2005-01-20

Subject: Tsunami devastador para os ecossistemas marinhos

News of the Wild

 

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Tsunami devastador para os ecossistemas marinhos

 

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A extensão da tragédia humana resultante do sudeste asiático é incalculável, apesar da devastação costeira ser agora claramente visível. 

Mas e a fauna marinha? Quando o tsunami chegou, terra e mar deixaram de ter fronteiras definidas: pessoas e árvores desenraizadas foram arrastados para o mar, enquanto raias e tubarões ficaram encalhados em campos e parques de estacionamento.

O impacto total é difícil de avaliar. Cientistas e conservacionistas consideram que o futuro das cidades costeiras estará fortemente interligado com o desses frágeis ecossistemas marinhos. Se os recifes de coral e os mangais não forem cuidados e protegidos, referem, muitos modos de vida tradicionais terão grandes dificuldades.

As baixas mais óbvias das ondas gigantes foram as que foram deixadas para trás pelo recuo das águas. Na Tailândia, por exemplo, golfinhos foram arrastados 500 metros para o interior, muitas tartarugas marinhas mortas ou feridas foram deixadas em seco e um tubarão com um metro de comprimento acabou na piscina de um hotel. As praias ficaram pejadas de cadáveres humanos e de peixes mortos.

Apesar de haver grande preocupação em relação a algumas espécies marinhas (dugongues e crocodilos de água salgada das ilhas Andaman, por exemplo), os cientistas estão muito mais alarmados com os habitats em que estes animais vivem.

Apesar de continuar a considerar uma prioridade imediata a ajuda humanitária, o programa ambiental das Nações Unidas (UNEP) já iniciou a avaliação dos danos ambientais causados pelo tsunami.

Os relatórios preliminares indicam que muitos recifes de coral sofreram danos extensos, refere Stefan Hain, chefe da unidade de estudo dos recifes da UNEP, baseada em Cambridge, Reino Unido. A principal preocupação é a quantidade de lama e detritos que foi arrastado para o mar quando as ondas retrocederam. "Temos imagens de satélite de regiões como as ilhas Andaman e Nicobar que mostram uma enorme quantidade de sedimento e detritos, levados da terra para o mar", diz Hain.

Os peritos estão a tentar perceber se estas lamas podem sufocar os corais afectados. Os corais vivem em simbiose com algas, que necessitam de águas cristalinas. "As algas dependem da luz do sol e, através delas, também os corais", diz Hain. "Se os privarmos de luz, é muito difícil que sobrevivam. Os corais têm mecanismos de limpeza, resta ver se conseguem lidar com esta quantidade de detritos."

Dado que os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais produtivos do mundo, Hain considera vital que se tome em consideração o seu papel socio-económico na reconstrução das comunidades humanas: "Há milhões de pessoas que dependem directamente deles para a obtenção de comida, sem eles não têm modo de subsistência."

E tem que se salientar que sem os recifes, a destruição teria sido bem maior. "Onde os ecossistemas nativos de corais e mangais estavam intactos, como nas Maldivas, eles absorveram grande parte do impacto inicial das ondas, salvando milhares de vidas."

O World Wildlife Fund recebeu informações semelhantes de Andhra Pradesh, no sudeste indiano, onde os mangais salvaram as vidas de quem neles se refugiou. "Os recifes de coral actuam como quebra-mares naturais, o que se aplica tanto a tsunamis como a cheias e ciclones", diz Simon Cripps, director do Programa Mares Ameaçados do WWF.

 

Sarang Kulkarni, um biólogo marinho do Reef Watch Marine Conservation, está actualmente nas ilhas Andaman e Nicobar. Ele relata que as últimas gerações de tartarugas de couro, verdes, oliváceas e de ridley foram arrastadas para o mar. "As praias de reprodução de tartarugas das ilhas Andaman Sul, Pequena Andaman e do grupo Nicobar desapareceram quase por completo, pois todas estas ilhas se afundaram entre um e três metros, em resultado da actividade tectónica." A época de reprodução das tartarugas decorre entre Novembro e Janeiro.

Kulkarni refere ainda que os primeiros relatórios apontam para que os recifes de Andaman não tenham sido muito afectados mas os das Nicobar, pelo contrário, estão seriamente danificados, pois receberam a força máxima do tsunami. 

Kulkarni também está preocupado com os dugongues da zona, pois estes mamíferos marinhos não estão equipados para lidar com correntes fortes. "Os dugongues não são bons nadadores. O mesmo se passa com os crocodilos de água salgada, pois os riachos onde vivem também sofreram severos danos."

Dada a devastação ocorrida, Kulkarni considera que ainda falta muito para se perceber exactamente que grau de danos ambientais existem. Os recifes e os mangais protegem as ilhas durante os sete meses das monções. "O mar está turbulento o tempo todo, estes ecossistemas são cruciais como barreira natural, minimizando o impacto das ondas em terra."

Os mangais são ecossistemas de floresta tropical intertidal, composta de árvores e outras plantas tolerantes ao sal. suportam uma enorme variedade de organismos marinhos, sendo considerados zonas de reprodução e criação de juvenis cruciais para muitas espécies de peixes e crustáceos.

Os investigadores da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) de Washington, D.C. consideram que os mangais, estuários e áreas de postura de ovos de tartarugas devem ter sido inundados pelo tsunami. O impacto sobre os organismos que habitam ambientes de águas rasas e interiores, principalmente aqueles que vivem nos sedimentos, pode-se propagar ao longo de toda a cadeia alimentar durante décadas.

No entanto, os tsunamis têm pouco impacto sobre organismos marinhos de águas profundas. Para os corais, o tsunami foi apenas a última de muitas ameaças à sua sobrevivência. "Este não foi o primeiro tsunami e não será o último", conclui Hains. "O que temos que garantir é que as pressões adicionais sobre os corais da zona sejam reduzidas, para que possam recuperar e funcionar em pleno."

 

 

Saber mais:

WWF

UNEP World Conservation Monitoring Centre

Nações Unidas analisam impacto ecológico do tsunami asiático

Terramoto devastador altera o mapa do Índico

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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