2005-02-17

Subject: Sono ajuda aves a cantar melhor

News of the Wild

 

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Em destaque:

Sono ajuda aves a cantar melhor

 

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Uma boa noite de sono ajuda as aves jovens a dominarem a arte do canto, mas só depois de um início muito trapalhão, relata a revista Nature na sua edição mais recente.

Quando os mandarins jovens acordam de manhã as suas vozes estão decididamente "enferrujadas" mas, estranhamente, as aves mais desafinadas ao acordar acabam por se revelar as melhores cantoras.

Os cientistas acreditam que as aves praticam as canções em sonhos,  que acaba por ser compensador, apesar de causar um desnorte temporário.

"A curto prazo parece que uma deterioração mas a longo prazo as aves que revelam este fenómeno tornam-se as melhores cantoras, são melhores aprendizes", diz o co-autor do estudo Sebastien Deregnaucourt, da City University de Nova York.

Os mandarins, como muitas aves canoras, atravessam um período de desenvolvimento crítico de "plasticidade do cérebro", momento em que os seus cérebros estão prontos para aprender as canções.

Durante este período, os juvenis ouvem atentamente as canções dos adultos antes de as copiarem, e praticarem religiosamente, de forma a aperfeiçoarem a sua própria versão da canção.

A aprendizagem vocal nas aves canoras assemelha-se ao desenvolvimento da fala no Homem: as aves novatas atravessam um período de "balbucio" antes de aprenderem a imitar as canções com rigor, tal como os bebés antes de conseguirem falar.

Os mandarins apenas têm lições de canto durante o dia, à noite dormem, mas os investigadores notaram que, para as aves jovens, algo interessante acontece durante o sono.

Primeiro, a sua aula de canto não parece continuar a partir do ponto onde terminou no dia anterior, o desempenho é bastante pior ao início e depois melhora. Segundo, os cantores mais enferrujados são os que acabam por ser os melhores ao fim.

Este mistério ainda não foi totalmente resolvido mas os investigadores estão a começar a encontrar uma explicação. Uma pista importante é que as áreas do cérebro envolvidas no canto estão activas durante a noite.

 

"Neurónios que são activados quando a aves está a cantar também estão activos durante o sono", explica Deregnaucourt. "Assim, é possível que a aves esteja a sonhar com a sua canção durante a noite."

Mas se a ave esteve a praticar a sua canção em sonhos parece algo estranho que a sua perícia se tenha deteriorado de manhã. Deregnaucourt acredita que isto acontece porque o juvenil está a praticar sem qualquer tipo de feed-back. 

"A ave não está realmente a ouvir a sua canção quando dorme, porque não está a produzir sons", diz Deregnaucourt. "Isso é um problema para ela pois precisa da reacção do auditório, é muito importante que a ave se oiça a si própria para aprender a sua canção."

Já foi provado que aves surdas, que não conseguem ouvir as suas próprias vozes, desenvolvem rapidamente um canto distorcido. O mesmo princípio pode estar a aplicar-se às jovens aves que sonham, inventam maus hábitos porque não se ouvem a si próprias a afastar-se da canção correcta.

As aves que mais se afastam da canção durante a noite acabam por ser as melhores cantoras porque, acredita Deregnaucourt, têm os cérebros mais flexíveis, ou seja, são mais inclinadas para a prática (e para desenvolver distorções) durante o sono mas também são rápidas a recuperar (e ultrapassar) durante a prática diurna.

"Estas aves têm uma maior plasticidade no cérebro, têm uma maior capacidade de aprender de manhã porque são mais flexíveis." 

 

 

Saber mais:

Nature

O canto dos pardais ilustra funcionamento da memória

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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