2004-10-29

Subject: "Hobbit" junta-se à família humana

News of the Wild

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the  Wild

Este boletim é mantido pelo site Born to be Wild, para que não esqueça o seu lado selvagem ...

 

Em destaque:

"Hobbit" junta-se à família humana

 

  Questões ou comentários para: borntobewild@clix.pt

Dê o site Born to be Wild a conhecer a um amigo!!

 

Chris Stringer e LB1Os cientistas descobriram uma nova e minúscula espécie de humanóide que viveu na Indonésia ao mesmo tempo que os nossos próprios ancestrais estavam a colonizar o mundo.

A espécie, com apenas um metro de altura pelo que recebeu a alcunha de "Hobbit", viveu na ilha de Flores pelo menos há 12000 anos. O facto de que estas pequenas pessoas fazerem parte das lendas modernas dos ilhéus de Flores sugere que, se calhar, temos que dar mais atenção às histórias de duendes, leprechauns e Yeti.

Os arqueólogos australianos desenterraram os ossos em Liang Bua, uma das muitas cavernas calcárias de Flores. Os vestígios de um esqueleto parcial foram encontrados a uma profundidade de 5,9 metros e, de início, os investigadores pensaram que era o corpo de uma criança.

O desgaste dos dentes e as linhas de crescimento do crânio confirmaram, no entanto, que se tratava de um adulto. A forma da pélvis identificam-no como uma fêmea e um osso da perna mostra que caminhava erecto como nós.

"Quando recebemos as datas do esqueleto e descobrimos como era jovem, um antropólogo do nosso grupo referiu que tinha que haver algum erro, porque tinha tantas características arcaicas", diz um dos descobridores Mike Morwood, professor associado de arqueologia na Universidade de New England na  Austrália.

O espécime de 18000, conhecido como Liang Bua 1 ou LB1, foi reconhecido como uma nova espécie que recebeu o nome de Homo floresiensis. Tinha braços longos e um crânio do tamanho de uma toranja. Desde a primeira descoberta, já foram encontrados vestígios de seis outros indivíduos da mesma espécie.

LB1 partilhava a sua ilha com uma ratazana do tamanho de um cão grande, tartarugas gigantes e lagartos enormes, incluindo dragões do Komodo, bem como um elefante anão do tamanho de um pónei chamado Stegodon, que os "hobbits" provavelmente caçavam.

Chris Stringer, estudioso das origens do Homem no Museu de História Natural de Londres, considera intrigantes os longos braços do H. floresiensis, que podem ser interpretados como prova de que passava muito tempo nas árvores.

"Não sabemos se era assim, mas se havia dragões do Komodo por perto, talvez fosse melhor estar no topo das árvores com os filhos, onde é mais seguro. Os longos braços são, no mínimo, sugestivos. Estudos das suas mãos e pés, ainda não descritos, podem ajudar a esclarecer a questão."

H. floresiensis deve ter evoluído a partir de outra espécie designada Homo erectus, cujos vestígios foram descobertos na ilha indonésia de Java. Homo erectus pode ter atingido a ilha de Flores há cerca de um milhão de anos, desenvolvendo o seu físico minúsculo no isolamento da ilha.

O mais surpreendente é o facto de esta espécie ter que ter atingido a ilha de Flores por barco. No entanto, a capacidade de construir um barco para navegar em águas abertas tem sido algo para além das capacidades intelectuais do Homo erectus.

Ainda mais intrigante é o facto de os habitantes de Flores terem lendas incrivelmente detalhadas acerca da existência de pequenos humanos na ilha, a quem chamam Ebu Gogo. Os ilhéus descrevem os Ebu Gogo como tendo cerca de um metro de altura, peludos e com tendência para murmurarem entre si numa linguagem estranha. Eram também capazes de repetir o que lhes diziam, como os papagaios.

 

"Sempre existiram mitos sobre humanos pequeninos, a Irlanda tem os leprechauns e a Austrália tem os Yowies. Acho que se pensa que esta é uma história passada de boca em boca desde o tempo em que estes pequenos humanos estavam vivos", diz outro dos descobridores Peter Brown, professor associado de arqueologia na Universidade de New England.

A última prova da presença deste humanóide em Liang Bua data de há pouco mais de 12000 anos, quando uma erupção vulcânica dizimou grande parte da vida selvagem única de Flores. No entanto, existem indícios de que o H. floresiensis pode ter vivido para além deste incidente. A última lenda sobre estas míticas criaturas data de há apenas 100 anos.

Homo floresiensisMas Henry Gee, editor da revista Nature, vai mais longe. Ele especula que uma espécie como a do H.floresiensis pode ainda existir, algures nas florestas tropicais inexploradas da Indonésia. 

O professor Stringer considera que a descoberta "rescreve o conhecimento da evolução humana". "É espantoso que esta espécie ainda exista há 12000 anos."

Homo floresiensis pode ter-se tornado pequeno em resposta à escassez de recursos da ilha. "Quando criaturas vão dar a ilhas, podem evoluir de formas novas e imprevisíveis. Algumas espécies tornam-se muito grandes e outras muito pequenas", explica o doutor Gee. 

As sofisticadas ferramentas de pedra encontradas com os Hobbits surpreenderam alguns cientistas, devido ao reduzido volume do seu cérebro (380 centímetros cúbicos, o mesmo que um chimpanzé). "A ideia de que é preciso um tamanho particular de cérebro para realizar tarefas inteligentes foi completamente destruída por esta descoberta", comentou Gee.

Porque os vestígios são relativamente recentes e não estão fossilizados, os cientistas estão esperançados em encontrar DNA, o que forneceria uma perspectiva totalmente nova da evolução da linhagem humana. 

 

 

Saber mais:

University of New England, Archaeology

Nature

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja receber o boletim Born to be Wild clique aqui!!

Respeitar os animais é respeitarmo-nos a nós próprios!

@ Born to be Wild, 2004


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com