2005-02-10

Subject: Ciência pretende recolher "códigos de barras" de todas as formas de Vida

News of the Wild

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the  Wild

Este boletim é mantido pelo site Born to be Wild, em colaboração com o site educativo À Descoberta da Vida,              para que não esqueça o seu lado selvagem ...

 

Em destaque:

Ciência pretende recolher "códigos de barras" de todas as formas de Vida

 

  Questões ou comentários para: biologia@sapo.pt

Dê os sites Born to be Wild/À Descoberta da Vida a conhecer a um amigo!!

@ Tim Flach/GettyOs cientistas pretendem estabelecer um gigantesco catálogo da Vida, ou seja, efectivamente aplicar um código de barras a todas as espécies existentes na Terra, desde o mais minúsculo plâncton até à poderosa baleia azul.

Os projectos iniciais irão focar-se nas aves e nos peixes, registando detalhes do seu material genético que possam ser usados para os diferenciar.

A iniciativa foi lançada em Londres na International Conference for the Barcoding of Life, embora os investigadores acreditem que irá demorar muitos anos a completar.

"São conhecidas cerca de 1,7 milhões de espécies, mas suspeita-se que existam entre 10 e 30 milhões em toda a Terra", explicou Richard Lane, director científico do Museu de História Natural de Londres. "Descobrimos que é possível obter um pequeno segmento de DNA que permita caracterizar quase todas as formas de vida no planeta."

Com um custo de cerca de €1.80 por teste genético, pode-se analisar muitos espécimes de cada espécie, de forma a obter o seu código de barras genético. Estes dados serão, posteriormente, colocados numa gigantesca base de dados que o Consortium for the Barcode of Life (CBOL) espera possa ser usada para associar todo o conhecimento que a ciência vai adquirindo sobre um organismo em particular. 

esquema @ BBC, 2005

Como se obtém o código de barras genético?

A dupla hélice de DNA é mantida pelas ligações entre as suas bases (Adenina com Timina; Citosina com Guanina). Com estas "letras" escrevem-se genes, que codificam a produção de proteínas que compõem e mantêm o corpo do organismo. 

O código de barras genético regista a ordem em que estão as bases de um gene específico - citocromo c oxidase I -, que codifica uma enzima das mitocôndrias. Este gene altera-se rapidamente à medida que as espécies evoluem e são estas diferenças que podem ser usadas para as distinguir. 

Assim, da mesma forma que introduzimos actualmente o nome de uma espécie num motor de busca como o Google para descobrir imagens ou a descrição desse organismo, talvez no futuro surja um tipo de computador portátil ao estilo "Star Trek" que é capaz de ler esses mesmos códigos de barras e aceder a toda a informação disponível para a espécie, mesmo no campo. 

"É como um polícia que só precisa de registar a matrícula de um carro que viu a cometer uma infracção para saber o nome do dono e a idade do carro", diz Dan Janzen, da Universidade da Pennsylvania. "É isso que o código de barras é, a ligação a todo o corpo de informação que os taxonomistas, historiadores naturais e ecologistas têm vindo a acumular ao longo de mais de 200 anos."

O consórcio inclui uma enorme variedade de museus mundiais, jardins zoológicos, organizações de pesquisa e companhias relacionadas com a taxonomia e a biodiversidade.

Os códigos de barras de DNA devem tornar o reconhecimento das espécies na natureza muito mais fácil, especialmente onde os métodos tradicionais não são práticos. A identificação de uma espécie será, portanto, muito mais fiável, especialmente para os não peritos.

 

Saber quantas espécies existem na Terra já deve ajudar a responder a algumas questões fundamentais da ecologia e da evolução, permitindo melhores políticas de gestão e conservação do mundo natural.

Scott Miller, presidente do CBOL, acrescenta: "O código de barras de DNA vai fazer uma enorme diferença em relação ao nosso conhecimento e compreensão do mundo natural, complementando a prática taxonómica existente e expandindo o seu poder e utilização."

O segmento de DNA a ser usado no projecto é parte do gene conhecido por citocromo c oxidase I ou COI. Este gene está envolvido no metabolismo energético de todas as formas de vida mas a sua sequência de bases é ligeiramente diferente em cada uma. No Homem, por exemplo, o código de barras COI difere de pessoa para pessoa em apenas uma ou duas bases das 648 totais, mas em relação aos chimpanzés já difere em cerca de 60 locais e aos gorilas em perto de 70.

O anúncio na conferência de Londres lançou o projecto de obter o código de barras genético de todos os peixes conhecidos (cerca de 15000 espécies marinhas e 8000 de água doce), bem como de todas as 10000 espécies de aves de todo o mundo. Um terceiro projecto irá trabalhar sobre 8000 tipos de plantas da Costa Rica.

Já tem sido dito que nem toda a comunidade científica partilha deste entusiasmo ilimitado acerca do projecto. Alguns investigadores estão preocupados com as capacidades taxonómicas que têm sido usadas tradicionalmente, pois cada vez menos estudantes irão procurar a disciplina, principalmente nas universidades ocidentais. Também existem dúvidas sobre a real capacidade da abordagem COI para distinguir de forma fiável as diversas espécies.

Esta perspectiva é partilhada pelo perito em borboletas James Mallet, do University College London. Apesar de apoiar o projecto, Mallet pensa que pode vir a ter problemas com várias definições, como quando uma nova espécie ou híbrido surge numa dada população.

"Preferia que não se tivesse utilizado o termo código de barras, porque pressupõe que as coisas são idênticas, como um produto numa loja", diz ele. "É claro que isto não é verdade para o DNA mitocondrial e num contexto evolutivo onde espécies se transformam gradualmente noutras espécies pode tornar-se bem mais complicado. Espécies aparentadas de perto vão dar origem a mais dificuldades, pelo que quanto mais dados se recolherem, DNA incluído, melhor." 

 

 

Saber mais:

Código de barras genético identifica espécies

Consortium for the Barcode of Life (CBOL)

The Barcode of Life (Rockefeller)

Census of Marine Life (CoML)

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com