2004-11-01

Subject: As teias de aranha e a evolução

News of the Wild

 

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As teias de aranha e a evolução

 

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O biólogo Stephen Jay Gould ficou famoso por, entre outras coisas, ter dito que se voltássemos a passar a cassete da evolução, provavelmente iríamos obter um mundo totalmente diferente daquele em que vivemos. No entanto, o conceito de que o acaso é rei pode parecer menos verdadeiro em relação a comportamentos complexos.

Um estudo das semelhanças entre as teias produzidas por diferentes espécies de aranha do Hawai fornece novas evidências de que as tendências comportamentais podem evoluir de forma bastante previsível, mesmo em locais muito distantes.

Todd Blackledge, da Universidade da Califórnia em Riverside, e Rosemary Gillespie, da Universidade da Califórnia em Berkeley, estudaram espécies de aranhas do género Tetragnatha nas diferentes ilhas do Hawai. As teias variam significativamente, com teias em lençol, desorganizadas e em espiral entre as mais comuns.

Cada espécie tinha as suas próprias características em relação ao tipo de teia mas os cientistas descobriram que em vários casos, diferentes espécies de aranhas Tetragnatha de ilhas diferentes construíam teias em espiral extremamente semelhantes, até detalhes como o número de raios, o comprimento e a densidade das espirais que capturam as suas presas.

Seria este um exemplo de ambientes semelhantes darem origem ao mesmo comportamento complexo ou teriam as aranhas com teias semelhantes partilhado um ancestral comum?

Para descobrir a resposta, Blackledge e Gillespie viraram-se para as árvores filogenéticas. Construíram uma árvore filogenética em que cada tipo de teia teria evoluído apenas uma vez, pelo que todas as aranhas que teciam esse tipo de teia seriam relacionadas. De seguida, compararam-na com a árvore filogenética sugerida pelo DNA das aranhas.

A árvore que associava as aranhas pelo comportamento de construção das teias revelou-se altamente improvável, pois era demasiado complicada e contradizia as relações sugeridas pelo DNA. "Existiam demasiadas etapas extra", diz Blackledge.

Os investigadores concluem que os tipos de teia devem ter evoluído independentemente, conduzidos por condições ambientais semelhantes nas diferentes ilhas. "O próximo passo será compreender quais são esses factores ambientais", diz Blackledge. Ele sugere que o tipo de presa que as aranhas estão a tentar capturar deve ser um factor crucial.

 

"É provável que tipos semelhantes de floresta suportam misturas semelhantes de presas, que pode levar à criação de estrutura de teia semelhantes", concorda Jonathan Coddington, um entomólogo do Museu de História Natural Smithsonian. 

Investigações prévias já tinham descoberto que características físicas, por exemplo patas ou asas, podem surgir independentemente em condições ambientais semelhantes. Várias outras equipas de investigação já tinham analisado a evolução de comportamentos simples, como onde as espécies se localizam nos habitats (um ramo ou um lago, por exemplo).

"Eu e outros escrevemos acerca de muitos exemplos de evolução convergente", diz Paul Harvey, líder do departamento de zoologia da Universidade de Oxford. Mas a evolução de comportamentos complexos é menos compreendido.

Os investigadores acreditam que uma convergência evolutiva comportamental previsível pode ser aplicada a muitos outros animais, acontecendo muito mais frequentemente do que se acredita. "Eu diria que deve ser muito comum", diz Blackledge, acrescentando que ecossistemas insulares serão os locais mais óbvios onde procurar. 

Se a descoberta relacionada com as teias de aranha se vai tornar, ou não, uma das provas mais importantes a favor de uma evolução comportamental previsível depende de até que ponto o fenómeno é comum. Como diz Harvey: "Algumas investigações tornam-se exemplos nos livros de texto, outras não."

 

 

Saber mais:

Spiders make the Earth move

Web of intrigue

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


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