2005-03-20

Subject: Evolução do cavalo descodificada

News of the Wild

 

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Evolução do cavalo descodificada

 

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O cavalo tem sido inestimável para o Homem desde que foi domesticado pela primeira vez na Ásia central, há cerca de 6000 anos. A sua velocidade e força foi posta ao nosso serviço para a caça, a guerra, a lavoura e, de modo geral, alargar os nossos horizontes. Sem o cavalo, a história humana seria com certeza bem diferente.

Bem menos conhecido é o papel dos cavalos na nossa compreensão da evolução a longo prazo dos animais. Escrevendo esta semana para a revista Science, o paleontólogo Bruce J. MacFadden refere que a evolução dos cavalos sofreu muito mais curvas e contracurvas do que antes se pensava.

Os cavalos modernos não sofreram uma transição mais ou menos gradual desde os pequenos animais do tipo raposa com vida florestal que foram os seus ancestrais. Em vez disso, os cavalos variaram grandemente em forma e tamanho ao longo do tempo.

MacFadden, curador da paleontologia de vertebrados do Museu de História Natural da Flórida em Gainesville, diz que os cavalos são muito populares com os evolucionistas. "Há uma sequência contínua de fósseis de cavalo desde há 55 milhões de anos na América do norte, fornecendo evidências tangíveis para cada uma das etapas evolutivas ao longo de um período de tempo alargado", diz ele.

Em 1876, Thomas Huxley, um conhecido biólogo britânico e amigo pessoal de Charles Darwin, foi apresentado ao paleontólogo americano O.C. Marsh e à sua vasta colecção de fósseis de cavalos. Apesar dos cavalos se terem extinguido na América do norte há 10000 anos, tiveram aí a sua origem e foram reintroduzidos pelos espanhóis no século XVII.

Esta sequência de fósseis, desde os animais que viviam em floresta até às zebras de savana modernas, tem sido reproduzida desde aí em incontáveis livros de biologia e exposições de museus.

Fósseis descobertos posteriormente, em pleno século XX, sugerem que a evolução do género Equus foi bem mais complexa. A sua árvore filogenética originou muitos outros ramos, muitos dos quais não não existem.

Kathleen Hunt, bióloga da Universidade de Washington em Seattle, diz que o cavalo moderno é "apenas um ramo numa antes florescente árvore de espécies de equídeos. Apenas temos a ilusão de uma evolução linear porque o género Equus é o único que sobreviveu."

MacFadden, o autor do estudo, concorda que a evolução do cavalo foi, na realidade, uma situação bem complicada, uma mistura de processos evolutivos como a variação genética ao acaso e a selecção natural. "Muitas das alterações morfológicas, como de dentes e de membros, podem ser explicadas dentro deste contexto. Os mamíferos equídeos são animais adaptáveis cujo tamanho, dieta e raio de distribuição dependem da geografia e do clima."

Os dentes dos cavalos, muito bem preservados como fósseis, fornecem evidências que apoiam estas alegações. Por exemplo, quando os habitats de pradaria aumentaram há cerca de 20 milhões de anos, os cavalos com dentes adaptados a uma alimentação de floresta declinaram, enquanto os cavalos com dentes de coroa elevada, adequados ao pasto, floresceram.

 

Análises químicas feitas por MacFadden que permitem determinar a dieta e a forma dos dentes de fósseis posteriores, no entanto, mostram que algumas espécies voltaram a comer folhas. Da mesma forma, o tamanho também mudou. A noção de que os cavalos começaram com um tamanho semelhante ao de um cão e se tornaram cada vez maiores é agora comprovadamente falsa.

Um fóssil com 18 milhões de anos de um Archaeohippus adulto dá-nos uma ideia do aspecto desde ancestral do cavalo e mostra como variavam grandemente em forma e tamanho.  Fotografia: Museu de história Natural da Flórida

A partir de evidências retiradas dos dentes fósseis, MacFadden descobriu que durante uma explosão na diversidade dos cavalos há cerca de 20 milhões de anos, muitas espécies se tornaram menores. Ele foi capaz de estimar o seu tamanho pois os dentes são proporcionais ao volume corporal.

Estas descobertas contradizem a que tem sido conhecida como a Lei de Cope, uma ideia baseada no trabalho do paleontologista do século XIX Edward Drinker Cope. A lei afirma que num dado grupo de animais, há uma tendência para os seus descendentes aumentarem progressivamente de tamanho.

"Existem tantas excepções em que se passa do pequeno para o grande e de volta para o pequeno, que temos que ser capazes de nos questionar sobre quantas excepções à regra podemos aceitar antes de concluir que o conceito central não é correcto", afirma MacFadden.

John Flynn, curador dos mamíferos fósseis do Museu de História Natural de Nova York, considera as descobertas de MacFadden importantes dado qus os cavalos têm sido um dos pilares dos estudos evolutivos em animais. Concorda plenamente com MacFadden quando este afirma que ainda há muito para aprender sobre os exemplos da evolução que surgem nos livros de estudo. 

 

 

Saber mais:

Florida Museum of Natural History

American Museum of Natural History

Science

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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