2004-12-26

Subject: Crise da gripe das aves pode ser contida?

News of the Wild

 

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Crise da gripe das aves pode ser contida?

 

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Os peritos mundiais de saúde acreditam que estamos à beira de outra pandemia de gripe, pois é altamente provável que o vírus da gripe das aves se misture em breve com vírus de porco ou humanos e adquira a capacidade de se propagar de pessoa para pessoa.

"Estamos muito perto mas quando vai acontecer não podemos dizer", diz Francois Xavier-Meslin, coordenador do controlo, prevenção e irradicação de doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS), no decorrer do encontro sobre a gripe das aves organizado pela Organização dos Países do Sudeste Asiático.

O mundo está a preparar-se para o que parece ser inevitável, o surgimento de uma nova estirpe, altamente infecciosa, de gripe, que se espalhará pelas comunidades como fogo na palha pois não teremos qualquer tipo de defesa imunitária contra ela.

Mas serão os modernos centros de comunicação e de projecções para fecho de escolas e outros locais públicos o suficiente se os governos não estão a investir na ciência e na investigação sobre as drogas que lhes darão apoio? Os peritos mundiais na gripe acham que não.

Num artigo publicado na revista Nature, investigadores de Harvard alertam para a falta de financiamento de medicação efectiva significará que medidas de quarentena  e de controlo de movimentos draconianas serão as nossas únicas esperanças para a contenção do surto.

Também John Oxford, perito em gripe no reino Unido, mostrou recentemente que uma droga antiviral em particular, o oseltamivir (comercialmente conhecido por Tamiflu), é eficaz no bloqueio de todas as estirpes conhecidas de gripe, incluindo a que os cientistas temem que cause a pandemia, a estirpe H5N1.

Os antivirais podem ser eficazes, pois bloqueiam a proteína neuraminidase, que forma um dos "picos" externos da cápsula dos vírus da gripe, ajudando-os a libertar-se das células e a disseminar novas partículas virais através do corpo. No entanto, não são mágicos, não fornecem imunidade, como as vacinas.

Mas apesar disso, até que novas vacinas sejam desenvolvidas e produzidas industrialmente, refere o artigo de Oxford, eles serão a nossa primeira e única linha de defesa. Mas até agora, apenas alguns países, como a Austrália e o Japão, os armazenaram.

As vacinas são realmente o melhor em protecção contra a gripe mas as estirpes gripais mutam rapidamente, pelo que a ciência tem que batalhar para se manter actualizada. 

O que realmente importa são as duas proteínas, a neuraminidase (N) e a hemoglutinina (H), que fazem parte da cápsula externa do vírus. Elas ajudam-no a infectar as células, a reproduzir e a espalhar-se. Estamos habituados ao contacto com estirpes como a H1N1 e a H3N2, pelo que desenvolvemos alguma capacidade imunitária contra elas e fabricamos vacinas.

O que transforma a gripe de incómodo anual em assassino à escala global é a mutação de uma (ou de ambas) as proteínas, pois deixamos de ter reacção imunitária e vacinas contra ela.

Até agora, a estirpe da gripe das aves que circula pelo sudeste asiático não é capaz de passar de pessoa para pessoa, todas as vítimas contraíram a doença a partir das galinhas, tornando-se um beco sem saída para o vírus.

Estamos nesta espera, aguardando que a virulência da gripe das galinhas se junte à capacidade de transmissão da gripe humana. Depois disso, ainda serão necessários meses para desenvolver e produzir uma vacina viável em quantidade suficiente e quem sabe quantos já terão morrido por essa altura.

 

Alguns investigadores não estão dispostos a esperar. Durante este ano, o National Institute for Biological Standards and Control (NIBSC) no reino Unido e o St Jude's Children's Hospital em Memphis, tentaram ultrapassar a natureza. Obtiveram combinações da estirpe vietnamita H5N1 e de um vírus inofensivo de gripe humana, através de engenharia genética. Estas combinações seriam, perante o sistema imunitário humano, como o vírus da gripe das aves transmissível pessoa a pessoa.

Foram retiradas as secções patogénicas de forma a que o vírus fosse seguro de manusear e amostras foram entregues à OMS na Primavera. Agora compete às companhias responsáveis pelo fabrico de vacinas e aos governos a obtenção de medidas farmacêuticas que protejam o público quando as estirpes selvagens surgirem. 

Mas este tipo de investigação custa milhões de dólares e até agora só o governo americano meteu a mão no bolso. No verão, foram atribuídos à farmacêutica Aventis Pasteur $13 milhões para que forneça dois milhões de doses contra a estirpe "St Jude".

E na Europa? No centro de investigação da Aventis Pasteur perto de Lyon, todos estão calmamente a trabalhar na estirpe NIBSC, mas a uma escala muito inferior, produzindo apenas alguns milhares de doses para serem usadas em testes clínicos. 

Este trabalho é puramente especulativo, nenhum governo europeu fez qualquer encomenda, pelo que se a pandemia surgisse amanhã estaríamos completamente indefesos.

Mas a Aventis considera-o um "ensaio geral", para compreender as dificuldades envolvidas, e, quando chegar a altura, estarmos prontos a funcionar, diz Marie-Jose Quentin-Millet, chefe de investigação no centro de Lyon.

Mesmo que o melhor palpite dos geneticistas seja correcto, produzir o primeiro conjunto de vacinas irá levar vários meses. Klaus Stohr, chefe do programa de luta contra a gripe da OMS, prevê que o vírus pandémico se espalhe por toda a Europa em apenas algumas semanas, logo quando se produzir a primeira dose da vacinas já milhões estarão infectados ou mesmo mortos.

"Temos agora uma janela de oportunidade", alerta John Oxford, "e os governos têm que investir em drogas agora. Este é um aviso de saúde pública, vacinas e antivirais são o nosso seguro de saúde." 

 

 

Saber mais:

Organização Mundial de Saúde

Gripe das aves pode ter passado de pessoa para pessoa

Pandemia eminente com mutações na gripe das aves

Vírus da pneumonia atípica é uma mistura

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


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