2005-02-01

Subject: Macacos pagam para ver fotografias pornográficas?

News of the Wild

 

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Macacos pagam para ver fotografias pornográficas?

 

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Para um macaco, algumas coisas merecem muito mais uma boa olhadela. Um estudo americano mostrou que os macacos Rhesus pagam para ver imagens de companheiros poderosos ou interessantes sexualmente.

A descoberta, feita por neurobiólogos da Universidade de Duke em Durham, Carolina do Norte, apoia a teoria de que os macacos fazem sacrifícios para obter informação útil do ponto de vista social, da mesma forma que uma pessoa gastaria dinheiro para comprar um jornal.

Os macacos macho "pagam" em sumo de fruta o privilégio de olhar para uma fotografia de um outro macho socialmente dominante ou para uma fotografia do traseiro de uma fêmea. Na natureza, os animais mantêm-se a par do que se passa analisando o que os líderes fazem e que fêmeas estão sexualmente receptivas.

Os investigadores deram aos macacos Rhesus em cativeiro duas opções: uma bebida de sumo de cereja ou uma pequena quantidade de sumo de cereja e a oportunidade de olhar para uma de várias fotografias dos membros do seu bando durante cerca de meio segundo.

Variando as quantidades de sumo, a equipa conseguiu perceber até que ponto os macacos davam valor a cada fotografia. "Os macacos são essencialmente peritos em sumo, são muito sensíveis a pequenas diferenças", diz o membro da equipa de investigadores Robert Deaner.

Os macacos aceitam uma redução na quantidade de sumo que recebem para olhar para a face de machos poderosos ou para o perineu de uma fêmea, relata Deaner e a sua equipe na revista Current Biology. No entanto, para convencer os macacos a olharem para uma fotografia de um macho subordinado, os investigadores tinham que os subornar com uma bebida maior.

A recolha de informação tem custos e benefícios, explica Deaner. "Se ficarmos especados a olhar fixamente para alguém muito tempo, esse alguém pode-nos atacar", diz ele. Esta situação também é verdadeira para o Homem: pense como é desconfortável quando um desconhecido fica a olhar fixamente para nós durante algum tempo.

 

Não é surpresa, portanto, que a troca sumo-por-foto atinja uma taxa máxima com as imagens dos traseiros das fêmeas. "Virtualmente todos os macacos abdicam de parte do seu sumo para ver traseiros de fêmeas", refere Deaner acerca dos seus objectos de estudo masculinos. "Eles dão um enorme valor a esse tipo de imagem."

Não se trata, na realidade, de pornografia para macacos, diz Deaner. Tem mais a ver com a avaliação da receptividade sexual, que na natureza também envolve o comportamento e o cheiro das fêmeas. Os macacos não sabem necessariamente que estão a olhar para uma imagem, acrescenta ele, pelo que o seu comportamento é consistente com o que fariam numa situação cara a cara.

Aprender como os animais dão peso às interacções sociais pode ajudar a compreender o autismo humano, sugere o colega de Deaner, Michael Platt. Os autistas não têm motivação para olhar para outras pessoas e são pouco capazes de recolher informação emocional quando o fazem.

O estudo com macacos pode também ajudar a explicar o fascínio humano pelas revistas de mexericos, sugere Deaner. A ânsia de se manter a par do que se passa com pessoas poderosas e sexy pode vir desde os nossos tempos tribais, quando as acções dessas personalidades teriam influência directa nas nossas vidas. 

"Hollywood não afecta as nossas vidas de modo nenhum mas as pessoas ainda sentem que retiram algum capital cultural de saberem o que lá se passa", diz ele. 

 

 

Saber mais:

Current Biology

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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