2005-03-12

Subject: Peste aumentou imunidade europeia contra o HIV?

News of the Wild

 

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Em destaque:

Peste aumentou imunidade europeia contra o HIV?

 

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As epidemias devastadoras que grassaram por toda a Europa durante a Idade Média parecem ter resultado num inesperado benefício: deixaram 10% dos europeus actuais resistentes à infecção pelo HIV. 

Mas estamos a falar da epidemia de que doença? Uma equipa de investigadores alegou esta semana que a peste pode ter aumentado a nossa imunidade ao HIV, mas equipas rivais consideram que o crédito deve ir para a varíola. 

Seja como for, é claro que algo aumentou a percentagem de indivíduos portadores da mutação que ajuda a proteger do vírus HIV. A mutação, que afecta uma proteína da membrana dos glóbulos brancos, designada CCR5, impede o HIV de penetrar e danificar o sistema imunitário.

Cerca de 10% dos europeus actuais são portadores da mutação, uma proporção significativamente superior da presente noutras populações. Então porque é tão comum esta mutação na Europa?

Uma possibilidade é que beneficia os seus portadores, protegendo-os de doenças mas os geneticistas sabem que a mutação, conhecida por CCR5-32, apareceu há cerca de 2500 anos, muito antes do HIV surgir no panorama mundial.

"É necessário algo que tenha andado por cá geração atrás de geração", explica Christopher Duncan da Universidade de Liverpool, que liderou as últimas análises feitas. A peste encaixa neste perfil, conclui ele a partir de um modelo matemático apresentado no último número do Journal of Medical Genetics.

A equipa de Duncan salienta que quando a peste negra atacou pela primeira vez, matando mais de 40% dos europeus entre 1347 e 1350, apenas uma pessoa em cada 20000 apresentava a mutação CCR5-32. Há medida que os séculos avançam, surtos repetidos foram ocorrendo, elevando a frequência da mutação na população.

Outros peritos, no entanto, não estão convencidos. Um estudo semelhante publicado em 2003 sugere que foi a varíola a aumentar a frequência da mutação. "A varíola aind aé a minha hipótese preferida", comenta Neil Ferguson, perito em doenças infecciosas do Imperial College de Londres, que não esteve envolvido no estudo.

 

Duncan contesta dizendo que a varíola apenas passou a ser uma ameaça séria na Europa a partir de 1600, o que poderia não dar tempo suficiente para uma efeito genético tão notório. Ainda assim, para Ferguson a influência da varíola pode estar a ser subestimada pois afecta essencialmente as crianças.

"A varíola parece-me a explicação mais razoável", acrescenta ele. Segundo ele, o principal problema da teoria da peste de Duncan é o facto de necessitar de uma nova explicação para a forma como a doença foi causada. 

Se aqueles que apresentavam uma mutação que bloqueava a entrada de vírus tinham uma maior probabilidade de sobrevivência, segue-se que a peste teria sido causada por um vírus. Mas a visão convencional considera que a peste da Idade Média foi causada pela bactéria Yersinia pestis.

Duncan admite que a sua teoria é difícil de provar mas argumenta que os surtos são mais fáceis de explicar se se assumir que a peste era passada de pessoa a pessoa como um vírus e não como a "peste bubónica" que era causada por bactérias transportadas por ratos e pelas suas pulgas. "Os ratos estão totalmente inocentes na Europa", diz ele.

Se tal for verdade, então Duncan pode explicar não apenas os níveis médios da mutação na Europa mas também o facto dos finlandeses e russos apresentarem as taxas mais elevadas, cerca de 16%, enquanto apenas 4% dos habitantes da Sardenha a têm.

Ele salienta que os surtos de doenças febris víricas continuaram na Escandinávia e na Rússia bem para além do que aconteceu no resto do continente, reforçando a posição da mutação como um facto de sobrevivência crucial. 

 

 

Saber mais:

Journal of Medical Genetics

A pandemia de Peste Negra do século XIV

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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