2005-01-01

Subject: Projecto leopardo das neves enfrenta encerramento

News of the Wild

 

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Em destaque:

Projecto leopardo das neves enfrenta encerramento

 

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O minúsculo grupo sobrevivente de leopardos da neve da Ásia central pode estar prestes a perder a ajuda que os tem mantido vivos. O projecto gerido em comum pelo Uzbequistão, Cazaquistão e Quirguizistão e financiado pelo Global Environment Facility, está previsto terminar em meados de 2006.

O projecto tem sido bem sucedido no objectivo de obter ajuda dos aldeãos locais na protecção dos animais, mas precisa de apoio político. Se o projecto não for renovado, teme-se que os leopardos da neve não sejam capazes de sobreviver muito mais aos caçadores furtivos.

Estima-se que restem entre 4500 a 7500 leopardos da neve na natureza, vivendo num longo arco que se estende da Mongólia ao Paquistão.

O professor Oleg Mitropolsky, zoólogo que trabalha a partir da capital do Uzbequistão, é um perito reconhecido mundialmente em leopardos da neve. 

"Neste momento existem dois pequenos grupos na zona ocidental das montanhas Tien Shan (cujo nome significa "montanhas celestiais"), um que se desloca entre território do Uzbequistão e do Cazaquistão, com cerca de 30 a 40 animais, e outro, com 10 a 15 animais, no Quirguizistão. As nossas tarefas mais importantes são conservar os animais que ainda sobrevivem, bem como permitir a ligação entre dos dois grupos através de um corredor ecológico, de forma a que possam migrar e acasalar."

"Temos um acordo com as comunidades locais dos três países, em como se esforçarão por proteger os recursos naturais. Os nossos contactos locais são bons. ocorreram três casos em que os leopardos foram abatidos pelas suas peles e nós falámos com os chefes das aldeias."

O projecto apoia as aldeias, não pagando-lhes directamente mas melhorando o seu fornecimento de água potável e combustíveis, de forma a reduzir a desflorestação e a encorajar as pessoas a permanecer no local. Uma iniciativa mais recente foi a ajuda na aquisição de colmeias, como forma de aumentar os rendimentos dos locais. Tudo isto ajuda a manter os caçadores furtivos afastados.

O professor Mitropolsky e a sua equipa chegaram mesmo a ter algum sucesso junto dos próprios caçadores furtivos, persuadindo alguns a relatar anonimamente as suas capturas, mas ele sente que não está a ter o apoio de que necessita por parte dos políticos.

 

"Há quatro ou cinco anos", diz ele, "os presidentes dos nossos três países realizaram uma cimeira à moda tradicional dos nómadas, numa tenda conhecida por "yurt". Essa tenda estava decorada com as peles de 200 leopardos da neve."

"É facto que não tinham sido abatidos recentemente, mas deu um exemplo aos caçadores locais, e eles rapidamente seguiram a dica. O maior inimigo do leopardo da neve é actualmente o burocrata com um carimbo, que emite licenças de caça, não para os leopardos mas para as marmotas que são a sua presa de Verão mais importante."

O professor não tem ilusões quanto ao futuro destes felinos: "Vivem em áreas tão remotas que se não formos capazes de agir atempadamente, os caçadores furtivos vão, certamente, matá-los todos."

"Há muitos militares nas zonas fronteiriças, e poucos são os oficiais que não sonham com uma pele de leopardo da neve pendurada sobre a cama."

Num país com um registo tão preocupante em relação aos direitos humanos como o Uzbequistão, estas declarações provocantes podem ser perigosas de fazer, mas o que realmente preocupa o professor Mitropolsky é o facto de o financiamento da Global Environment Facility para este projecto estar destinado a terminar em Junho de 2006.

Quando lhe perguntam quanto tempo sobreviverá o leopardo da neve se a GEF recusar o seu pedido de uma extensão do prazo, o professor ri-se tristemente: "Não muito."

 

 

Saber mais:

International Snow Leopard Trust

ARKive - Snow leopard

Global Environment Facility

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2005


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