2005-01-02

Subject: Destino dos aborígenes de Andaman incerto

News of the Wild

 

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Destino dos aborígenes de Andaman incerto

 

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O destino de alguns dos mais primitivos povos do mundo é incerto após o tsunami que atingiu os arquipélagos indianos de Andaman e Nicobar. Estas ilhas estão, na realidade, mais próximas da Indonésia do que da Índia, a que pertencem.

Após uma visita rápida às ilhas após o desastre de 26 de Dezembro, o ministro indiano da defesa Pranab Mukherjee referiu que os aborígenes de Andaman estavam a salvo. "A maioria deles vive em zonas relativamente altas ou em áreas que não foram atingidas pelo tsunami. Devem ter sobrevivido apenas por instinto", disse ele.

No entanto, a maior parte dos ambientalistas, peritos e funcionários governamentais não concordam com esta avaliação. Um funcionário do Anthropological Survey of India referiu: "É motivo de enorme preocupação que tenhamos ouvido tão pouco destas tribos até ao momento. Trata-se de populações ameaçadas, seria um desastre antropológico se tivessem sofrido elevadas perdas de vidas, pois eles são a nossa ligação ao início da civilização."

Madhusree Mukherjee, autora do livro "The Land of Naked People" e antiga editora da revista científica Scientific American, considera: "Como pode o ministro dizer tal coisa apenas porque um piloto isolado de um avião das Força Aérea Indiana avistou alguns indígenas pedindo ajuda numa praia? Grande número de tribos de Nicobar foram dizimadas e eles sofreram perdas devastadoras."

Os aborígenes de Nicobar são uma tribo mongolóide com cerca de 30000 pessoas, em cerca de 90% cristãos. 

Segundo ela, o povo aborígene Shompen, que evita o contacto com o exterior, deve ter sido atingido fortemente pois o seu habitat na ilha Grande Nicobar estava directamente no caminho do tsunami. 

"Soube que algumas pessoas da tribo Onges, cerca de 40, foram evacuadas da Pequena Andaman, mas não há notícias dos restantes", diz Mukherjee.

A Grande Nicobar foi fortemente atingida pelo desastre. Uma das ilhas do arquipélago, Trinket, dividiu-se em duas sob o impacto do sismo e das ondas. A grande maioria das restantes ilhas está debaixo de água.

Mukherjee refere que outras tribos, os Jarawas, os Sentinel e os da Grande Andaman, vivem em terreno mais elevado e podem ter se salvado. Os Shompen (200 a 250 membros), os Jarawas (cerca de 100), os Onges (105), Grande Andamaneses (40a 45) e os Sentinel (cerca de 250) são todos tribos Negrito, parte dos povos mais antigos do sudeste asiático.

"É pura especulação dizer que estão a salvo", diz Pankaj Seksaria, ambientalista que desde há muito se opõe à migração sem restrições para as ilhas, a partir do continente indiano. "O governo não tem uma rede de contactos para verificar o que se passa neste momento. Estão demasiado ocupados com a ajuda aos mais necessitados."

 

Ele considera que os aborígenes já sofreram muito com o turismo de massas, a expansão desregrada de estruturas do Ministério da Defesa indiano e a migração contínua a partir da Índia.

Samir Acharya, director da Society for Andaman and Nicobar Ecology, diz que o tsunami atingiu os arquipélagos precisamente na altura do ano em que os aborígenes se deslocavam para as praias para caçar tartarugas. 

"Têm esse hábito, pois as tartarugas vêm para as praias para pôr os ovos e são caçadas pela sua carne", diz ele. "Se foram apanhados na praia ou em águas baixas, terão sido tão fortemente atingidos como nós", diz Acharya.

Seksaria considera que, mesmo que tenham sobrevivido, os aborígenes não estão fora de perigo. "Se surge uma epidemia, serão dizimados pois o seu sistema imunitário não está habituado ao contacto com o exterior."

Centenas de Grande Andamaneses morreram em surtos de penumonia em 1868, papeira em 1877 e gripe em 1896. 

Colonos do continente indiano, na sua maioria Bengalis e Tamils, compõem a maioria dos cerca de 400000 pessoas que viviam nos dois arquipélagos, compostos por 306 ilhas e ilhotas, bem como 206 formações rochosas. 

 

 

Saber mais:

US Geological Survey

 

Como ajudar:

Cruz Vermelha Portuguesa

UNICEF

AMI

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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