2004-10-31

Subject: Salmão em risco na costa russa do Pacífico

News of the Wild

 

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Em destaque:

Salmão em risco na costa russa do Pacífico

 

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A pobreza extrema está a levar os habitantes da região da costa russa do Pacífico a pescar furtivamente salmão a níveis insustentáveis, revela um grupo conservacionista inglês. 

O Television Trust for the Environment (TVE) diz que a península de Kamchatka é lar de uma imensa população de salmão selvagem, mas a procura internacional de caviar de salmão é insaciável e a pobreza deixa poucas alternativas à população local.

Segundo esta organização, o declínio do salmão selvagem na área irá determinar o destino da espécie a nível global. A extensão da pesca furtiva em Kamchatka é apresentada em Death Roe, documentário incluído na série Earth Report produzida pela TVE. 

A região de Kamchatka esteve isolada durante o domínio soviético por razões militares, recebendo nessa época subsídios de Moscovo. Esse dinheiro deixou de vir em 1989, levando a uma pobreza generalizada da população sem recursos.

Apesar de oficialmente regulamentado, muitas pessoas dependem directamente do comércio de caviar na capital da península Petropavlovsk. Um pescador furtivo entrevistado no documentário, Inga Arsenuk, costumava ganhar o equivalente a €50 por mês, como professor. Diz ele: "Agora chego a ganhar €1000 por mês, livre de impostos."

No entanto, os pescadores furtivos apenas retiram as ovas para caviar e deixam o peixe a apodrecer, com custos cada vez mais insuportáveis para o ambiente. 

No mercado de Petropavlovsk o caviar de salmão atinge os €15 por quilo mas em Moscovo pode ser vendido por mais de cinco vezes esse valor. Os peritos japoneses visitam Kamchatka para garantir que obtêm o caviar como preferem, ainda envolvido pelo saco de ovos que forra a cavidade abdominal do salmão.

Oleg Pustovit é um biólogo da Universidade Estatal de Moscovo que trabalha em Kamchatka para a organização americana Wild Salmon Center. Ele acredita que está eminente um desastre com consequências globais, sendo a pesca furtiva parte do problema.

"Kamchatka é o último santuário de salmão selvagem no mundo. Brevemente irá ser iniciada a extracção de petróleo da plataforma continental, um gasoducto está já a ser construído e as próprias pessoas têm cada vez maior impacto na natureza. Se aceitarmos esta situação sem luta, iremos enfrentar uma crise ecológica muito grave", diz ele.

 

O contrabando de caviar gera perto de mil milhões de euros por ano em Kamchatka, mas os conservacionistas alertam para a impossibilidade de se manter à taxa actual. Para além dos gangs altamente organizados, também há indivíduos envolvidos, cada um provocando pouco estragos mas depauperando gradualmente os rios dos seus peixes antes que eles se possam reproduzir.

O documentário da TVE prevê outro problema: a companhia estatal de gás está a construir um gasoducto através da península, abrindo estradas de serviço, o que facilita o acesso dos pescadores furtivos aos rios mais selvagens.

Evgeny Svyazhin do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento disse à equipa da TVE: "Não adianta andar a perseguir os pescadores furtivos ou combatê-los desta forma. Acho que temos que fazer alguma coisa para criar incentivos económicos para as pessoas que vivem nesta área, de forma a alterar este estado de coisas."

Jack Stanford, ecologista e conservacionista da Universidade de Montana, diz: "É tempo de ajudar o povo de Kamchatka a preservar este recurso. Podemos levar este conhecimento de volta à América do norte e usá-lo para começar a restaurar os nossos próprios sistemas fluviais de forma mais robusta. Se perdermos Kamchatka, perdemos tudo."

 

 

Saber mais:

TVE

Wild Salmon Center

Global Environment Facility

Convention on International Trade in Endangered Species

 

 

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@ Born to be Wild & À Descoberta da Vida, 2004


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