2004-12-06

Subject: Aquecimento global e alterações climáticas: que futuro para o planeta?

News of the Wild

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the  Wild

Este boletim é mantido pelo site Born to be Wild, em colaboração com o site educativo À Descoberta da Vida,             para que não esqueça o seu lado selvagem ...

 

Em destaque:

Aquecimento global e alterações climáticas: que futuro para o planeta?

  Questões ou comentários para: borntobewild@clix.pt

Dê os sites Born to be Wild/À Descoberta da Vida a conhecer a um amigo!!

 

O aquecimento global é um tema quente, que não parece estar a arrefecer. É certo que clima da Terra está a mudar mas de que forma o faz e qual o nosso papel no processo é menos certo.

Também não parece haver dúvida de que o planeta está a aquecer. Ao longo do último século a temperatura média subiu cerca de 0,6ºC em todo mundo. O degelo primaveril no hemisfério norte ocorre 9 dias mais cedo do que há 150 anos e o gelo outonal tem início 10 dias mais tarde. A década de 90 do século passado mais a mais quente desde que há registos.

A agência internacional Arctic Climate Impact Assessment (ACIA) concluiu que nos Alaska, Canadá ocidental e Rússia oriental as temperaturas subiram entre 3 e 4ºC nos últimos 50 anos, mais do dobro da média global. As Nações Unidas estimam que as temperaturas globais ainda subam entre 1,6 a 5,5ºC até ao final do século.

Ao longo do último milhão de anos, a Terra tem flutuado entre períodos frios e quentes. As alterações ocorreram com intervalos de cerca de 100000 anos, que se pensa serem regulados pelo Sol, pois a quota de luz solar recebida pela Terra depende da sua órbita e da sua orientação celestial.

Mas as alterações também já ocorreram mais rapidamente no passado, e os cientistas esperam que sejam essas as que nos podem dizer mais acerca do estado actual do clima. Durante a última glaciação (70000-11500 anos), o gelo cobriu grande parte da América do norte e da Europa, mas alterações climáticas dramáticas ocorreram neste período. Os núcleos de gelo da Groenlândia mostram um momento em que a temperatura superficial subiu 9ºC em apenas 10 anos.

O conhecimento dos cientistas sobre o clima antigo provém de numerosas fontes, nomeadamente núcleos de gelo e moreias de glaciares, lamas ricas em pólen, estalagmites, anéis de crescimento de árvores e corais e sedimentos marinhos. A história humana também fornece dados, através de escritos antigos e inscrições, registos de jardinagem e vinhas, bem como diários de navios.

A subida de temperatura tem um impacto dramático no gelo árctico, que refresca o ar nos pólos. Desde 1978 que a área de gelo marinho do oceano Árctico tem vindo a diminuir 9% por década, ao mesmo tempo que se torna mais fino. A ACIA estima que pelo menos metade do gelo de Verão do Árctico tenha derretido até ao final do século, tendo toda a região aquecido entre 7 a 13ºC nesse período.

A longo prazo, a camada de gelo que cobre a Groenlândia contém água suficiente para fazer subir o nível do nível do mar cerca de 7 metros, mas muito mais existe aprisionada nos muitos glaciares do mundo, mas quase todos estão ameaçados, principalmente os tropicais. As lendárias neves da Tanzânia no monte Kilimanjaro já derreteram em mais de 80% desde 1912, podendo desaparecer completamente até 2020.

O nível médio do mar subiu em média 10 a 20 cm no último século, prevendo-se uma subida de mais 10 a 89 cm até ao final do século. Esta situação terá enorme impacto nas zonas costeiras, pois uma subida de 50 cm em zonas costeiras planas causa tipicamente um recuo da linha de costa de 50 metros.

Em todo o mundo, mais de 100 milhões de pessoas vivem a menos de um metro do nível médio do mar. Uma elevação de apenas 10 cm pode alagar muitas ilhas do Pacífico sul, bem como zonas costeiras norte-americanas e europeias de grande densidade populacional, como a Flórida, Louisiana e Europa ocidental. As ilhas Maldivas, no oceano Índico, têm uma elevação máxima de apenas 2,5 metros acima do nível do mar. Já está a ser construída uma muralha em volta da capital Male, devido à subida das marés.

O sistema de correntes marinhas, conhecido como o "tapete rolante oceânico", modera as temperaturas globais deslocando o calor tropical em volta do planeta. O aquecimento global pode alterar o equilíbrio deste sistema, devido ao acrescento de água doce do degelo, originando alterações aceleradas e imprevisíveis. 

Os modelos climáticos sugerem que o aquecimento global pode originar um aumento das condições climatéricas extremas. Furacões intensos e tempestades tropicais podem ameaçar as comunidades costeiras, enquanto as vagas de calor, fogos descontrolados e seca se tornam mais frequentes.

Desde o século XIX, a crescente industrialização e a redução das florestas ajudaram a subir os níveis de dióxido de carbono em mais de 100 ppm, e as temperaturas do hemisfério norte imediatamente subiram. A subida de níveis de gases de efeito de estufa e de temperatura têm sido mais intensas desde 1950.

O vapor de água é o mais importante gás de efeito de estufa, mas o dióxido de carbono, metano e óxido nitroso também ajudam a manter a Terra protegida do frio do espaço. As actividades humanas, a queima de combustíveis fósseis e a desflorestação, aumentaram enormemente as suas concentrações, pois são produzidos mais depressa do que as plantas e os oceanos os conseguem remover. Os gases permanecem na atmosfera longos anos, logo o fim imediato das emissões não seria suficiente para inverter a tendência de aquecimento que promovem.

 

O impacto deste aquecimento nos gelos polares já está a ser sentido de forma devastadora por espécies que se adaptaram a esse meio, como os ursos polares, focas aneladas e pinguins.

Estudos mostram que muitas plantas europeias florescem uma semana mais cedo do que faziam na década de 50 do século passado, perdendo as folhas 5 dias mais tarde. Os biólogos relatam que muitas aves e anfíbios se reproduzem mais cedo, enquanto uma análise de 35 borboletas não migratórias mostraram que cerca de dois terços delas vivem agora até 200 Km mais para norte do que o faziam há algumas décadas.

Até 2050, as temperaturas em ascensão devido à actividade humana podem enviar para a extinção mais de um milhão de espécies de animais e plantas. Recifes de coral de todo o mundo estão a sofrer branqueamento quando a água atinge temperaturas acima dos 29,5ºC em períodos de calmaria. 

Muitas espécies serão afectadas duramente, incluindo o Homem. Os mais vulneráveis são os de comunidades costeiras e os muitos milhões que dependem de uma agricultura de subsistência sujeita aos caprichos de um clima em alteração. 

 

Outras Notícias:

Conferência da Argentina alerta para crise climática

Os países mais pobres têm que ser ajudados a evitar os efeitos das alterações climáticas, referiu o ministro do ambiente argentino Ginés Gonzalez Garcia no seu discurso de abertura da 10ª Conferência Anual sobre as Alterações Climáticas das Nações Unidas, a decorrer em Buenos Aires.

A conferência teve início um mês depois da Rússia ter ratificado o protocolo de Kyoto. Espera-se que os delegados presentes debatam a necessidade da implementação de medidas extra, para além do protocolo de Kyoto.

O protocolo de Kyoto, que se tornará um tratado com valor de lei em Fevereiro, exige que os signatários reduzam as suas emissões de gases de efeito de estufa para os níveis de 1990 até 2012. No entanto, os Estados Unidos, a maior economia do mundo e também a mais poluente, recusou assinar o tratado.

Garcia referiu que as nações em vias de desenvolvimento devem receber tecnologias que ajudem a reduzir o impacto das alterações climáticas e ajudem a atrasar o processo.

Outros estão a utilizar a conferência para pressionar os Estados Unidos, bem como sobre outros grandes poluidores como a China e a Índia, para que comecem a trabalhar em conjunto com os signatários de Kyoto, embora os americanos considerem que o protocolo afectará de forma injusta a economia do seu país.

Cerca de 6000 pessoas, incluindo 150 delegações governamentais e representantes da industria e de grupos ambientalistas, estão reunidas em Buenos Aires. 

Activistas do Greenpeace construíram um modelo da arca de Noé no centro da cidade, num esforço para demonstrar a necessidade urgente de acção para combater os efeitos das alterações climáticas. Alegam que a arca, com 30 metros de comprimento e 7 de altura, indica o perigo imediato que enfrentam humanidade e resto da vida no planeta.

"Temos uma fila de pessoas com coletes salva-vidas a tentar entrar para a arca", explica a activista do Greenpeace Stephanie Tunmore. "Simboliza o perigo das alterações climáticas e o risco que corremos se não fizermos nada, os milhões de pessoas que irão perder a vida se não resolvermos esta questão." 

 

 

Saber mais:

Polar bears dream of a white Christmas

Arctic Climate Impact Assessment

National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA)

You Can Fight Global Warming

Get active on global warming

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

Respeitar os animais é respeitarmo-nos a nós próprios!

@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com