2004-12-09

Subject: Serpentes australianas adaptam-se a sapo venenoso

News of the Wild

 

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Serpentes australianas adaptam-se a sapo venenoso

 

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As cobras australianas evoluíram de forma a contrapor a ameaça causada pelos venenosos sapos dos canaviais, uma espécie invasora que tem causado grandes danos à fauna local, descobriram os cientistas.

Os sapos dos canaviais Bufo marinus apenas foram introduzidos nos anos 30 do século passado mas já tomaram conta da fauna selvagem do estado de Queensland com a sua elevada taxa reprodutora e carne tóxica, que mata todos os predadores suficientemente descuidados para os devorar.

No entanto, pelo menos duas espécies de cobra, através da selecção natural, já desenvolveram uma defesa contra esta situação: os répteis têm cabeças relativamente menores e corpos mais compridos. Esta redução da capacidade de abrir a boca limita a possibilidade de comer os sapos de grandes dimensões, que mais perigosos são para a sua sobrevivência.

"Já vimos muitos lagartos de grandes dimensões, como os monitores, morrer após comerem um sapo dos canaviais, tal como muitas das nossas espécies de cobras", explica Ben Phillips, da Universidade de Sydney. "Todas as criaturas nativas que comem sapos na Austrália estão a desaparecer de forma dramática de áreas onde os sapos dos canaviais estão a aparecer", diz ele. 

O sapo dos canaviais foi introduzido em 1935 para ajudar a controlar o escaravelho dos cereais mas, desde então e para além de não devorar o escaravelho, tem-se se tornado uma praga ele próprio.

A sua área de ocupação no estado de Queensland tem-se vindo a expandir regularmente e o sapo já está a ser visto nos estados de New South Wales e Northern Territory.

A forma como as duas espécies de cobra se adaptaram a este desafio tem sido apresentado como um exemplo clássico de "evolução contemporânea". 

cobra negra de barriga vermelhaA cobra negra de barriga vermelha Pseudechis porphyriacus e a cobra verde arborícola Dendrelaphis punctulatus são altamente sensíveis às toxinas do sapo, pelo que a presença do Bufo marinus impôs uma imensa pressão selectiva sobre as suas populações.

"Uma das formas que as cobras parecem ter de reagir é alterar a forma do corpo. Basicamente, as suas cabeças ficaram mais pequenas em relação ao corpo (ou o corpo ficou maior em relação à cabeça, seja qual for a maneira de ver a coisa)", diz Phillips. 

 

"Se uma cobra tem uma cabeça pequena, apenas será capaz de devorar presas pequenas. Esse facto resulta de as cobras terem que engolir a presa inteira, logo o tamanho da refeição depende directamente do tamanho da cabeça."

"Assim, será muito menos provável que se envenene a si própria comendo um sapo dos canaviais, o que provavelmente é uma coisa boa, dado que parecem ter uma tendência um bocado idiota para comer coisas que sabem mal."

A selecção natural assegura que apenas estas cobras prosperem e se reproduzam, pelo que a característica da cabeça pequena em relação ao corpo se tornou dominante nas suas populações.

O que parece ainda mais espantoso é que esta adaptação tenha ocorrido em apenas 70 anos, mas Phillips diz que tal não deve ser considerado assim tão surpreendente pois as cobras reproduzem-se relativamente depressa.

Cobra verde arborícola"Temos que nos lembrar que surge uma nova geração a cada dois ou três anos, logo basicamente já houve tempo para 20 a 25 gerações desde que os sapos dos canaviais atingiram certas zonas", diz ele. "É um tempo razoável, do ponto de vista da evolução."

O investigador da Universidade de Sydney comentou ainda que era muito encorajador verificar que os ecossistemas são capazes de reagir aos problemas causados pelas espécies invasoras. 

"Penso que é uma péssima ideia permitir que espécies não indígenas se dispersem pelo ambiente, é praticamente impossível prever qual será o impacto que irão ter sobre as espécies nativas", diz ele. "As boas notícias que descobrimos foi a possibilidade da natureza puder, em alguns casos, tomar conta de si própria." 

Phillips e o seu colega Richard Shine publicaram o seu trabalho no mais recente número da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

 

 

Saber mais:

Proceedings of the National Academy of Sciences

Ben Phillips

 

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


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