2005-02-14

Subject: Batatas poderosas contra a hepatite B

News of the Wild

 

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Em destaque:

Batatas poderosas contra a hepatite B

 

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Batatas geneticamente modificadas podem oferecer a mesma protecção contra doenças que uma injecção de vacina, dizem os cientistas, o que pode ser uma boa notícia para os países em vias de desenvolvimento.

O vírus da hepatite B ataca o fígado e é responsável pela perda de mais de meio milhão de vidas todos os anos. As vacinas tradicionais precisam de refrigeração, o que pode ser difícil de garantir em zonas remotas de países em vias de desenvolvimento de climas quentes. 

É frequente o pessoal médico ter dificuldade em determinar se uma remessa de dispendiosas vacinas contra a hepatite B esteve exposta ao calor, o que a torna inútil, refere o biólogo Charles Arntzen da Arizona State University em Tempe, que contribuiu para este estudo.

Assim, Arntzen e os seus colegas construíram uma vacina comestível que pode ser armazenada sem necessidade de refrigeração, no interior de uma humilde batata. 

Retiraram um gene do vírus da hepatite B e incorporaram-no numa batateira, que respondeu produzindo um antigene contra o vírus. Uma vez ingerido, este antigene proteico desencadeia uma resposta imunitária no corpo humano que funciona como um reforço contra o vírus da hepatite B.

A equipa diz que, apesar de não ser provável que esta abordagem venha a substituir as vacinações iniciais, pode substituir as repetidas injecções de reforço que são necessárias para a manutenção da imunidade. "Tem o potencial para fazer uma grande diferença na saúde global", diz o imunologista Julian Ma da St George's Hospital Medical School em Londres.

Uma vacina comestível reduziria a necessidade de agulhas e tornaria simples a administração em múltiplas ocasiões, o que seria mais vantajoso do que um programa de vacinação completo, que envolve uma série de três injecções dadas ao longo de vários meses.

Os participantes no estudo já tinham recebido as primeiras injecções contra a hepatite B, no espaço de há um ou quinze anos. Arntzen e os seus colegas descobriram que 19 das 33 pessoas no seu estudo produziram mais anticorpos contra a hepatite B após comerem as batatas. A contagem de anticorpos protectores de um dos participantes aumentou 56 vezes, relata a equipa na reveista Proceedings of the National Academy of Sciences.

 

O facto da vacina ter funcionado em perto de 60% dos participantes foi uma boa notícia. Os investigadores explicam que mesmo a vacina comercial, que contém um ingrediente extra que atrai as células imunitárias para aumentar a resposta do corpo, não funciona em 10% dos casos.

A equipa de Arntzen já tinha incorporado duas outras vacinas em batatas: uma contra a chamada diarreia do viajante, causada pelas toxinas da bactéria Escherichia coli, e outra contra o vírus Norwalk, responsável por doenças intestinais. "Estamos muito felizes", diz Arntzen. "Estamos sempre a encontrar cínicos que dizem que isto não vai funcionar e até agora conseguimos resolver todos os problemas." 

Ao contrário da diarreia dos viajantes e do vírus Norwalk, o vírus da hepatite B não evoluiu para sobreviver no intestino, o que torna o sucesso desta vacina comestível ainda mais surpreendente. Para que a vacina contra a hepatite B funcione, deve sobreviver à digestão, antes de actuar sobre o sistema imunitário.

Mas batatas cruas não são um prato apetitoso e contêm doses relativamente inconsistentes da vacina. Por esta razão, Arntzen e a sua equipa estão a focar a sua atenção na obtenção de tomates geneticamente modificados, de forma a converte-los em comprimidos. "Estou convencido que não voltaremos a realizar testes clínicos em humanos com material não processado", diz ele. 

 

 

Saber mais:

Hepatite B

Genetically modified potatoes

Edible vaccines not ready for main course

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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