2005-01-09

Subject: Ambientalistas contra barragem no Brasil

News of the Wild

 

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Em destaque:

Ambientalistas contra barragem no Brasil

 

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Grupos ambientalistas esperam tirar partido do sistema legal brasileiro para impedir a destruição do que resta da altamente ameaçada floresta atlântica pela activação de uma barragem hidroeléctrica.

Tendo custado $300 milhões, a barragem de Barra Grande já está construída mas até ao momento os tribunais têm bloqueado a desflorestação de mais de 40 Km2 de floresta de araucária, que tem que ser feita antes do fecho das comportas.

A controvérsia está centrada numa pequena cidade do estado de Santa Catarina, cujo nome deriva da rapariga local que casou com o famoso revolucionário italiano que visitou a zona em 1830 para apoiar a rebelião contra o recém-formado império brasileiro. 

Essa rebelião fracassou mas nesta batalha moderna, um poderoso consórcio liderado pelo gigante dos alumínios Alcoa tem sido mantido em respeito pelas manobras de organizações conservacionistas e activistas que representam as famílias cujas terras vão ser inundadas.

A barragem de 180 metros de altura atravessa a abrupta garganta do rio Pelotas, na fronteira entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e o seu reservatório iria estender-se perto de 100 Km para o interior do vale.

Quando se realizou o estudo de impacto ambiental, há seis anos, a área foi descrita como consistindo essencialmente em terras degradadas e baldios. Apenas após a emissão da licença e de a barragem estar praticamente concluída foi possível perceber o valor ambiental real da garganta ameaçada.

Um estudo posterior encontrou mais de 20 Km2 de floresta virgem, incluindo áreas de araucária, um pinheiro nativo com ramos em forma de candelabro, praticamente dizimado pela industria de construção e pelas plantações de soja. Os peritos dizem que menos de 1% das florestas de araucária brasileiras ainda sobrevivem.

O consórcio Baesa não se considera responsável pelo erro inicial, que deu uma ideia falsa da composição natural da área. Argumenta que, agora que a barragem está construída, não há outra opção razoável, a não ser colocá-la a funcionar. 

O presidente da Baesa, Carlos Miranda, refere: "Se tivéssemos sabido da presença destas espécies de árvore numa etapa inicial do licenciamento, provavelmente não teríamos iniciado a construção. Mas não se pode destruir uma barragem assim. Qual é o pior mal? Deixar lá a barragem como um monumento ou cortar as araucárias?"

A Baesa está gastar grandes quantias de dinheiro a plantar árvores de espécies nativas e a transferir parte da vida selvagem que irá ser afectada pelo reservatório proposto, mas os grupos ambientalistas alegam que um ecossistema insubstituível está a ser sacrificado em nome desse erro e os tribunais, até agora, têm concordado.

 

O juiz federal Osni Cardoso Filho concedeu uma ordem para impedir os construtores de remover a maioria das árvores, uma primeiro passo essencial para a inundação da área. "O principal argumento usado pelos que defendem a continuação do projecto é que a barragem já está construída, e que nada se pode fazer quanto a isso. Eu discordo, a partir do momento em que se toma em consideração os interesses ambientais, temos que proteger tudo o que ainda pode ser salvo."

De volta ao vale do Pelotas, a campanha ambientalista para bloquear o projecto da barragem está misturada o altamente politizado conflito social que envolve centenas de famílias cujas casas ou terras devem ser inundadas pelo reservatório.

Organizados pelo Movimento pelas Pessoas Afectadas pela Barragem, perto de 400 pessoas têm estado acampadas nas estradas de acesso ao projecto, numa tentativa de impedir o progresso da desflorestação. Muitos alegam que não têm sido considerados para realojamento ou indemnizações pois não foram incluídos no registo inicial do consórcio.

Dora Alicia, uma avó de 63 anos que participa no acampamento diz: "Queremos acabar os nossos dias nas nossas terras. Agora chega esta companhia e vira tudo do avesso." Na cidade de Anita Garibaldi, no entanto, muitos consideram a barragem um benefício, trazendo melhores estradas e uma economia florescente. Quanto tempo vai durar essa economia já é outra questão, pois a barragem precisa de muito poucas pessoas para funcionar. 

Por agora, a estrutura permanece como um símbolo da batalha que decorre no Brasil, entre os que acreditam que as necessidades crescentes em energia ultrapassam tudo e os que argumentam que o que resta da sua herança natural é demasiado precioso para sacrificar. 

 

 

Saber mais:

Ataques de piranhas devidos a barragens

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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