2003-11-18

Subject: Arenques comunicam "libertando gás"

News of the Wild

 

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Arenques comunicam "libertando gás"

 

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Um estudo recentemente publicado online no Reino Unido, revela que o arenque do Atlântico e do Pacífico cria sons de alta frequência por libertação de ar através do ânus. 

Sabemos que o arenque tem uma excelente audição mas nunca se tinha tentado descobrir para que era utilizada, refere o líder da equipa de investigação Ben Wilson, um biólogo marinho canadiano. Afinal, continua, veio-se a descobrir que faziam estes estranhos sons durante a noite. 

Wilson e os seus colegas intitularam o fenómeno "Fast Repetitive Tick" (tique repetitivo rápido), que origina as iniciais maliciosas FRT (pronuncia-se fart = peido em inglês). Mas, ao contrário da sua versão humana, estes FRT aproximam os peixes. 

Duas equipas de investigadores desenvolveram este projecto, no Canadá e no Reino Unido, estudando, respectivamente o arenque do Pacífico e do Atlântico. Os peixes eram capturados localmente e transferidos para grandes tanques laboratoriais, onde o seu comportamento era seguido com hidrofones e câmaras de infravermelhos. 

Descobriu-se que os peixes produzem surtos de sons de alta frequência, que podem atingir os 22 kilohertz. O barulho é sempre acompanhado por uma pequena esteira de bolhas de ar. Em imagens de vídeo podemos ver as bolhas a sair do orifício anal simultaneamente ao som, referem os investigadores. 

Outros testes revelaram que estes surtos de flatulência não são a consequência do medo ou da alimentação, pois a introdução de tubarões nos tanques ou o jejum dos peixes não conduziam a alterações no nível de emissões. 

As evidências apontam para o gás libertado não ser de origem intestinal, pois peixes em jejum ainda produzem estes sons. Assim, o gás parece ser ar engolido da superfície e armazenado na bexiga natatória, que depois é expelido através de um pequeno canal que abre mesmo junto ao ânus. 

 

O que realmente parece causar os surtos de som é a escuridão e as altas densidades de peixe, sugerindo que os arenques usam a flatulência como forma de comunicação. 

Os arenques e outros peixes da mesma família, como as sardinhas e as anchovas, têm um sistema auditivo sofisticado, refere o investigador. O conjunto é ainda mais sensível devido à presença de um saco cheio de gás localizado junto ao ouvido interno, que actua como amplificador e caixa de ressonância. 

Estes peixes podem detectar frequências até 40 kilohertz, muito além do perceptível para outros peixes. Esse facto torna este sistema de comunicação muito útil pois permite aos arenques comunicar e manter o contacto na escuridão sem denunciar a sua presença a possíveis predadores. 

Estes estudos levantam a questão da sensibilidade dos arenques aos sons subaquáticos e o impacto da poluição sonora. Por sua vez, predadores dos arenques, como golfinhos e baleias capazes de captar sons de alta frequência, podem estar a usar os FRT como localizador da presa. Assim, a poluição sonora subaquática pode estar a ser altamente danosa para a sua eficácia como caçadores, concluem os investigadores. 

 

 

Saber mais:  

Herring and Their Mysterious Farting Sounds

Atlantic Herring

Biology Letters

 

 

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@ Born to be Wild, 2003


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