2003-11-15

Subject: aves e a privação de sono: sestas em vez de brincadeira

News of the Wild

 

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Em destaque:

aves e a privação de sono: sestas em vez de brincadeira

 

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As aves migratórias abandonam os padrões normais de sono, mas não parecem apresentar consequências desse facto, revela Verner Bingman, um neurocientista do comportamento da universidade do Ohio.

Bingman e os seus colegas estão a investigar de que forma a actividade cerebral e o comportamento das aves muda durante a migração, bem como a forma como compensam a falta de sono. 

Os cientistas esperam que as suas descobertas possam ser aplicadas ao Homem, quando sofre de patologias de privação de sono, como no caso de militares, pilotos, camionistas, viajantes frequentes e todos os que trabalham no turno da noite, que atravessam fusos horários frequentemente ou apenas trabalha longas horas. Só na América, onde trabalham, estes investigadores têm 25 a 35 milhões de pessoas que sofrem de desordens do sono e outros 35 não conseguem dormir o suficiente. 

Bingman e colegas focaram a sua atenção no tordo ustulado Catharus ustulatus uma pequena ave migradora de coloração verde acastanhada que se reproduzir nas florestas de coníferas do Alaska, sul do Canadá, norte da Califórnia, entre outros locais. 

No Outono, o tordo voa para sul até ao Peru e Equador, onde passa o Inverno, num voo com pelo menos 4800 Km que inclui uma etapa de 16 horas sem descanso sobre o Golfo do México. Estas aves são particularmente convenientes para esta experiência, pois apresentam o comportamento migratório mesmo que nunca abandonem o laboratório. Numa gaiola circular, a cada Primavera as aves viram-se e saltam para norte e para sul no Outono, revelou Bingman. 

Durante as estações não migratórias, as aves são activas durante o dia e dormem de noite. Mas, com a aproximação do Outono e a diminuição do período diurno, as aves começam a alimentar-se mais, ganhando reservas para a migração, e apresentam uma inquietação nocturna, mantendo-se acordadas e saltando de um lado para o outro. De facto, em algumas estações as aves não dormem, refere Bingman, o que as torna um modelo natural da privação de sono. 

Os animais podem variar a quantidade de sono de que necessitam, de acordo com as estações, se entendermos o que o sono está a fazer aos seus cérebros então talvez possamos manipular a bioquímica do cérebro humano para obter os mesmos resultados. 

 

 

 

As aves são conhecidas pela capacidade de lidar com a privação de sono melhor que qualquer mamífero. Os pombos, por exemplo, podem sobreviver durante meses com apenas 10% do seu período normal de sono. 

Outros animais desenvolveram padrões de sono adequados ao seu modo de vida: os golfinhos e as focas são designados de sono uni-hemisférico, ou seja, continuam a nadar e a respirar com metade do cérebro, enquanto a outra metade dorme. 

Uma hipótese inicial, refere Bingman, foi que o tordo ustulado usava o sono uni-hemisférico, algo já observado em outras espécies de aves: um olho permanece aberto, enquanto outro está fechado e dorme. Assim, as aves voariam grandes distâncias descansando alternadamente cada hemisfério do cérebro. 

Mas após as experiências preliminares, Bingman suspeita que não é o sono uni-hemisférico a forma principal como o tordo lida com a privação de sono. Observei realmente aves com um olho aberto e outro fechado, mas não durante o período de tempo que esperaria, considera. 

Para Bingman, a descoberta mais espectacular, apesar de apenas preliminar, é o modo como as aves alteram a sua rotina diária durante a época da migração: estavam menos activas e tiravam sestas, que, apesar de apenas durarem um ou dois minutos, permitiam ao tordo passar cerca de 15% do dia num estado de sono ou sonolento. 

Estas atitudes de sonolência são raras fora do período migrador, quando as aves apenas passam 2 a 3% do dia a dormir. Estas sestas parecem, portanto, críticas para combater a privação de sono. Talvez tirem estas micro-sestas durante o voo, considera Bingman. 

Para arranjar espaço para estas sestas, os tordos abdicam do tempo usado em exploração ou em brincadeiras ociosas. As aves alimentam-se, cantam, tratam da plumagem tanto como sempre, mas não fazem nada de importância marginal ou que seja uma perda de tempo. Abdicam da brincadeira para tirarem as suas sonecas, conclui Bingman.

 

 

Saber mais:  

Smithsonian Migratory Bird Center

Center for Sleep Research

Actividade cerebral é alterada após privação do sono

 

 

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@ Born to be Wild, 2003


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