2004-11-16

Subject: Rãs e aves retiram veneno de besouros

News of the Wild

 

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Rãs e aves retiram veneno de besouros

 

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Uma rã colombiana e seis espécies de aves da Papua-Nova Guiné, todas aves canoras conhecidas por pitohui, podem viver em lados opostos do globo mas têm uma coisa em comum: usam a batracotoxina, uma neurotoxina rara, 259 vezes mais potente que a estriquinina. 

Os investigadores acreditam que os animais usam o veneno, que está entranhado nas suas peles ou penas, como um mecanismo biológico de defesa contra predadores e parasitas. O mistério, até agora, tinha sido a origem desse veneno, pois os cientistas suspeitam que tanto as aves como os anfíbios não são capazes de o fabricar naturalmente.

Agora, os cientistas vêm revelar que descobriram que os animais obtêm a toxina comendo besouros cheios de veneno. Num estudo publicado esta semana no Proceedings of the National Academy of Sciences, os investigadores relatam que descobriram a batracotoxina no grupo pouco conhecido de besouros do género Choresine, a primeira vez que foi encontrada num insecto.

Os mesmos besouros foram encontrados no estômago das aves da Papua-Nova guiné, que sugere ser essa a fonte da defesa das aves. Esta descoberta utilizou os dados recolhidos, ao longo de dois anos, pelo naturalista amador local Avit Wako, cujas amostras tentavam fazer luz sobre a origem da toxina das penas das aves.

"Ele foi realmente o impulsionador deste trabalho", diz Jack Dumbacher, ornitólogo da Academia das Ciências da Califórnia em San Francisco e autor principal do estudo. "Só revela a importância dos conhecimentos da população local e dos naturalistas amadores", acrescenta ele.  

A batracotoxina é conhecida dos ocidentais desde meados dos anos 60 do século passado, quando o químico John Daly e seus colegas do United States National Institutes of Health a identificaram pela primeira vez na pele de uma rã colombiana dos dardos Phyllobates spp. Daly também participa neste novo estudo.

No entanto, já há muito mais tempo que os caçadores tradicionais sul americanos conhecem este veneno, que afecta o sistema nervoso dos animais, e o usam para mergulhar as pontas dos seus dardos de sopro.

Estudos anteriores tinham descoberto que quando os anfíbios eram retirados do seu habitat natural, a toxicidade da sua pele diminuía gradualmente e que rãs dos dardos colombianas criadas em cativeiro nunca se tornavam tóxicas. Era esta a razão que levava a que os investigadores propusessem a teoria de que as rãs obtinham a toxina através da dieta.

Durante os anos 90 do século passado, Dumbacher era um estudante finalista da Universidade de Chicago, onde começou a estudar os pitohui da Papua-Nova Guiné, conhecido por causar dormência e sensação de ardor na boca de quem o comia.

 

Muitos anos de testes revelaram a Dumbacher a presença de batracotoxina na pele e penas de cinco espécies de pitohui. Em 2000 descobriu a toxina numa outra espécie do género Ifrita. As penas carregadas de toxina causam uma enorme variedade de sensações às pessoas. "Algumas dizem que é como comer piri-piri forte, outras dizem que é como colocar uma pilha de 9 volts na língua."

Descobrir a origem da toxina, visto que os animais portadores não a fabricavam, era nada mais do que buscar uma agulha num palheiro, pois a Papua-Nova Guiné é lar de mais de 700000 espécies conhecidas de insectos e cerca de 15000 espécies de plantas. Em 2000 Wako, o naturalista local, começou a recolher amostras de tudo o que poderia ser a fonte da toxina.

Entre as centenas de amostras recolhidas, havia perto de 400 besouros conhecidos por nanisani pelos locais, um termo que indica o sabor picante e a sensação de dormência na boca que causam quando provados. A toxina foi encontrada nos besouros Choresine, os mesmo encontrados nos estômagos das aves Pitohui e Ifrita

O interessante é que a família a que pertencem os besouros Choresine, Melyridae, também existe na Colômbia, lar das rãs dos dardos. Mesmo assim, os investigadores alertam para a possibilidade de os besouros não serem a única fonte de toxinas. "Existe a possibilidade de tanto aves como anfíbios se alimentarem, por exemplo, de uma planta, que lhes fornece os ingredientes chave para a sua defesa tóxica."

Dumbacher e os seus colegas têm recolhido referências a muitas aves tóxicas em todo o mundo, incluindo os estorninhos e o periquito da Carolina Conuropsis carolinensis, extinto desde início do século XX, que causava a morte a pequenos animais que o comessem. 

Os cientistas imaginam que as aves usam a toxina nas penas, como protecção contra insectos e parasitas vários, pois Dumbacher verificou que a batracotoxina reduz a esperança de vida dos piolhos das aves. Também verificou que falcões, cobras e outros predadores de grande porte são mantidos afastados pela toxina. Mesmo os caçadores da Papua-Nova Guiné deixam essas aves em paz. 

O próximo passo é investigar o que acontece quando as aves não se podem alimentar de besouros ricos em batracotoxina e a reacção dos predadores a essa situação. 

 

 

Saber mais:

Jack Dumbacher

Proceedings of the National Academy of Sciences

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


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