2005-01-19

Subject: Culturas transgénicas podem beneficiar o ambiente?

News of the Wild

 

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Em destaque:

Culturas transgénicas podem beneficiar o ambiente?

 

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Algumas culturas geneticamente modificadas podem ser geridas de forma benéfica para a vida selvagem, acredita uma equipa de investigadores ingleses. O seu trabalho, publicado pela Royal Society, considera que existem "provas conclusivas" dos benefícios para o ambiente das culturas de beterraba geneticamente modificada.

Segundo esta equipa, todos os envolvidos no debate acerca dos organismos transgénicos deviam repensar as suas convicções, mas os activistas anti-transgénicos acham que este trabalho não altera nada, continuando a opor-se à implementação deste tipo de cultura no Reino Unido.

A equipa trabalha na Broom's Barn Research Station, parte da Rothamsted Research, especialistas no estudo das culturas de beterraba para a produção de açúcar. O estudo foi financiado em 2001 e 2002 por um consórcio de entidades com interesse na industria dos transgénicos, a Association of Biotechnology Companies (ABC).

Os investigadores, no entanto, referem que aceitaram os fundos na condição de puderem publicar o seu trabalho sem restrições ou referências à ABC. Para ajudar a fauna selvagem, dizem os investigadores, melhoraram a época de aplicação de herbicidas, de forma a maximizar as culturas e os benefícios de manter a erva entre as plantas cultivadas.

Para maximizar os benefícios ambientais no Outono (sementes de erva para as aves se alimentarem e para o rejuvenescimento do fundo genético dessas plantas), desenvolveram um sistema que aumenta a quantidade de sementes disponíveis até 16 vezes e ainda produz o máximo das culturas.

A equipa refere: "O novo sistema é extremamente simples: comparado com o antigo sistema de gestão de transgénicos, envolve a primeira aplicação do herbicida bastante cedo e omitir a segunda aplicação."

Consideram que o seu novo sistema de gestão "pode acabar com preocupações legítimas acerca do impacto ambiental indirecto da cultura de beterraba transgénica sobre as ervas naturais, insectos e aves."

John Pidgeon, director do Broom's Barn, comenta: "Somos cientistas, guiamo-nos pelas evidências. Pensamos que tudo depende da forma como se gere as culturas, não se são geneticamente modificadas ou não." Se o objectivo é uma gestão equilibrada e benéfica para o ambiente, os resultados serão diferentes."

"Talvez todos os lados do debate sobre transgénicos precisem de pensar melhor sobre isto. Apesar de o governo ter excluído a possibilidade da cultura de beterraba transgénica, esta investigação pode, sem dúvida, ter uma aplicação comercial se alguém decidir iniciar o cultivo."

Mas a campanha Five Year Freeze considera que este estudo só mostra que diferentes abordagens de gestão apenas deixam a vida selvagem das quintas sem alimento em alguma altura do ano.

Segundo a campanha, o Broom's Barn usou dois tipos de técnica na beterraba para aumentar a cobertura de erva ou a produção de sementes, pulverização em banda antecipada ou pulverização atrasada. Mas apenas uma dessas técnicas pode ser usada, dizem eles.

O director da campanha, Pete Riley, refere: "As escolhas possíveis que a cultura de beterraba transgénica oferece às aves das quintas são: comida insuficiente durante todo o ano, comida na Primavera ou comida no Outono. Duvidamos que esta tentativa desesperada de salvar a cultura transgénica de beterraba para açúcar tenha grande credibilidade perante os que fazem as leis ou perante os agricultores." 

 

Outras Notícias:

Botos ameaçados por golfinhos assassinos

Os botos Phocoena phocoena estão a ser mortos por um crescente número de roazes corvineiros Tursiops truncatus nas costas britânicas, possivelmente devido à competição por alimento. As evidências desta situação surgiram da contagem do número de botos que dão à costa e do exame post-mortem dos animais. 

A escassez de peixe pode estar a voltar os roazes corvineiros contra os seus parentes cetáceos, consideram alguns cientistas do Natural History Museum de Londres.

Agindo sozinhos ou juntamente com outros, os roazes corvineiros abalroam os botos com os seus "bicos de garrafa", causando-lhes ferimentos múltiplos que incluem hemorragias internas, fracturas de costelas, perfurações dos pulmões e colunas deslocadas. Saliente-se que os botos são, em média, dois terços mais pequenos que os golfinhos roazes.

Os relatórios anuais mostram um aumento regular no número de botos encalhados, com 40 em 1995 e mais de 120 em 2004. A maioria dos encalhes relatados no estudo ocorreram na costa galesa.

O exame post-mortem revelou que desses 120, perto de três quartos tinham sido mortos por golfinhos roazes. Este número representa um aumento para o triplo do número de ataques em quatro anos, segundo o Grupo de Coordenação de Encalhe de Cetáceos do Natural History Museum.

Rod Penrose, porta-voz do grupo, comenta: "O declínio dos botos devido às capturas secundárias devidas à industria pesqueira galesa foi agora substituído por um declínio devido a esta interacção violenta entre as duas espécies. Pessoalmente, acho que esta situação se deve à competição por alimento."

A análise do conteúdo do estômago dos botos sugere que todos se tinham alimentado recentemente e tinham comido espécies invulgares de peixe, talvez uma indicação de que estão a ter dificuldade em encontrar as suas presas habituais.

Penrose referiu que é necessária mais investigação para avaliar o grau de declínio de peixe nas águas costeiras. Acrescenta que os ataques estão a destruir os esforços conservacionistas para salvar o boto da extinção devido ao excesso de mortes devidas a capturas secundárias nas redes de pesca.

Uma teoria sugere que a violência pode ser o resultado de agressividade reprimida quando o acesso às fêmeas é limitado. No entanto, também é comum observar as fêmeas de roazes a participar nos ataques aos botos.

Outra proposta considera que este comportamento violento pode ser parte da aprendizagem de capacidades de caça, apesar das vítimas nunca serem devoradas.

 

 

Saber mais:

Broom's Barn Research Station

Friends of the Earth

Natural History Museum

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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