2005-02-07

Subject: Raposas amigas são mais espertas

News of the Wild

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the  Wild

Este boletim é mantido pelo site Born to be Wild, em colaboração com o site educativo À Descoberta da Vida,             para que não esqueça o seu lado selvagem ...

 

Em destaque:

Raposas amigas são mais espertas

 

  Questões ou comentários para: biologia@sapo.pt

Dê os sites Born to be Wild/À Descoberta da Vida a conhecer a um amigo!!

Durante mais de meio século, uma população de raposas na Sibéria tem sido criada de forma a não temer os humanos e a não ser agressiva. Agora, essas raposas parecem estar a mostrar que as suas capacidades sociais são o resultado de se tornarem mais amigáveis.

Os cães, domesticados a partir dos seus parentes lobos selvagens ao longo de milénios, não só têm menor probabilidade de morder ou de fugir mas também ganharam a capacidade de comunicar com os seus companheiros humanos. Por exemplo, se um humano aponta ou olha para um objecto, o cão também olha para ele.

Brian Hare, antropólogo da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, já tinha mostrado que os cães (mais do que qualquer animal, especialmente os não domesticados, mesmo os chimpanzés) têm uma maior capacidade de comunicação deste tipo com os humanos. 

Mas seria esta sofisticação social algo que tinha sido seleccionado artificialmente durante a sua domesticação ou apenas um seu subproduto?

Uma oportunidade para descobrir este enigma foi fornecida pelas raposas siberianas, que estavam a ser criadas para serem amigáveis mas tinham um contacto muito limitado com humanos. 

O projecto foi iniciado em 1959 por Dmitry K. Belyaev do Instituto de Citologia e Genética de Novosibirsk para examinar a genética da domesticação. Cada raposa é testada quando atinge os sete meses de idade para se verificar se se aproximam dos humanos (e se mordem). As raposas mais "amigas" são mantidas e reproduzidas, enquanto uma outra população controlo tem reprodução ao acaso.

Hare estudou raposas que passaram "provavelmente um total de 20 minutos" com humanos, pelo que não poderiam ter aprendido a interagir com eles. 

Introduziram-nas numa sala com dois esconderijos para comida e um ser humano que apontava e olhava intensamente para o local que escondia a comida. As raposas "mansas" percebiam a dica e descobriam a comida, enquanto as raposas "selvagens" permaneciam totalmente confusas, sem saber o que fazer.

"Ficamos realmente surpresos, todos pensámos que as raposas iriam falhar este teste", admite Hare. Parece, portanto, que a inteligência social não precisa de ser seleccionada especificamente, surge juntamente com a atitude amigável.

Hare acredita que os seus resultados têm implicações para o longo debate sobre a origem da inteligência social humana. Talvez os humanos tenham considerado favorável ser menos agressivo e temeroso e ser mais tolerante e cooperante, e que estas alterações trouxeram um aumento das capacidades cognitivas.

 

"A selecção para a inteligência pode não ter sido o primeiro passo", sugere Hare. "Primeiro temos que alterar a nossa visão do mundo social, para que exista uma plataforma sobre as quais as novas capacidades evoluam."

Outros investigadores alertam a necessidade de cuidado na interpretação destes resultados. 

Bruce Blumberg, que estuda cognição animal no Massachusetts Institute of Technology em Cambridge, e Ray Coppinger, biólogo de cães no Hampshire College em Amherst, Massachusetts, dizem que não se pode realmente dizer que este tipo de teste mostre uma nova capacidade nas raposas. Talvez as raposas "mansas" sejam apenas mais interessadas em comida, sugerem.

"Os resultados de Hare e seus colegas são intrigantes", diz Blumberg. "Mas muito, muito mais trabalho tem que ser feito antes de podermos fazer alegações definitivas, ou generalizar para além dos resultados que obtiveram."

As raposas domesticadas de propósito não são apenas pouco agressivas, são verdadeiramente encantadoras, acrescenta Hare. "Comportam-se como cães", diz ele. "Ganem e ladram, abanam a cauda, urinam-se quando estão muito excitadas e querem enroscar-se em nós o tempo todo."

Mas não esperem que as raposas surjam nas lojas de animais nos próximos tempos. As raposas produzem um odor almiscarado muito pungente e adoram escavam e esconder a comida, diz Hare. "Iam enterrar a vossa comida no sofá e só a encontravam três meses mais tarde."

 

 

Saber mais:

Cão velho aprende novos truques

Como terão os cães aprendido a interagir com o Homem?

Stone Age man kept a dog

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com