2005-03-25

Subject: Construtores ameaçam a floresta do Panamá

News of the Wild

 

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Construtores ameaçam a floresta do Panamá

 

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Parte da floresta tropical do Panamá, um dos chamados "pontos quentes" para a biodiversidade e localizado na encruzilhada de dois continentes e dois oceanos, está à venda para empreendimentos imobiliários.

Defensores do ambiente dizem que a venda da zona de floresta que rodeia o canal do Panamá é ilegal perante a própria lei panamiana mas o governo discorda.

Cerca de 27 hectares de terra localizada na antiga "zona do canal" já foram vendidos e outros 100 hectares estão já demarcados e a aguardar a melhor oferta. Os talhões já vendidos vão ser usados na construção de moradias de luxo, enquanto outros estão destinados a empreendimentos comerciais e industriais.

A zona do canal foi devolvida, juntamente com o próprio canal, pelos Estados Unidos ao Panamá em 2000 completamente intocada e os ambientalistas pensaram que fosse para assim ser mantida.

"A venda destas florestas é ilegal segundo pelo menos três leis, que a proíbem explicitamente", diz Raisa Banfield, do grupo ambientalista local Defence of Forests. "Mapas legais mostram que a área está protegida contra o desenvolvimento imobiliário. Tudo isto é uma troça da lei que garante a protecção governamental da zona e estabelece um precedente para uma sequência de desflorestação e construção."

No entanto, a Environment Authority refere num comunicado que a lei panamiana dá aos funcionários governamentais o poder de decidir como a terra devolvida deve ser utilizada, se para conservação ou para desenvolvimento imobiliário.

O comunicado acrescenta que as moradias a construir em duas das parcelas da terra à venda estarão sujeitas a restrições especiais, de forma a impedir os danos ecológicos ao vizinho Parque Nacional Camino de Cruces.

Após a desflorestação inicial e a inundação criada pelo canal em 1903, a floresta foi deixada à vontade para crescer e a biodiversidade floresceu. Os 97 anos seguintes de controlo militar americano impediram a colonização humana e o desenvolvimento imobiliário na zona, que se estendia por 80 Km em comprimento e 16 Km de largura a partir do canal.

Parques nacionais foram criados para proteger as áreas de floresta tropical mas agora parece que parte delas não estavam incluídas nos parques. Os ambientalistas acusam as autoridades de fingir que não vêem iniciativas que promovem a riqueza de alguns mas ameaçam a natureza.

No ano passado os panamianos elegeram um novo presidente, Martin Torrijos, com a promessa de acabar com a corrupção. "Por isso pedimos ao presidente Torrijos que analise esta situação, que teve início com a anterior presidência, com cuidado", diz Banfield.

Formando uma estreita ponte entre dois continentes, o Panamá é um corredor essencial de floresta tropical altamente ameaçada ligando a América do norte e a Amazónia. Apesar de ocupar apenas 0,05% da área terrestre do planeta, é um ponto fundamental para as aves migratórias, compreendendo 950 espécies, o dobro do que pode ser encontrado em toda a Europa. É também lar da maior diversidade de árvores no planeta.

 

"Como um ponto de encontro biogeográfico entre as Américas do sul e do norte e os oceanos Pacífico e Atlântico, a vida animal e vegetal desta pequena área de floresta é hiperdiversa", diz Bill Laurance, ecologista do Smithsonian Tropical Research Institute do Panamá, autoridade nos efeitos da fragmentação das florestas pelo desenvolvimento imobiliário.

"Nenhum outro local do planeta está sujeito a uma batalha tão árdua para a manutenção deste corredor verde como no Panamá, devido a este efeito gargalo causado pela intensa pressão populacional do crescimento da Cidade do Panamá, Cólon e áreas em volta do canal."

A área condenada não só contém floresta ameaçada mas também a herança histórica da estrada de pedra com 450 anos de idade de Camino de Cruces, parte da rota sul-americana de comércio de ouro de Espanha. Muitas zonas da estrada de pedra estão debaixo de lama e vegetação mas o que está à vista está agora a ser destruído pelas marcações dos construtores.

Ironicamente, talvez sejam as pressões económicas as únicas que podem salvar a floresta panamiana do desenvolvimento imobiliário. O canal gera cerca de $700 milhões por ano, pois os navios pagam entre $80000 a $250000 para o atravessar. As árvores que envolvem o canal são cruciais para que os 100 Km de água estejam limpos de lodo e de outras obstruções e com água doce.

"O sistema do canal é alimentado pela água da chuva que é produzida pela floresta e entra no canal pelo rio Chagres", diz Michael Roy, do grupo de pressão Conservation Research Education Action no Panamá.

"As árvores e as raízes actuam como uma esponja, libertando lentamente a água para o canal, o que é importante durante os três meses da estação seca, quando o canal depende da chuva da estação das chuvas anterior." Perto de 50% da zona de drenagem do canal já está desflorestada e este número está subir rapidamente. 

 

 

Saber mais:

Camino de Cruces national park

Panama National Environment Authority

Anfíbios enfrentam futuro sombrio

Animais aproveitam o canal do Panamá

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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