2005-02-02

Subject: Inverno com perdas devastadoras para as baleias francas do Atlântico norte

News of the Wild

 

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Em destaque:

Inverno com perdas devastadoras para as baleias francas do Atlântico norte

 

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Quatro baleias francas do Atlântico norte, das menos de 350 que restam na natureza, foram encontradas mortas ao longo da costa leste dos Estados Unidos desde Novembro.

Os investigadores estão especialmente perturbados pela morte de uma das baleias, baptizada Bolo, que foi encontrada morta ao largo da ilha Nantucket a 10 de Janeiro. Com 13,7 metros de comprimento, esta fêmea tinha dado à luz pelo menos seis crias, um recorde para uma baleia franca.

"A perda de uma fêmea em idade reprodutora, especialmente uma tão bem sucedida como Bolo, é um golpe para esta população que está na corda bamba em relação à sua sobrevivência", diz Moira Brown, uma perita em baleias francas no New England Aquarium de Boston, Massachusetts.

As baleias francas foram caçadas durante séculos, tendo recebido o seu nome dos baleeiros que as consideravam fáceis de aproximar por serem nadadoras lentas. As suas grandes dimensões, o facto de flutuarem depois de mortas (ao contrário de outras espécies de baleias) e hábitos costeiros também as tornavam uma captura preferida. 

A baleia franca do Atlântico norte, parente próxima das baleias francas do Pacífico norte e do Atlântico sul, fui praticamente caçada até à extinção em meados do século dezoito, tendo a sua caça sido proibida em 1935.

No entanto, não estão livres de perigo por parte do Homem, pois ainda hoje correm o risco de serem abalroadas por um navio ou de ficar emaranhadas em artes de pesca. 

As baleias passam o Verão na baía de Fundy, ao largo da Nova Escócia, após o que as fêmeas migram para sul para dar à luz ao largo da Georgia no Inverno. Os investigadores ainda não sabem onde passam o Inverno a maioria dos restantes tipos de baleias francas.

Em Novembro um navio da marinha americana abalroou e matou uma fêmea grávida ao largo da costa da Virginia e em Dezembro foi encontrada outra baleia morta 138 Km a leste de Nantucket. A 12 de Janeiro, apenas dois dias após a morte de Bolo, outra fêmea (baptizada Lucky) foi encontrada morta ao largo da costa da Georgia. Lucky (sortuda), que tinha recebido esse nome devido às cicatrizes que apresentava, provocadas por outra colisão com um navio, também estava grávida da sua primeira cria.

"Dizer que os últimos 12 meses foram devastadores para as baleias francas é o mínimo que se pode concluir", diz Regina Asmutis-Silvia, bióloga da International Wildlife Coalition de East Falmouth, Massachusetts. 

As baleias francas são tão raras que os cientistas que as estudam as conhecem pelo nome. Cada baleia tem um padrão característico no topo e lados da cabeça, formado por calosidades, usado para as distinguir.

 

Os cientistas fotografam as baleias francas a partir de barcos e pequenos aviões, analisam o seu DNA recolhendo amostras para biópsias, muito úteis para a determinação da paternidade das crias. Toda esta informação é usada para formar o perfil genético de cada baleia franca, bem como a árvore genealógica da população.

A forma como Bolo morreu permanece desconhecida, mas é possível que tenha sido atingida por um navio. As colisões com barcos e os emaranhados de redes de pesca perdidas são responsáveis por 50% das mortes conhecidas de baleias francas.

"O habitat em que vivem é muito movimentado a nível de actividade humana, é essa a razão porque as chamamos baleias urbanas", diz Brown. "As baleias urbanas são expostas a toda a actividade marítima que decorre ao largo da costa leste dos Estados Unidos, bem como expostas a todo tipo de contaminantes que o Homem lança para a água."

Ainda assim, existem algumas boas notícias.

Calvin, uma fêmea que tinha ficado órfã com apenas 8 meses de idade em 1992, quando a sua mãe foi atingida por um navio na baía de Fundy, deu recentemente à luz a sua primeira cria. Brown, que baptizou Calvin em 1992 antes de se aperceber que a baleia era uma fêmea, diz que o nome pegou "porque ela era uma pequena baleia muito precoce". 

Baleia franca presa em redes de pescaBrown espera agora que os esforços de protecção das baleias francas do Atlântico norte sejam bem mais agressivos. "Fomos bem sucedidos em deslocar as principais rotas de comércio marítimo para longe dos principais locais de concentração de baleias francas em Fundy, onde a mãe de Calvin foi morta. Mas ainda há muito a fazer acerca dos interesses do comércio marítimo e o seu impacto sobre as baleias francas nos Estados Unidos."

"Se algo de bom pode vir de todas estas mortes de baleias francas, deve ser a implementação acelerada de medidas de conservação em todo o seu habitat, de forma a reduzir o impacto das actividades humanas nesta população criticamente ameaçada", diz ela. 

 

 

Saber mais:

Baleias Francas do Atlântico Norte- o empurrão final para a extinção?

NOAA Right Whale Aerial Surveys

New England Aquarium

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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