2004-11-18

Subject: Corrida de distância moldou evolução humana

News of the Wild

 

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Corrida de distância moldou evolução humana

 

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A corrida de longa distância foi crucial para o surgimento da nossa postura erecta, segundo uma nova teoria agora proposta. Os investigadores sugerem que os nossos ancestrais eram bons corredores de fundo e que esse seu hábito deixou a sua marca evolutiva nos nossos corpos, desde as articulações das pernas à cabeça.

Os primeiros humanos devem ter começado a correr há cerca de 2 milhões de anos, após os nossos se terem tornado erectos nas planícies africanas, sugere Dennis Bramble da Universidade do Utah em Salt Lake City, e Daniel Lieberman da Universidade de Cambridge, Massachusetts. Como resultado, a evolução terá favorecido certo tipo de características corporais, como articulações largas e fortes nos joelhos.

A teoria pode explicar porque motivo, milhares de anos depois, muitos de nós são capazes de correr os 42 Km da maratona, acrescentam os investigadores. Pode também ajudar a esclarecer o motivo porque outros primatas não partilham esta capacidade com o Homem.

A nossa pouca habilidade para a corrida de velocidade tem dado origem à ideia de que os nossos corpos estão adaptados para andar mas não para correr, diz Lieberman. Mesmo os corredores de velocidade mais rápidos apenas atingem cerca de 10 metros por segundo, comparado com os 30 metros por segundo de uma chita. No entanto, em distâncias maiores, a nossa actuação é muito mais respeitável: cavalos a galopar longas distâncias fazem em média 6 metros por segundo, menos do que um corredor humano de topo.

"Todos dizem que os humanos são maus corredores, porque geralmente se pensa em corrida de velocidade", acrescenta ele. "Não há dúvida de que somos péssimos corredores de velocidade, mas somos muito bons em corridas de fundo e de resistência."

Como nos tornámos tão bons na corrida de fundo? Busca de alimento é a melhor resposta, sugere Lieberman. Os nossos ancestrais das savanas estariam em competição com hienas, que também são excelentes corredoras de fundo, para atingir o local de uma matança e recolher alimento. "Poderíamos ver um bando de abutres no horizonte e desatar a correr em sua direcção", diz ele. Ou talvez os primeiros humanos usassem a sua resistência apenas para perseguir a sua presa até à exaustão.

A teoria permite fazer sentido de uma série de características humanas, escrevem Bramble e Lieberman na revista Nature desta semana. Não temos apenas tendões de Aquiles que funcionam como molas e articulações da perna robustas, mas também a ausência de pêlo corporal e tendência para suar nos torna muito eficientes na dissipação de calor.

 

Correr pode mesmo ter melhorado o nosso equilíbrio, diz Fred Spoor, estudioso da evolução humana do University College de Londres. "Correr requer uma coordenação delicada: as nossas pernas retiram o pé do chão e temos que as coordenar com os olhos para ver onde irá pousar", diz ele.

Muitos animais mantêm o equilíbrio com a ajuda de canais circulares no ouvido interno, cheios de fluido que funciona como um detector de aceleração. Estas estruturas são espantosamente grandes tanto no Homem moderno, como no nosso parente evolutivo Homo erectus, e isto mostra que, considera Spoor, eles podem ter ajudado os corredores primitivos a manter-se de pé.

De facto, correr parece ser a única razão para a presença das nossas nádegas proeminentes, diz Lieberman. Ele mediu a actividade do músculo gluteus maximus em voluntários, durante a marcha e a corrida. "Quando se anda, os glúteos raramente se contraem", diz ele. "Mas quando se corre, não param."

Resta saber de que forma a teoria será recebida, diz Spoor. Se correcta, significa que o género Homo é único em relação à corrida, dentre todos os primatas. Mas muitos peritos alegam que não há nada de especial em relação à locomoção humana, o que nos separa dos grandes primatas é apenas os nossos cérebros enormes. 

 

 

Saber mais:

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Muscles damp bad vibrations

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


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