2005-02-09

Subject: Tuberculose pode ter exterminado lepra

News of the Wild

 

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Tuberculose pode ter exterminado lepra

 

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Vestígios humanos datando do século um D.C. sugerem que a tuberculose pode ser a responsável pelo desaparecimento da lepra na Europa.

Os cientistas do University College London têm estado a examinar um corpo recentemente descoberto numa câmara selada em Israel. Os ossos revelam que o homem estava infectado com tuberculose e lepra.

Dado que a tuberculose é muito mais agressiva e mata mais rapidamente que a lepra, os cientistas consideram que esta doença teria ganho a batalha das maleitas da época.

Na Idade Média, a lepra era muito comum e foi por esta altura que a tuberculose se começou a espalhar por toda a Europa e a dominar completamente. Actualmente, a lepra é uma doença muito rara, quando comparada com a tuberculose.

Existe uma teoria que considera que ter uma das doenças protege a pessoa da outra, conhecida por imunidade cruzada. Alguns dizem que esta teoria explica o aumento da tuberculose e o decréscimo da lepra, pois mais pessoas contraiam tuberculose, estando assim protegidas contra a lepra.

No entanto, Helen Donoghue e Mark Spigelman do Centre for Infectious Diseases and International Health consideram que as suas descobertas contrariam esta noção.

"O facto de uma pessoa apresentar ambas as doenças activas, tuberculose e lepra, parece contradizer a teoria da imunidade cruzada", explica Donoghue. "Acreditamos que se uma pessoa tivesse simultaneamente lepra e tuberculose, não tinha tempo de morrer de lepra, morrendo de tuberculose. Eventualmente, este será o motivo porque a lepra entrou em declínio na Europa ocidental", diz ela.

Os primeiros restos humanos examinados pelos investigadores, que levaram a que 32 outros corpos datados entre o século um e o século quinze e com origem em toda a Europa, foram descobertos pelo arqueólogo israelita Shimon Gibson.

O corpo pertenceu a um homem que viveu na época de Cristo, numa caverna nos arredores de Jerusalém. 

"O corpo estava num nicho escavado na rocha, que foi ricamente decorado e coberto por uma pedra, pelo que permaneceu intacto durante cerca de 2000 anos", diz Spigelman.

Para ele, este corpo tinha algo de especial, que o distinguia dos outros 30 encontrados na mesma caverna. "A prática funerária normal era embrulhar o corpo numa mortalha e voltar após um tempo adequado para enterrar novamente os ossos num ossário, que era um vaso de gesso. Mas o nosso homem não tinha sido enterrado novamente."

Para ele, esta situação é estranha pois o homem deveria pertencer a uma família rica e importante para ser enterrado no que corresponderia actualmente ao mosteiro dos Jerónimos. 

"É preciso algo muito importante para impedir a realização de rituais religiosos, o que me fez pensar que talvez a família tenha tido receio de voltar para recuperar os ossos. E foi aí que me lembrei da lepra, o senhor Mortalha tinha tanto lepra como tuberculose."

A lepra era uma doença muito temida e as pessoas que a contraiam eram frequentemente postas de lado e marginalizadas. Estes factores sociais, combinados com o efeito da doença no corpo, podem ter enfraquecido o seu sistema imunitário.

Isto, por sua vez, tornaria a pessoa muito mais susceptível à tuberculose ou uma reactivação de uma infecção antiga de tuberculose que estivesse dormente no corpo, diz ele.

Dianna Lockwood, uma especialista em lepra da London School of Hygiene and Tropical Medicine, considera as descobertas muito interessantes e que, sem dúvida, alguém com ambas as doenças teria muito maior probabilidade de morrer de tuberculose do que lepra. 

No entanto, ela alerta para o facto de esta nova teoria não explicar como locais como a Índia e a Etiópia ainda hoje terem incidências relativamente altas de ambas as doenças, lepra e tuberculose. 

 

Outras Notícias:

Jovens com telemóvel conduzem como velhos

 

Jovens  condutores que usam telemóveis ao volante têm um desempenho igual aos dos idosos, com reacções mais lentas e um risco aumentado de acidentes, revela um estudo agora publicado. Para além disso, os kits "mãos livres" não aumentam a segurança, dizem os cientistas.

"Um condutor com 20 anos com um telemóvel tem um tempo de reacção igual ao de um condutor com 70 anos sem telemóvel", diz David Strayer, psicólogo da Universidade do Utah e principal autor do estudo. 

Os indivíduos estudados conduziram num simulador de auto-estrada, usando telemóveis com kit "mãos livres" durante metade do tempo. "Observámos 18 a 20% de redução do tempo de reacção, o que significa que quando se está a falar ao telemóvel se demora mais tempo a carregar no travão, logo é mais provável que tenham um acidente e que este seja mais grave."

Esta deterioração do tempo de reacção pode ter repercussões graves, como mostram estes testes em simuladores, onde o risco de choques por trás duplica para utilizadores de telemóveis.

Os condutores mais velhos também sofriam declínios semelhantes quando utilizavam telemóveis, mas, com alguma surpresa, a taxa de perda de tempo de reacção não era superior à dos jovens.

Os utilizadores de telemóvel de todas as idades também revelaram que demoravam cerca de 17% mais para retomar o ritmo do tráfego à sua volta após a travagem. Este tipo de acção aumenta a probabilidade e a gravidade das colisões por trás e pode ajudar a causar acidentes em cadeia, especialmente quando muitos condutores apresentam este tipo de comportamento.

Strayer e a sua equipa apenas testaram a utilização de telemóveis com kits "mãos livres" pois muitos estados têm legislação que obriga à sua utilização durante a condução. Mas muitos investigadores consideram que esta regra não é suficiente e pode mesmo ser completamente inútil. 

"Os estudos mostram que a utilização do telemóvel, com o sem kit, tem o mesmo impacto negativo", diz Rae Tyson, porta-voz da U.S. National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA). Na realidade, estudos da Universidade do Iowa sugerem que em alguns casos o kit pode ser ainda mais perigoso pois tarefas como carregar teclas se tornam mais complicadas e demoram mais tempo.

A equipa do Utah chegou a conclusões semelhantes. "A distinção feita pela lei entre a utilização ou não de kits "mãos livres" não sobrevive sob o olhar da ciência", diz Strayer. "Outros estudos, realizados na Austrália e na Suécia, chegaram às mesmas conclusões."

O efeito de distracção dos telemóveis é devido largamente à conversação, que desvia a atenção do condutor da estrada, num fenómeno conhecido por cegueira por desatenção. "Os motoristas fazem muitas tarefas em que as mãos estão fora do volante durante curtos períodos, como comer uma sandes ou sintonizar o rádio quando o trânsito é calmo", diz Strayer. "As pessoas não têm problemas a avaliar estes momentos calmos, se a tarefa é de curta duração."

Mas o contexto de uma conversa ao telemóvel parece ser uma grande distracção para a maioria dos condutores. "Usámos um dispositivo para seguir o movimento dos olhos, de forma a sabermos para onde estavam a olhar enquanto falavam ao telefone e as medidas mostram que, pura e simplesmente, não estavam a ver o que estava à sua frente, fosse apenas um sinal de trânsito ou uma pessoa na berma da estrada."

Ainda mais estranho é o facto de outros estudos revelarem que não há o mesmo grau de distracção quando o condutor está a falar com um passageiro ou a ouvir rádio. A NHTSA acredita que as distracções do condutor são responsáveis por 25 a 30% dos acidentes. 

 

 

Saber mais:

Lepra

London School of Hygiene and Tropical Medicine

University of Utah Applied Cognition Laboratory

National Highway Traffic Safety Administration

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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