2004-11-12

Subject: Pescas associadas ao comércio de carne selvagem

News of the Wild

 

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Em destaque:

Pescas associadas ao comércio de carne selvagem

 

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Os cientistas têm agora dados que mostram que a política europeia de pescas é responsável por muito do comércio de carne selvagem em África. O mercado para a carne de animais selvagens, que ameaça dizimar uma miríade de espécies, tem-se tornado um sério problema de conservação nos últimos anos. 

Justin Brashares e os seus colegas relatam na revista Science que o consumo de carne selvagem no Gana sobre de cada vez que o fornecimento de peixe desce no país. A região está a ser consumida pela sobre-exploração pesqueira, muita dela feita pelos arrastões subsidiados pela Comunidade Europeia.

"Recolhemos estimativas anuais de abundância de vida selvagem e comparámo-las com o fornecimento de peixe per capita e descobrimos que anos de capturas de peixe pelos locais inferiores à média correspondiam a declínios acentuados de fauna selvagem em terra", explica Brashares, que colabora com as Universidades de Califórnia-Berkeley e de Cambridge. "As pessoas do Gana voltam-se para a carne selvagem quando não têm peixe."

A equipa de Brashares também encontrou o mesmo tipo de associação nos mercados de carne, onde se vendia mais carne selvagem em anos de pouco peixe, e em reservas de caça, onde a caça furtiva aumentava em anos de escassez de peixe. Ainda mais interessante é o facto de a associação ser mais óbvia em comunidades costeiras.

A possibilidade de a sobre-exploração pesqueira ao largo da costa ocidental de África estar a ter um impacto sobre a biodiversidade terrestre já estava em estudo há algum tempo, mas esta é a primeira vez que surgem provas claras da ligação entre elas.

Outros grupos de investigação do comércio de carne selvagem em países da África ocidental, como o Senegal, Guiné-Bissau, Libéria and Guiné Equatorial, acreditam que esta ligação também está a afectar outras zonas. 

Apesar de muitas das espécies usadas no comércio de carne selvagem serem pequenas e abundantes, como os ratos, um número significativo de animais raros e já ameaçados também são capturados para servir de alimento, incluindo os grandes primatas. "As espécies em que notámos um maior declínio nas reservas do Gana incluem a maior parte dos grandes carnívoros, como os mabecos, leões, hienas e leopardos", diz Brashares. "Certamente os primatas também são afectados fortemente, tal como elefantes, hipopótamos e bongos."

A África ocidental tem uma importante frota pesqueira a actuar nas suas águas mas são principalmente as actividades dos arrastões subsidiados pela União e outras frotas estrangeiras que têm sido mais criticadas pelos conservacionistas por acelerarem o declínio dos stocks pesqueiros da região. 

O estudo da Science salienta que a União é responsável pela maior presença estrangeira ao largo da costa ocidental africana, sendo responsável por um aumento de 20 vezes nas capturas entre 1950 e 2001, bem como um salto nos subsídios de €6 milhões em 1981 para mais de €350 milhões em 2001.

"Outros estudos mostraram já que os subsídios da União aumentam artificialmente os lucros para os barcos europeus que pescam em águas africanas", diz Brashares. "Se não fosse este apoio financeiro, sugere o estudo, não seria rentável para as frotas europeias pescar em África."

 

Conservacionistas já acusaram interesses estrangeiros de pressionar os governos africanos a emitir generosas licenças de pesca, associando as negociações a empréstimos e pacotes de ajuda, mas a frota da União nega tal prática.

"De acordo com a lei internacional, só podemos pescar os stocks excedentários, o problema reside na pesca não regulamentada", refere um comissário europeu, "os acordos estabelecidos são feitos com as autoridades dos países e é sabido que o dinheiro tem que ser gasto na promoção da conservação dos recursos e de um desenvolvimento sustentado. É falso que apliquemos qualquer forma de pressão sobre os estados africanos."

Mas mesmo se a União alterar a sua política na região, o comércio de carne selvagem deve continuar, dizem os cientistas, pois as suas causas são diversas e complexas. Colheitas fracas, guerra e economia débil levam ao surgimento de comunidades empobrecidas que se voltam para os animais selvagens em busca de proteínas.

Noelle Kumpel, da Zoological Society of London, que estudou o comércio de carne selvagem na Guiné Equatorial, considera um problema a falta de uma industria que distribua gado e seus produtos frescos às populações. "Não seria a solução mágica mas poderia ajudar. A solução não reside no fim da caça mas em minimizar o número de pessoas que caçam, da população local, e limitar o comércio a espécies em que tal seja sustentável."

Da Universidade de Cambridge, William Adams, analisou abordagens diferentes à conservação na zona e comenta: "Não há solução possível para o problema da biodiversidade sem se atacar a pobreza." 

 

 

Saber mais:

Science

Mares europeus em crise

Pesca tradicional no Senegal ameaçada por barcos europeus

CEE discute quotas de pesca

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


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