2004-12-08

Subject: Canhotos florescem em sociedades violentas

News of the Wild

 

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Canhotos florescem em sociedades violentas

 

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Os canhotos sobrevivem melhor nas sociedades mais violentas, revela um estudo sobre diversas tribos de todo o mundo. A descoberta pode ajudar a compreender o enigma do motivo porque uma minoria de canhotos persiste nas populações humanas.

Ser canhoto é uma vantagem em numerosas situações de confronto. Os canhotos são muito mais frequentes nos indivíduos com sucesso em desportos como o boxe e a esgrima do que na sociedade normal. O benefício resulta do elemento surpresa, pois a maioria dos adversários está menos habituado a enfrentar um oponente canhoto.

Mas o ser canhoto também tem um custo. Peritos em desenvolvimento pensam que o stress durante o desenvolvimento ou o nascimento pode levar o sistema nervoso a afastar-se da sua configuração base, ou seja, do ser dextro. 

O stress durante o desenvolvimento também está associado uma redução da expectativa de vida, baixo peso ao nascimento e aumento da taxa de incidência de doenças imunitárias e nervosas, o que nos levaria a considerar que a selecção natural tenderia a eliminar todos os esquerdinos.

Será, então, esta combinação de custos e benefícios a razão porque os esquerdinos se mantêm num nível constante, embora baixo, nas populações humanas? 

Charlotte Faurie e Michel Raymond, da Universidade de Montpellier II em França, investigaram esta situação em oito sociedades tradicionais diferentes. Compararam as frequências de canhotos com as respectivas taxas de homicídios nas diversas sociedades.

Entre os Jula (Dioula) do Burkina Faso, a tribo mais pacífica das oito estudadas, onde a taxa de assassínios é de apenas 1 em cada 100000 anualmente, os esquerdinos perfazem 3,4% da população. No entanto, na tribo dos Yanomami da Venezuela, onde 5 em cada 1000 encontram um fim violento em cada ano, os canhotos são já 22,6%. Faurie e Raymond relataram estas suas descobertas na revista Proceedings of the Royal Society.

 

Os números estão algo em bruto, admite Faurie. Muita da informação foi recolhida através de entrevistas aos anciãos das tribos, que podem não estar a relatar os acontecimentos da forma mais correcta ou podem já não os recordar de todo. Para além disso, apenas levam em conta os confrontos que resultaram em mortes.

Ainda assim, a relação entre a taxa de homicídios e qual o lado preferido é claro, diz ela, mesmo considerando o estudo pouco rigoroso. Esta situação mostra que os esquerdinos podem realmente beneficiar do seu estilo surpreendente em combate corpo a corpo.

O quadro deixa de ser tão claro nas sociedades ocidentais, onde os esquerdinos rondam os 10% do total. Apesar de não puderem ser consideradas imunes à necessidade de combate corpo a corpo, o desenvolvimento de armas de longo alcance, como as pistolas e as bombas, complica a interpretação, diz Faurie.

Mas o padrão observado nas tribos está de acordo com os confrontos ritualizados que observamos nos desportos ocidentais, diz Faurie. E aí, nos desportos que se disputam a pouco distância ou de um para um, os esquerdinos gozam de maior sucesso.

"A frequência de esquerdinos é muito maior nos desportos", diz ela. "E no boxe ou na esgrima é ainda mais elevada que no ténis, que se disputa com os adversários a uma maior distância um do outro. Não se observa nada disto em desportos em que o atleta está sozinho, como na ginástica. Aí os esquerdinos estão em igual percentagem do que na população geral." 

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


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