2004-12-10

Subject: Macacos capuchinhos utilizam ferramentas

News of the Wild

 

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Macacos capuchinhos utilizam ferramentas

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Os macacos capuchinhos das florestas secas do nordeste do Brasil têm uma abordagem original à questão da comida: foram observados a usar ferramentas para desenterrar tubérculos, um feito até agora apenas realizado por humanos.

"Eles estão a usar o cérebro, não apenas a força bruta", alega Phyllis Lee da Universidade de Cambridge, que relata esta descoberta, juntamente com o seu colega António Moura na edição desta semana da revista Science.

Apesar de muitos primatas, principalmente chimpanzés e orangutangos, serem considerados capazes de interpretar e decidir que acções tomar por si próprios, escavar em busca de comida nunca tinha sido antes observado, seja na natureza ou em cativeiro.

É sabido que várias espécies utilizam "ferramentas", como as aves de rapina que deixam cair as suas presas de carapaça rija sobre rochas, para as abrir. Mas este último caso da utilização de ferramentas difere de muitos destes exemplos pois pode ser baseado num entendimento da relação causa/efeito.

Moura viajou até às florestas de caatinga no estado brasileiro de Piauí, onde observou os capuchinhos Cebus apella libidinosus a usar pedras para bater no solo e depois afastar os detritos para alcançar os saborosos tubérculos e raízes. Ele chegou mesmo a recolher imagens em vídeo do comportamento.

Os macacos não se limitaram a usar as pedras para cavar. Elas também eram úteis para abrir sementes, partir ramos ou cactos, dividir os tubérculos em pedaços mais pequenos e fáceis de engolir ou mesmo pulverizar lagartos desatentos. Os capuchinhos também usaram ramos para recolher insectos de fendas e buracos.

Grande parte destes comportamentos são semelhantes aos de chimpanzés e orangutangos, que escavam o solo com as mãos, diz Lee. Apesar de os capuchinhos serem conhecidos por serem manipuladores engenhosos de ramos e pequenos paus em cativeiro, geralmente não conseguem fazer tudo o que lhes seria útil.

É por este motivo que o serem capazes de cavar é uma surpresa tão agradável, diz Lee. "Escavar em busca de comida com ferramentas era considerado um comportamento muito humano", diz ela. "Sugere que eles entender a relação causa/efeito."

 

O facto de o comportamento de escavar não ter sido observado na espécie antes pode ser o resultado das difíceis condições enfrentadas pelos capuchinhos nas florestas de caatinga, quando comparadas com o modo de vida de outros capuchinhos. "Há alturas do ano em que não há lá nada para comer, a não ser um insecto ou outro", diz Lee.

Esta escassez de comida fácil de obter pode ter forçado este grupo de macacos em particular a ser mais inventivo, suspeita ela. "Para eles, a vida é tão difícil que têm mesmo que o ser. Para outros capuchinhos a vida pode ser mais laissez-faire."

No entanto, esta não é a única explicação, diz Carel van Schaik, que estuda a utilização de ferramentas por primatas na Universidade de Zurique, na Suíça. Os macacos de outros locais podem não utilizar pedras simplesmente porque nunca se aventuram no solo, seja por medo de predadores ou porque a floresta é demasiado densa.

Também não é claro para ele que os capuchinhos brasileiros saibam exactamente o que estão a fazer. Os capuchinhos abrem muitas vezes frutos de grande dimensão batendo com eles nos ramos das árvores, pelo que bater com pedras no solo pode ser apenas uma variante deste estilo de busca de alimento que acaba por resultar bem, sugere ele.

A natureza social dos capuchinhos pode ajudar a que este tipo de estratégia se torne parte da vida diária doa animais, diz van Schaik, pois macacos que vivem lado a lado têm maior probabilidade de aprender as habilidades uns dos outros. 

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


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