2005-03-13

Subject: Insectos são cruciais para a diversidade da floresta tropical

News of the Wild

 

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Insectos são cruciais para a diversidade da floresta tropical

 

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Quando se trata da manutenção e do aumento da espantosa diversidade vegetal das florestas tropicais amazónicas, os insectos são amigos e não adversários, revela um estudo agora publicado. 

"A questão é que os insectos herbívoros amplificam as diferenças entre os habitats", explica Paul Fine, professor assistente de ecologia e biologia evolutiva na Universidade do Michigan em Ann Arbor.

Fine conduziu a sua investigação na floresta tropical amazónica do Peru, perto da cidade de Iquitos. Nesse local, dois tipos diferentes de solo abrigam duas comunidades radicalmente diferentes de plantas.

Os solos arenosos, claros e pobres em nutrientes, são dominados por plantas de crescimento lento, fortemente armadas contra insectos predadores. As plantas que se desenvolvem nos solos avermelhados e férteis apresentam menos defesas contra os insectos mas crescem mais depressa do que os insectos as conseguem devorar.

"A maioria das pessoas assumiu que plantas especializadas na vida em solo argiloso não seriam capazes de crescer na areia branca. Pensava-se que sofreriam com o efeito tóxico do alumínio ou pura e simplesmente não seriam capazes de crescer num ambiente tão limitado em termos de nutrientes", diz Fine.

Uma ideia alternativa foi avançada em 1974 por Daniel Janzen, biólogo da Universidade da Pennsylvania em Filadélfia. A sua hipótese considerava os insectos devoradores de plantas a principal força que impedia as especialistas do barro vermelho de crescer nos solos de areia branca, e não a carência de nutrientes.

Fine e os seus colegas Phyllis Coley, bióloga da Universidade do Utah em Salt Lake City, e Italo Mesones da Universidade Nacional do Peru Amazónico em Iquitos, conduziram os primeiros testes a esta teoria.

Os investigadores transplantaram árvores de um tipo de solo para outro e cobriram algumas delas com redes anti-insecto, enquanto outras foram deixadas desprotegidas. Seguidamente, observaram o crescimento de cada uma durante os 21 meses seguintes, entre 2001 e 2003.

As árvores que crescem geralmente em solos argilosos vermelhos desenvolveram-se bem em solos de areia branca, crescendo o dobro do que as nativas conseguiam nesse período de tempo, mas apenas quando protegidas dos ataques dos insectos. Se deixadas desprotegidas, as especialistas do solo argiloso eram devoradas pelos insectos.

Entretanto, as plantas de solo arenoso transplantadas para solos argilosos cresciam mais lentamente e eram consistentemente ultrapassadas pelas especialistas do solo argiloso de crescimento rápido. As redes não ofereciam nenhuma vantagem, pois as especialistas do solo arenoso já apresentavam amplas defesas contra os insectos.

"Certamente, sem insectos, haveria uma pressão selectiva muito menor para o surgimento de defesas nas florestas de areia branca e as especialistas de solo arenoso, de crescimento lento, deixariam de ter uma vantagem competitiva nas florestas de areia branca", diz Fine.

 

Sem a vantagem adaptativa contra a predação dos insectos, as especialistas de areia branca poderiam desaparecer completamente, reduzindo a diversidade da floresta tropical, acrescenta Fine.

O estudo mostra que os diferentes tipos de solo não são suficientes, por si só, para determinar que tipo de planta lá cresce, contradizendo uma teoria há muito aceite e confirmando a hipótese de Janzen, concluem os investigadores.

Fine acrescenta que os insectos podem ter um efeito semelhante em habitats definidos por diferenças de altitude, pluviosidade e outros factores, acentuando a diversidade vegetal. 

Robert Marquis, da Universidade do Missouri em St. Louis, refere que este estudo "aumenta o número de provas que indicam que a herbivoria é um factor crucial na determinação da composição vegetal das florestas tropicais."

De acordo com Fine, nenhum estudo sugere que os insectos estão ameaçados na Amazónia, mas os solos de areia branca, que cobrem pequenas áreas isoladas da bacia, estão cada vez mais alterados pela actividade humana.

Os programas governamentais instalaram as comunidades rurais pobres em solos de areia branca, onde tentam cultivar cereais. Após apenas um ano já as culturas não vingam, e a floresta não consegue retomar a sua posição, pois o solo é muito pobre.

"Não existe utilidade para estas florestas, para além do que se pode obter a partir de uma floresta natural", diz Fine. "Uma vez cortadas, não conseguem crescer novamente e o que se obtém são terrenos baldios improdutivos de areia branca."

Intactas e geridas de forma sustentada, no entanto, as florestas podem fornecer madeiras preciosas, já não mencionando o facto de terem sido descobertas pelo menos seis novas espécies de aves nas florestas de areia branca, só na última década, conclui Fine.

 

 

Saber mais:

University of Michigan Department of Ecology and Evolutionary Biology

Pulse of the Planet

Science

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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