Quando testaram esta levedura em condições ideais, descobriram que se comportava de forma igual à das leveduras normais. No entanto, em condições mais extremas, as leveduras normais cresciam mais rapidamente que as mutantes.

Esta situação mostra, "inequivocamente, que o sexo permite uma evolução mais rápida", diz Matthew Goddard da School of Biological Sciences da Universidade de Auckland na Nova Zelândia.

Já desde o século XIX que os cientistas propuseram que a reprodução sexuada torna a selecção natural mais eficiente pois aumenta a variação genética. No entanto, desde então, os biólogos evolucionistas têm tentado encontrar uma explicação simples e geral para o motivo porque o sexo dá jeito quando se trata da sobrevivência dos mais aptos.

"Experiências relacionadas com o sexo são muito difíceis de realizar", diz Goddard. "Numa experiência temos que manter todas as restantes variáveis constantes, o que significa que não pudemos usar organismo superiores, pois estes estão obrigados a fazer sexo para se reproduzir e não haveria o controlo da reprodução assexuada."

Por esse motivo, Goddard e a sua equipa viraram-se para as leveduras par testar a sua hipótese de que o sexo permite às populações adaptar-se a novas condições mais rapidamente. 

Criaram uma linhagem mutante pois as leveduras já se reproduzem assexuadamente em condições ideais. A escassez de nutrientes leva, por sua vez, a um produção de esporos sexuados, formados por meiose.

"Esta experiência foi a primeira vez que este problema foi removido pela criação da levedura mutante, que esporula quando em dificuldades mas permanece assexuada", explica Goddard. "Agora ambas as populações, sexuadas e assexuadas, podem ser tratadas da mesma forma."

 

Em condições mais difíceis, a linhagem sexuada cresceu a uma taxa de 94%, enquanto a assexuada não ultrapassou os 80%. "A experiência fornece dados inequívocos de que o sexo permite uma adaptação mais rápida a condições ambientais novas", diz Rolf Hoekstra, professor de genética da Universidade de Wageningen na Holanda. "Esta ideia já existia há muito tempo mas só agora surgem dados que a confirmem do ponto de vista científico."

À primeira vista, o sexo parece ter mais desvantagens que vantagens. "Pensem, por exemplo, no problema logístico de encontrar um parceiro, principalmente nas espécies onde a mobilidade ou a densidade populacional são baixas", diz Hoekstra.

Os cientistas também têm debatido até que ponto a recombinação genética resultante do sexo compensa o facto de as combinações genéticas acumuladas por selecção natural estarem permanentemente em risco de serem destruídas.

No entanto, o novo estudo sugere que o baralhar genético resultante do sexo aumenta as probabilidades de se formar um conjunto de genes mais adequado.

Ainda assim, o estudo continua a deixar sem resposta algumas questões, nomeadamente o facto de (como as leveduras não terem machos e fêmeas) não ter avaliado a duplicação de custos que resulta da necessidade de dois sexos.

Explicando a duplicação de custos, Hoekstra diz: "Se os machos não contribuírem para a criação dos descendentes, as fêmeas sexuadas desperdiçam metade da sua capacidade reprodutiva nos filhos macho e deveriam ser ultrapassadas competitivamente pelas fêmeas assexuadas, que produzem exclusivamente descendentes fêmea e terão uma taxa reprodutiva dupla."

Para além deste aspecto, apesar da experiência mostrar que a adaptação é mais rápida na linhagem sexuada, não revela porque isso acontece. "Ainda estamos longe de uma resposta definitiva à questão de porque motivo é a reprodução sexuada tão comum", diz Hoekstra.

 

 

Saber mais:

Nature

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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