2005-01-05

Subject: Terão os animais sentido a aproximação do tsunami?

News of the Wild

 

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Terão os animais sentido a aproximação do tsunami?

 

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Antes das ondas gigantes destruírem as costas do Sri Lanka e da Índia, há 10 dias, animais selvagens e domésticos pareceram saber o que estava prestes a acontecer e fugiram para locais seguros.

De acordo com testemunhas no local, foram notadas as seguintes situações: elefantes gritavam e fugiram para terrenos mais elevados, cães que se recusaram a sair para o exterior, flamingos que se que abandonaram as suas áreas de procriação junto à costa, animais de jardins zoológicos que correram a esconder-se e não saíram mesmo quando a isso instigados.

A crença de que os animais selvagens e domésticos têm um sexto sentido e sabem antecipadamente da ocorrência de um terramoto, já tem séculos.

Os peritos em fauna selvagem acreditam que a audição, e outros sentidos, mais apurados dos animais podem permitir-lhes ouvir ou sentir a vibração da Terra, alertando-os para a aproximação de um desastre muito antes do Homem saber o que se passa.

O gigantesco tsunami desencadeado por um sismo com magnitude de 9 na escala de Richter ao largo da costa norte da ilha de Sumatra a 26 de Dezembro, atravessou todo o oceano Índico, matando mais de 150000 pessoas numa dúzia de países. No entanto, relativamente poucos animais foram mortos, relançando a especulação de que os animais sentiram, de alguma forma, a tragédia eminente.

Ravi Corea, presidente da Sri Lanka Wildlife Conservation Society estava no país quando as ondas o atingiram. Após o tsunami, visitou a praia de Patanangala, parte do Parque Nacional de Yala, onde mais de 60 visitantes foram arrastados pelas ondas.

A praia foi uma das zonas mais fortemente atingidas da reserva da fauna selvagem com 1300 Km2, lar das mais variadas espécies animais, incluindo elefantes, leopardos e 130 espécies de aves. Corea não viu carcassas de animais, nem o pessoal do parque teve conhecimento de nenhumas, para além de dois búfalos de água que morreram, diz ele.  

Ao longo da costa de Cuddalore na Índia, onde milhares de pessoas pereceram, búfalos, cabras e cães foram encontrados ilesos. Flamingos que procriam nesta época do ano no santuário de vida selvagem de Point Calimere na Índia, fugiram para zonas mais elevadas, relataram as agências noticiosas locais.

Os relatos de comportamentos estranhos dos animais também começaram a surgir. Cerca de uma hora antes do tsunami atingir a costa, diz Corea, os visitantes do Parque Nacional de Yala observaram três elefantes a fugir da praia de Patanangala.

O World Wildlife Fund, como parte dos seus esforços conservacionistas de espécies ameaçadas e seus habitats, tem coleiras-rádio ligadas a satélite em alguns elefantes do parque. Um porta-voz da organização referiu que pretendem verificar os movimentos dos elefantes do dia fatídico para verificar se estes realmente se deslocaram para terreno mais elevado mas ainda não se sabe quando os dados serão descarregados do satélite e analisados. 

Corea, emigrante nos Estados Unidos há 20 anos, refere que os seus amigos notaram comportamentos invulgares nos animais, antes do tsunami. 

Um amigo, residente da cidade de Dickwella, recorda morcegos a voar freneticamente para longe, imediatamente antes da chegada das ondas. Outro amigo, que vive na costa perto de Galle, refere que os seus dois cães se recusaram a sair para o seu passeio diário na praia. "Normalmente estão todos excitados com a perspectiva", diz Corea. Mas nesse dia não foi assim, o que provavelmente salvou a vida ao seu dono.

Alan Rabinowitz, director para a ciência e exploração da Wildlife Conservation Society de Nova York, diz que os animais se apercebem do perigo eminente detectando alterações subtis ou abruptas no ambiente.

 

"Os sismos provocam vibrações na terra e na água, enquanto as tempestades causam alterações electromagnéticas na atmosfera", diz ele. "Alguns animais têm sentidos de audição e olfacto extremamente aguçados, o que lhes permite determinar que algo se desloca em sua direcção muito antes de o Homem sequer saber que algo se passa."

Em tempos, também o Homem teve este sexto sentido, diz Rabinowitz, mas perderam esta capacidade quando deixou de ser necessária ou usada.

Joyce Poole é a directora do Savanna Elephant Vocalization Project, e tem trabalhado com elefantes africanos no Quénia há já 25 anos. Para ela, os relatos de elefantes a fugir para zonas elevadas não são nenhuma surpresa. Investigação na comunicação acústica e sísmica indica que os elefantes são capazes de detectar facilmente as vibrações geradas pelo sismo e pelo tsunami, diz ela.

Poole teve essa experiência em primeira mão. "Já estive com elefantes durante dois tremores, e em ambas as ocasiões os elefantes começaram a correr alarmados vários segundos antes de eu própria sentir o sismo", diz ela.

Um dos países mais dados a sismos do mundo é o Japão, onde a devastação tem já roubado incontáveis vidas e causados danos enormes à propriedade. Desde há muito que os investigadores têm vindo a estudar as reacções dos animais, na esperança de descobrir o que eles ouvem ou sentem antes dos sismos. Eles esperam que os animais possam funcionar como uma ferramenta de predição. 

Alguns sismologistas americanos, por outro lado, estão cépticos. Têm sido documentados casos de comportamentos estranhos nos animais, antes de sismos, mas o United States Geological Survey considera que a relação entre esses comportamentos e a ocorrência de sismos nunca foi estabelecida. 

"Apenas temos uma série de anedotas ou historietas", diz Andy Michael, geofísico do USGS. "Os animais reagem a tantos factores, a fome, a defesa do território, acasalamento, predadores, que é muito difícil ter um estudo controlado sobre a existência de um sinal de alarme."

Nos anos 70 do século passado alguns estudos sobre previsão animal foram realizados pelo USGS, "mas não se obteve nada de concreto", diz Michael. Desde essa altura a agência não voltou a realizar investigações sobre o tema. 

 

 

Saber mais:

Can Animals Sense Earthquakes?

United States Geological Survey

 

Como ajudar:

Cruz Vermelha Portuguesa

UNICEF

AMI

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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