2004-11-26

Subject: Bisontes ajudam a compreender a grande extinção americana

News of the Wild

 

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Em destaque:

Bisontes ajudam a compreender a grande extinção americana

 

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Novas evidências lançam dúvidas na teoria de que os tigres dente de sabre, mamutes e outros grandes mamíferos norte-americanos tinham sido levados à extinção pela caça humana.

Análise genética de vestígios fósseis de bisonte mostra que as suas populações entraram em declínio há cerca de 37000 anos, muito antes do Homem ter chegado ao Novo Mundo. Os investigadores alegam que as alterações climáticas e outros factores serem culpados muito mais prováveis da extinção.

Até há cerca de 20000 anos, a América do norte tinha uma vasta gama de grandes mamíferos, que não ficava atrás da fauna selvagem da África actual. O continente era lar do mamute peludo, do mastodonte, cavalos, camelos, preguiças gigantes e castores do tamanho de ursos, bem como dos conhecidos tigres dente de sabre.

Há cerca de 10000 anos, a maioria destes animais já tinham desaparecido. Cerca de 70 espécies norte-americanas desapareceram, três quartos delas eram grandes mamíferos. Esta extinção da megafauna já foi atribuída aos caçadores humanos que surgiram na América do norte há cerca de 12000 anos.

Mas as mais recentes investigações contrariam seriamente esta hipótese. Os cientistas extraíram DNA mitocondrial de 442 restos de bisontes encontrados nos Estados Unidos, incluindo no Alaska, bem como Canadá, Sibéria e China. O DNA mitocondrial é herdado apenas através da linha materna.

Algum do material melhor preservado usado no estudo saiu da permafrost do Alaska, desenterrado por mineiros de ouro que o mantiveram congelado até à chegada dos investigadores que o recolheram. A probabilidade de extrair sequências de DNA utilizáveis é muito maior a partir de fósseis congelados.

A partir deste material antigo, Alan Cooper da Universidade de Oxford foi capaz de reconstruir a história genética do bisonte ao longo de um período de cerca de 150000 anos. 

Beth Shapiro, co-autora e também da Universidade de Oxford, diz: "Quando tentamos reconstruir processos do passado, criam-se modelos baseados na genética das populações modernas e extrapola-se para o passado. Mas neste caso, como temos DNA fóssil, podemos realmente analisar fatias do tempo passado e observar a variedade genética da população da época."

 

Usando análise matemática, os investigadores puderam extrair informação sobre o tamanho das populações de bisontes ao longo do tempo.

Durante os períodos Pleistocénico e Holocénico, os bisontes vaguearam através do território conhecido por Beringia, uma zona livre de gelo que se estendia desde a Sibéria oriental ao noroeste do Canadá.

Até há 37000 anos, existia uma população grande e variada de bisontes a viver em Beringia, mas depois disso a diversidade genética começou a declinar drasticamente. Esta redução de efectivo coincide com um período quente em que a estepe da tundra onde o bisonte vivia foi invadida por florestas. Estas florestas podem ter funcionado como uma barreira à dispersão e forneceriam menos alimento. Após este período quente, condições mais áridas e frias surgiram.

"Um qualquer componente destas alterações ecológicas pode ter sido suficiente para causar stress nas populações de bisontes por toda Beringia", escrevem os investigadores no seu artigo, publicado na revista Science.

Mas John Alroy, paleontólogo da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, refere: "Acho que a interpretação apresentada é muito exagerada e não existem dados que a apoiem." Ele salienta que, pelo contrário, noutras áreas os bisontes conseguiram ultrapassar facilmente alterações climáticas drásticas.

Os resultados mostram que os bisontes modernos são diferentes dos antigos bisontes de Beringian. São descendentes do bisonte que se deslocou para sul através de um corredor livre de gelo, por volta de 100000 anos atrás. 

 

 

Saber mais:

Science

Bison bones open ancient window

Alterações climáticas "mataram" o cavalo do Alaska 

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


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