2004-11-05

Subject: Recém-nascidos devoram-se a si próprios

News of the Wild

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the  Wild

Este boletim é mantido pelo site Born to be Wild, em colaboração com o site educativo À Descoberta da Vida, para que não esqueça o seu lado selvagem ...

 

Em destaque:

Recém-nascidos devoram-se a si próprios

 

  Questões ou comentários para: borntobewild@clix.pt

Dê o site Born to be Wild a conhecer a um amigo!!

 

Imediatamente após o nascimento os bebés enfrentam uma súbita e gravosa carência de nutrientes, pois perdem o fornecimento de nutrientes da placenta e ainda não bebem leite. Parece que ultrapassam este período degradando células e libertando nutrientes essenciais, revela um estudo do Metropolitan Institute of Medical Science de Tóquio.

A equipa de Tóquio estudou ratos recém-nascidos e descobriu que um processo celular designado autofagia se desencadeia imediatamente após o nascimento e permanece elevado durante várias horas. Durante a autofagia, a célula degrada os seus próprios componentes em pequenas vesículas digestivas designadas autofagossomas.

Os investigadores desenvolveram uma forma de seguir a actividade autofágica tornando os autofagossomas fluorescentes. Descobriram que ratos geneticamente modificados de forma a que não conseguirem formar autofagossomas morrem no espaço de um dia após o nascimento.

Os investigadores acreditam que a autofagia é essencial imediatamente após o nascimento para a produção de aminoácidos, que são usados tanto como fonte de energia, como blocos de construção das novas proteínas. Os níveis de aminoácidos nos ratinhos mortos eram significativamente baixos.

O investigador chefe Noboru Mizushima disse: "Para mamíferos, o nascimento traz uma fome inevitável. O fornecimento de nutrientes transplacental é interrompido subitamente no nascimento, fico que os recém-nascidos sofrem carências severas até que o fornecimento seja restaurado pelos nutrientes do leite. " 

"Os nossos resultados sugerem que os mamíferos ultrapassam essa fome através da degradação autofágica das suas próprias proteínas, por outras palavras, devorando-se a si próprios no interior das células. Apesar de não termos evidências directas de que os bebés humanos fazem o mesmo, mas é provável que todos os mamíferos ultrapassem a fome fisiológica neonatal através da autofagia, pelo menos em parte."

Alguns peritos acreditam que a autofagia, desempenhando um importante papel na manutenção da limpeza das células, pode também estar implicada no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como as doenças de Alzheimer. Por esse motivo, os investigadores acreditam que o seu trabalho irá ter importância na investigação nestas áreas.

Wolf Reik, perito em genética do desenvolvimento do Brabham Institute de Cambridge, considerou o estudo "interessante e intrigante". "É lógico que um bebé necessitaria de um mecanismo para gerar energia quando o seu fornecimento de nutrientes é cortado ao sair do útero. No entanto, depender de proteínas internas desta forma apenas seria possível por um curto período de tempo, e o bebé teria que substituir os nutrientes perdidos a partir do exterior."

Al Aynsley-Green, do Great Ormond Street Hospital, considerou que a descoberta não foi surpreendente, dada a magnitude das alterações que têm lugar nos sistemas corporais no período imediatamente após o nascimento.

 

Outras Notícias:

O peixe de lábio fendido e as narinas humanas

 

Um peixe com 395 milhões de anos pode ter respondido a uma questão da evolução humana: como desenvolveram as nossas cavidades nasais o seu aspecto actual? O estranho espécime tem as narinas no meio dos dentes superiores.

O peixe, Kenichthys campbelli, representa um ponto intermédio do reajuste das passagens nasais, diz Min Zhu da Academia Chinesa das Ciências de Beijing e Per Ahlberg da Universidade de Uppsala na Suécia, que descrevem o fóssil na revista Nature desta semana. A maioria dos peixes modernos tem narinas externas, enquanto os vertebrados terrestres, que evoluíram a partir do Kenichthys, têm passagens nasais que formam aberturas perto da garganta e designadas coanas.

Alguns peritos sugerem que as coanas evoluíram através do reposicionamento gradual das narinas externas, mas os cépticos contrapõem que isso implicaria uma migração através da linha dos dentes, algo nunca visto em fósseis. Até agora!

O lábio fendido do Kenichthys apanha a evolução em flagrante, movendo as narinas para trás através dos dentes e do palato, dizem Zhu e Ahlberg, terminando efectivamente um debate que já persistia há um século. O fóssil, encontrado em Yunnan na China, representa um passo intermédio crucial entre as narinas externas e as coanas.

Esta teoria é reforçada pelo facto de nenhum outro animal apresentar simultaneamente as coanas e um par de narinas externas. Parece que o Kenichthys foi o infeliz elo da cadeia que teve os dentes rearranjados por um nariz migrador. "Qualquer outra hipótese necessitaria de uma explicação ad hoc para esta morfologia intermédia", conclui Zhu.

 

 

Saber mais:

Tokyo Metropolitan Institute of Medical Science

Brabham Institute

Ecology and evolution

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja receber o boletim Born to be Wild clique aqui!!

Respeitar os animais é respeitarmo-nos a nós próprios!

@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com