2004-12-25

Subject: Cachalotes sofrem "mal dos mergulhadores"

News of the Wild

 

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Cachalotes sofrem "mal dos mergulhadores"

 

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Os cachalotes sofrem do mal dos mergulhadores, sugere um estudo dos seus esqueletos. Os ambientalistas temem que esta situação as possa colocar em perigo, se os seus padrões de mergulho forem perturbados por testes de sonar.

Os zoólogos tinham anteriormente assumido que estes mamíferos não sofriam desta doença, que pode incapacitar mergulhadores de profundidade humanos, mas Michael Moore e Greg Early da Woods Hole Oceanographic Institution no Massachusetts, descobriram danos progressivos nos ossos de carcassas de baleia recuperadas dos oceanos Atlântico e Pacífico.

As marcas de desgaste parecem ser a marca registada da osteonecrose, uma doença crónica que pode ser causada, nos mergulhadores de profundidade de longa data, pela formação de bolhas de azoto no corpo quando ascendem demasiado rápido à superfície.

Os ossos erodidos e cheios de cavidades das baleias mostram que elas também sofrem de osteonecrose ao longo da sua vida. Moore e Early estudaram 16 esqueletos de cachalote mortos ao longo de um período de 111 anos e relatam na revista Science que descobriram cavidades com até 2 cm de diâmetro numa grande variedade deles. Os esqueletos maiores, de baleias mais velhas portanto, são os que mostram os piores danos.

A causa mais provável para esta situação é a repetida alteração de pressão a que estão sujeitos quando mergulham para capturar as presas e regressam à superfície para respirar, diz Moore. "A única situação capaz de causar este tipo de dano aos ossos é o mal dos mergulhadores", diz ele.

Isto significa que as baleias evitam os efeitos do mal dos mergulhadores não através de algum tipo de mecanismo fisiológico intrínseco mas sim gerindo cuidadosamente os seus padrões de mergulho, tal como fazem os mergulhadores humanos. Se se emergir demasiado depressa os danos podem ser ainda mais severos.

Perturbações nos padrões de mergulho parece ter sido a causa do encalhe um grupo de baleias de bico nas ilhas Canárias em 2002, após uma série de testes de sonar militar na área. A teoria prevalecente é que os cetáceos emergiram demasiado depressa, após se terem assustado ou desorientado com a cacofonia de ruído subaquático.

 

"O ruído é um exemplo de algo que pode perturbar o comportamento das baleias", comenta Paul Jepson do Institute of Zoology de Londres, que avançou esta teoria num artigo publicado na revista Nature no ano passado. "Ninguém duvida que existe uma ligação causal, apenas não conhecemos o seu mecanismo de funcionamento."

Algumas das carcassas estudadas por Moore e Early datam de antes do surgimento dos sonares militares, dando a entender que os danos que apresentam seriam naturais. Mas se as baleias sofrem normalmente do mal dos mergulhadores, o potencial para serem perturbadas pelos exercícios militares pode ser ainda maior do que os ambientalistas já temiam. 

Os cachalotes estão entre os mamíferos campeões de mergulho em profundidade, pelo que é necessário perceber se outras espécies de baleia e golfinhos sofrem problemas similares, diz Moore. "Não é uma hipótese pouco razoável", diz ele. "Será muito útil examinar esqueletos de outros mamíferos marinhos."

Entretanto, os militares ainda têm que lidar com o encalhe de grupos de baleias aparentemente causados por sonares, diz Jepson. Em Abril de 2004, peritos militares e cientistas participaram num workshop em Baltimore, para discutir a questão das baleias de bico. 

Soluções não são fáceis de encontrar, mas podem incluir manter a distância das rotas de migração conhecidas ou de habitats preferidos. "Os militares aceitam o problema e estão dispostos a tentar algumas alternativas", diz Jepson.

 

 

Saber mais:

Science

Provas de que sons humanos prejudicam baleias

Sonar pode ser responsável pela morte de cetáceos

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


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