2005-01-16

Subject: Nova esperança para o salmão do Atlântico

News of the Wild

 

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Nova esperança para o salmão do Atlântico

 

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No ano passado, verdadeiras marés prateadas de salmão invadiram muitos dos rios da Europa e da América do Norte. Escócia, Islândia, Canadá e outros países relataram grandes ganhos no número de salmões que regressaram aos seus rios de origem.

A força desta migração dá nova esperança aos esforços de conservação, que parecem estar a finalmente a mostrar resultados, dizem os activistas que têm vindo a tentar inverter o longo declínio dos stocks de salmão do Atlântico.

O salmão do Atlântico Salmo salar é famoso pelo seu espantoso ciclo de vida: os peixes migram centenas, mesmo milhares, de quilómetros desde os seus locais de alimentação no oceano até às águas fluviais onde nasceram, correndo contra rápidos e cascatas quase inultrapassáveis.

Conhecido pelos pescadores desportivos como o "rei dos peixes", a reputação do salmão na pesca desportiva não tem igual. 

Ao longo dos últimos 25 anos, no entanto, o número de salmões que regressa tem decaído para uma fracção mínima do que é historicamente conhecido em muitas áreas, embora exactamente para quanto não seja claro. Possíveis causas desta situação incluem a pesca comercial, redução de alimento disponível nos oceanos, habitats fluviais degradados e problemas associados à aquacultura de salmão.

Mas agora os conservacionistas consideram este recente aumento da migração na Europa e América do Norte como um sinal de que as medidas para reduzir a captura comercial estão a ajudar a mudar a maré a favor do salmão.

As capturas oficiais escocesas para 2004 deve ultrapassar os 80000 peixes pela primeira vez em 10 anos, de acordo com a Association of Salmon Fishery Boards (ASFB), de Edimburgo. Nos últimos 50 anos, a média tem rondado os 67000 peixes. Muitos outros rios escoceses bateram todos os recordes de que há memória, refere a ASFB.

Conhecidos rios, como o Miramichi e o Restigouche no Canadá e o rio Grey na Newfoundland relataram algumas das maiores capturas dos últimos 20 anos, diz Orri Vigfússon, presidente do North Atlantic Salmon Fund, com base em Reykjavík, na Islândia. Este país também teve a sua estação mais produtiva desde 1978, a somar ao aumento consecutivo do número total de salmão capturado nos últimos 4 anos.

O North Atlantic Salmon Fund (NASF) é uma coligação internacional de organização não-governamentais com o objectivo de restaurar os stocks de salmão selvagem. Com fundos privados, a NASF tem focado os seus esforços na redução do número de peixes capturados pelas frotas comerciais no oceano.

"Demasiados salmões são vítimas de redes de pesca comerciais em oceano aberto, antes de atingirem a segurança relativa dos seus rios natais", diz Vigfússon. "Esta situação mantém o efectivo reprodutor artificialmente baixo, uma situação desesperadamente má quando os stocks já são baixos por si."

A NASF tem vindo a trabalhar para estabelecer acordos ambientais com as frotas comerciais do Atlântico norte. Em troca de compensações financeiras consideráveis e oportunidades de emprego alternativas, os pescadores concordaram em cessar totalmente ou reduzir dramaticamente as operações ao largo da Groenlândia e das Ilhas Faroé, os principais locais de alimentação oceânicos do salmão. Os pescadores comerciais que interceptam os salmões durante a migração também estão a ser "comprados" desta forma.

Vigfússon refere que mais de $150 milhões já foram reunidos para financiar estes acordos, que têm sido apoiados pelo governo canadiano, entre outros. A NASF estima que entre 4 e 5 milhões de salmões foram salvos desta forma.

 

O acordo de conservação estabelecido com a Groenlândia em 2002 já beneficiou os stocks norte americanos, considera a Atlantic Salmon Federation. Esta associação conservacionista de St. Andrews, New Brunswick, promove a conservação do salmão ao longo da plataforma continental leste.

"Há dois anos que a frota gronelandesa não opera e o declínio a pique que se verificava nos stocks de salmão parou", diz o presidente da federação Bill Taylor. "Os salmões de grande tamanho estão a regressar em muito maior número do que se tinha previsto."

Contadores electrónicos dos peixes instalados para controlar a migração nos rios apoiam as evidências de que cada vez mais peixes regressam ao seu local de nascimento. O trabalho que tem sido feita a nível da recuperação dos rios também tem ajudado a estabelecer novamente as populações.

Os pescadores estão a dar a sua contribuição, libertando cerca de 50% do peixe que capturam. A captura e libertação feita pelos pescadores à linha já era vulgar na América do Norte e na Islândia mas é relativamente nova no Reino Unido. 

Vigfússon refere que o North Atlantic Salmon Fund está agora na terceira e final etapa do seu plano de acção: a salvaguarda do salmão quando migra de volta ao rio onde nasceu para procriar. "Não há grande vantagem em proteger o salmão no local de alimentação oceânico se eles forem interceptados por redes de pesca ao largo das costas da Escócia, Irlanda e Noruega."

O NASF está actualmente a negociar a compra de redes flutuantes colocadas ao largo de Trondheim, na Noruega. Vigfússon espera que o esquema de milhões de dólares se torne um modelo para acordos semelhantes em toda a Noruega. 

O problema das redes flutuantes ao largo da costa oeste da Irlanda é urgente. Números do International Council for the Exploration of the Sea (ICES), uma organização de investigação composta por 1600 cientistas marinhos de 19 países do Atlântico Norte, sugerem que as redes irlandesas capturaram mais de meio milhão de peixes nos últimos 3 anos.

Vigfússon explica que esses salmão não se dirigiam apenas para os rios irlandeses mas também para outros rios europeus, onde os stocks estão perigosamente baixos. "Programas de recuperação em França, Espanha, Alemanha, sudoeste da Inglaterra e Gales não podem realmente começar até que sejam removidas as redes irlandesas", acrescenta ele.

 

 

Saber mais:

Atlantic Salmon Federation

Association of Salmon Fishery Boards

International Council for the Exploration of the Sea (ICES)

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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