2005-01-10

Subject: Espadarte aquece os olhos "para te ver melhor"

News of the Wild

 

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Em destaque:

Espadarte aquece os olhos "para te ver melhor"

 

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Os zoólogos responderam finalmente a uma intrigante questão: porque mantêm os espadartes os olhos quentes enquanto o resto do corpo permanece resolutamente de "sangue frio"? É para verem melhor as presas!

Olhos aquecidos funcionam mais de 10 vezes mais depressa do que os olhos mantidos ao frio das profundezas do oceano, que ronda os 3ºC, relata Kerstin Fritsches da Universidade de Queensland em Brisbane, Austrália. Esta "resolução temporal" aumentada ajuda os espadartes a capturar as presas nas profundezas escuras.

Os investigadores já sabiam que os espadartes Xiphias gladius podiam aquecer selectivamente os olhos e o cérebro. O peixe tem um órgão especializado para essa função localizado no músculo próximo dos seus grandes olhos (do tamanho de bolas de ténis), capaz de aumentar a temperatura dos tecidos envolventes entre 10 e 15ºC acima da temperatura da água em que nada.

Mas o aquecimento requer uma enorme quantidade de energia, e até agora os peritos estavam confusos sobre o motivo porque os peixes se davam a esse trabalho. O calor perde-se cerca de 3000 vezes mais rapidamente na água que no ar, e que das 25000 espécies de peixes, apenas 22 (incluindo o espadarte, o atum e alguns tubarões) apresentam qualquer tipo de mecanismo de aquecimento.

Avaliar o benefício dos olhos aquecidos dos espadartes tem sido difícil pois os peixes vivem em mar aberto, diz Fritsches. Ela e a sua equipa tiveram que viajar para o meio do oceano Pacífico, a cerca de 1000 Km do Hawai, para capturar espadartes e atuns. 

Retiraram retinas dos peixes e, numa vasta gama de temperaturas, testaram a velocidade a que as membranas podem distinguir movimento, medindo a "frequência de fusão de uma luz tremeluzente". Este é o ponto em que uma luz tremeluzente se torna demasiado rápida para a retina gerar impulsos nervosos separados para cada flash individual. 

As retinas dos espadartes funcionaram muito melhor com temperaturas mais elevadas, relatam os investigadores na revista Current Biology. As retinas de atuns de sangue quente também funcionavam melhor com a temperatura mas o aumento é de metade do que acontece com o espadarte, talvez reflectindo o facto de que o aquecimento de todo o corpo ter evoluído para tirar partido de vantagens como a locomoção, não apenas para a visão.

 

O aquecimento permite ao espadarte captar luz valiosa de forma mais rápida, ajudando-o a capturar presas velozes como as lulas. "É como uma máquina fotográfica", explica Fritsches. "Movimento veloz resultaria numa imagem borrada. Assim, o peixe desenvolveu uma forma de captar a luz mais rapidamente, obtendo uma velocidade de obturação maior."

A teoria é apoiada pelo facto de o espadarte viver a latitudes temperadas em que as temperaturas decaem rapidamente com a profundidade. O aquecimento dos olhos permitem-lhes mergulhar profundamente em busca de presas, diz Fritsches. "Realmente ajudou-os muito a expandir o território de caça e a torná-los os predadores de topo que são."

Mais medidas são necessárias, no entanto, para provar que os olhos aquecidos são realmente uma adaptação a uma visão mais rápida, comenta Ian Johnston, biólogo da Universidade de St Andrews. Ele salienta que os investigadores se ficaram por medidas muito inferiores aos 28ºC a que os peixes aquecem os olhos na natureza.

Ele também sugere que os espadartes devem ser comparados com peixes completamente de sangue frio de tamanho equivalente e com algumas espécies de sardas, que aquecem os olhos por mecanismos diferentes. 

 

 

Saber mais:

Current Biology

Eye of the fish

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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