2004-11-08

Subject: Caçadores de golfinhos

News of the Wild

 

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Em destaque:

Caçadores de golfinhos

 

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Na localidade costeira de Taiji no Japão, perto de 3000 golfinhos são caçados e mortos para serem utilizados como comida todos os anos. Na chamada "corrida", os caçadores batem com varas de metal na água, perturbando o sonar dos animais e permitindo-lhes dirigi-los para águas rasas onde podem ser capturados. O processo não tem nada de delicado, a água fica vermelha de sangue enquanto os caçadores atacam os cetáceos com facas e cordas e os puxam para os barcos.

Relutantes a princípio, um punhado de pescadores com autorização para capturar golfinhos em Taiji, concordaram em falar com o repórter da BBC Paul Kenyon. Insistem que a sua ocupação é tradicional e legal, pelo que ficam muito irritados com os grupos internacionais de activistas dos direitos dos animais que viajam até ao Japão para protestar contra as caçadas.

Um desses activistas é Ric O'Barry, especialista em mamíferos marinhos da organização One Voice, que insiste: "Os golfinhos têm um cérebro maior que o do Homem, logo quando estão a ser chacinados desta forma cruel, estão perfeitamente conscientes do que se passa, tal como os humanos estariam."

Num bar local, Paul mostra aos pescadores um filme de investigação sobre a inteligência dos golfinhos mas os pescadores não se mostram convencidos, alegando que se trata de animais treinados para fazer truques perante as câmaras.

A carne de golfinho é comum nos menus de Taiji, mas a comida não é a única razão para fazer "corridas". Em 2003, 78 dos golfinhos aprisionados nas caçadas foram entregues a delfinários e programas "nadar com os golfinhos". Existem compensações substanciais, não para os caçadores, mas para os intermediários deste lucrativo e popular tipo de espectáculo. Eles compram os animais aos pescadores e vendem-nos por elevadas quantias (até €35000 por animal) para os delfinários de treino.

Em Taiji, uma cidade com 500 pescadores, apenas 27 têm licença para pescar golfinhos, um clube de elite com rituais quase maçónicos. "Mesmo que fosses o filho de primeiro-ministro não tinhas entrada garantida", explica um antigo pescador de cavala.

No entanto, os caçadores de golfinhos surpreenderam Paul, que não encontrou os malignos abusadores dos direitos dos animais que esperava. A sua atitude perante a caçada é digna e filosófica, apesar de algo confundida pelos argumentos dos activistas: "Os golfinhos são peixes grandes, como qualquer outros, se não vos incomoda cortar a cabeça de um atum, porquê esta indignação toda perante a mesma situação com golfinhos?"

 

A época de caça ao golfinho teve início em Outubro e, ao mesmo tempo que os pescadores preparam os seus barcos, Ric O'Barry prepara-se para os impedir. Durante 6 meses do ano, ele e a sua equipa seguem os pescadores, tentando filmar as suas actividades. 

Mais a norte, ao longo da costa, Paul descobre o real custo da caça ao golfinho, algo que vai muito para além de argumentos culturais trocados por activistas e pescadores. Na cidade de Futo, conhece um ex-pescador de golfinhos.

Ele alega que deixou a arte porque os seus colegas estavam a ultrapassar as quotas impostas pelo governo, matando demasiados golfinhos. As quotas existem para proteger a espécie da sobre-exploração mas os seus colegas não ligavam a isso, diz ele.

Actualmente este ex-pescador leva turistas a observar golfinhos na natureza mas após um dia inteiro no mar, Paul não viu um único. Ainda mais revelador, não tem havido "corrida" nesta zona desde há 4 anos, porque também os caçadores não conseguem encontrar golfinhos.

No entanto, em Taiji, a "corrida" vai acontecer como sempre tem sido, desde há 400 anos, os pescadores consideram-na a única forma de sobreviverem, enquanto os activistas, quase exclusivamente estrangeiros, irão tentar impedi-los.

Não é tão claro quanto isso que o Japão apoie este tipo de comércio de carne de golfinho, pois durante as 3 semanas que Paul Kenyon esteve no Japão não encontrou ninguém fora da caçada que soubesse sequer que a carne de golfinho era usada como alimento. Talvez o desafio não seja tanto mudar mentalidades, mas antes informá-las. 

 

 

Saber mais:

One Voice

Golfinhos chacinados no Japão

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


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