2004-11-22

Subject: Aumentam receios de desastre ecológico no Danúbio

News of the Wild

 

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Em destaque:

Aumentam receios de desastre ecológico no Danúbio

 

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O projecto ucraniano de construção de um canal marítimo no delta do Danúbio, uma zona húmida de grande importância ecológica, está a causar grande preocupação a nível dos responsáveis pelo ambiente e conservacionistas.

O projecto do canal Bystroye pode ter um efeito extremamente danoso e irreversível no ecossistema do delta do Danúbio, considera um relatório preliminar apresentado ao Conselho da Europa pelo comissário europeu Leo Platvoet, membro do parlamento europeu que visitou a área. 

O delta está sob protecção da UNESCO como reserva biosférica e foi considerado Património da Humanidade em 1991. É considerado uma das maiores zonas húmidas do mundo pela classificação internacional Ramsar, fornecendo abrigo a 312 espécies de aves e perto de 90 espécies de peixes.

A Ucrânia alega que o canal foi projectado para oferecer uma alternativa de navegação, pois a única via de passagem para navios entre o Danúbio e o Mar Negro é o canal Sulina, construído em território romeno há mais de 100 anos. 

A Ucrânia considera que as taxas de navegação pelo canal Sulina são elevadas e que a criação de uma rota alternativa, com o correspondente acesso aos portos do Danúbio, seria um importante impulso para a economia do país. Para além disso, só a construção do canal levaria à criação de mais de 4000 novos postos de trabalho.

Mas as entidades ligadas à conservação têm vindo a repetir os alertas para o impacto mais que provável da construção deste canal no Danúbio. Peritos romenos dizem que a escavação do canal Bystroye pode resultar numa aceleração do fluxo de água na zona. "O novo canal vai atrair parte da água que se desloca actualmente por outras vias no Danúbio, o que vai perturbar o equilíbrio do delta", diz Romulus Stiuca do Instituto Romeno do Delta do Danúbio.

Algumas das atracções únicas do delta também podem vir a ser prejudicadas. Um desses locais é a floresta tropical de Letea, com centenas de anos de idade e o único local na Europa onde se podem observar lianas, plantas trepadoras características de climas mais quentes. A fonte de água para a floresta de Letea será dramaticamente reduzida, afectando as árvores, alertam peritos ambientais romenos, bem como a maior colónia de pelicanos da Europa, na zona dos lagos Rosca-Buhaiova.

Em resumo, os peritos consideram que o impacto pode ser comparado ao que ocorreu quando o canal Sulina foi construído: mais poluição, menos peixe e o desaparecimento de várias espécies num raio de 10 Km em volta do canal.

O plano ucraniano de construir um canal marítimo na reserva de biosfera do Danúbio foi tornado público em 2002 pelo World Wide Fund for Nature. Um ano depois, a missão da UNESCO de representantes da Convenção Ramsar sobre zonas húmidas de 1971 e do programa "O Homem e a biosfera" analisaram as três versões possíveis do canal marítimo e concluíram que a versão Bystroye "representaria o pior solução possível".

 

No entanto, as autoridades ucranianas escolheram a via Bystroye e a construção do canal teve início a 11 de Maio. Segundo os tratados internacionais, a Ucrânia deveria ter realizado um estudo de impacto ambiental para avaliar os possíveis efeitos da construção do canal, estudo que deveria ter sido apresentado às autoridades romenas.

A Ucrânia não cumpriu estas obrigações e a Roménia tem vindo a exigir a interrupção das obras imediatamente. Como não recebeu resposta, a Roménia notificou o secretariado da convenção de Berna sobre a conservação da vida selvagem e habitats naturais europeus.

Em Julho, após visitar o local das obras de Bystroye, uma missão da convenção e do Conselho da Europa exigiu do governo ucraniano a "suspensão imediata dos trabalhos em curso no estuário do canal Bystroye e o abandono da implementação da fase dois do projecto, com o objectivo de impedir qualquer tipo de modificação significativa dos habitats naturais das espécies" que vivem no delta.

Nessa altura as autoridades ucranianas pareceram ceder à pressão internacional e apresentaram um relatório sobre o projecto Bystroye, mas, apesar dos protestos internacionais, continuaram a cavar e a 26 de Agosto inauguraram a primeira fase do canal. Os trabalhos prosseguem agora no ramo de Chilia. 

O projecto Bystroye é apoiado pelo presidente ucraniano Leonid Kuchma e pelo primeiro-ministro Viktor Yanukovych, mas talvez possa ocorrer uma mudança de atitude se o candidato da oposição Viktor Yushchenko foi vencedor das eleições presidenciais deste fim de semana. Ele tem mostrado grande interesse em melhorar as relações com a Europa ocidental, pelo que os apelos para o fim da construção do canal podem ser respeitados.

Entretanto, a Roménia, lar de mais de 80% do delta do Danúbio, está a preparar o seu próprio plano de contenção dos danos. De acordo com Virgil Munteanu, governador da reserva de biosfera do delta do Danúbio, o plano estará finalizado a 25 de Novembro, para que os especialistas e as autoridades o possam implementar antes que seja tarde demais. 

 

 

Saber mais:

Take action NOW to stop the destruction of the Danube Delta!

UNESCO

WWF press release on Danube Delta's Bystroye canal

Ukraine deluged by protests over plans for Danube delta

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


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