2004-10-27

Subject: Iniciado programa de envenenamento de cães da pradaria no Dakota do Sul

News of the Wild

 

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Iniciado programa de envenenamento de cães da pradaria no Dakota do Sul

 

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Um controverso programa de envenenamento de cães da pradaria teve início no Buffalo Gap National Grasslands no Dakota do Sul. O objectivo do programa é controlar a deslocação dos cães da pradaria para as terras privadas adjacentes ao parque natural neste estado americano.

Uma equipa de funcionários públicos e de elementos contratados vai percorrer milhares de acres de terrenos federais ao longo das próximas semanas, espalhando aveia saturada de veneno ao longo das entradas das tocas dos roedores.

Os rancheiros locais, que alugam os terrenos federais para pastagem pressionaram as autoridades para este procedimento, alegando que os roedores competem com o seu gado pelo pasto, mas os grupos conservacionistas estão alarmados com a forma como a redução do número de cães da pradaria irá afectar a população de toirões de patas negras Mustela nigripes, que dependem destes roedores para 90% da sua dieta.

O toirão de patas negras faz parte da lista das espécies ameaçadas do estado do Dakota do Sul e do governo americano, sendo considerado um dos mamíferos mais raros da América do norte. Os biólogos consideram que a bacia de Conata no Buffalo Gap National Grasslands, onde o toirão foi reintroduzido, é o lar da única população auto-sustentada desta espécie em todo o mundo.

O cão da pradaria de cauda negra Cynomys ludovicianus, é a única espécie de cães da pradaria do Dakota do Sul e já foi um candidato a protecção segundo a Endangered Species Act, mas o U.S. Fish and Wildlife Service anunciou há dois meses que tinha determinado que estes animais não estariam ameaçados no futuro mais próximo, tendo-o retirado da lista de candidatos a protecção.

Esta decisão terminou a moratória, que já durava há 5 anos, sobre a possibilidade de matar cães da pradaria, o que já foi considerado uma manobra eleitoralista por muitos.

Cerca de 2000 hectares do parque nacional serão tratados quimicamente, diz Art Smith, gestor de danos causados pela vida selvagem do Dakota do Sul. Outros 5200 hectares de terras privadas adjacentes ao parque já foram tratadas, continua ele, tendo sido as despesas pagas pelo governo federal.

Smith estima que cerca de 93000 hectares do estado sejam habitados por cães da pradaria, pelo que a percentagem de animais mortos é baixa. "Todos os que acham que o cão da pradaria é um animal ameaçado tem mesmo que visitar o Dakota do Sul", diz ele. 

Jonathan Proctor, director para as pradarias do norte americano da Predator Conservation Alliance, acredita que os cães da pradaria estão a ser injustamente acusados de devorar toda a vegetação. O verdadeiro problema é a seca, diz ele. "Os cães da pradaria são os bodes expiatórios porque é mais fácil culpá-los a eles que a Deus", diz Proctor. 

 Em Setembro, oito grupos de protecção da natureza, incluindo a Predator Conservation Alliance, processaram o governo federal americano numa tentativa de impedir o envenenamento, tendo-se chegado a um acordo no início de Outubro, reduzindo-se 1200 hectares à área inicialmente prevista, mas impedindo os rancheiros de abater a tiro os animais.

O toirão de patas negras é uma espécie natural da zona e foi considerada extinta até 1981, quando foram descobertos alguns descendentes no Wyoming. Logo após esta descoberta, teve início um programa de reprodução em cativeiro e reintrodução, embora dos nove locais onde se tentou, apenas no Buffalo Gap National Grasslands o programa teve sucesso, principalmente devido à vasta população de cães da pradaria.

 

"Acho que a bacia do Conata é um berço para a recuperação do toirão", diz Travis Livieri do Prairie Wildlife Research, "Vivem aqui 264 toirões, mais de metade da população selvagem do mundo."

Steve Forrest, biólogo do World Wildlife Fund, considera que o envenenamento terá impacto nos toirões, pois eles dependem das tocas dos roedores para abrigo. Se as "cidades" de cães da pradaria se tornarem mais escassas, os toirões terão que se deslocar maiores distâncias, o que os torna vulneráveis a outros predadores, como corujas e coiotes. 

Para além disso, continua ele, envenenamentos não vão impedir os cães da pradaria de se deslocar para fora dos terrenos do parque, para o que é tradicionalmente o seu habitat. 

Já Smith, que está a supervisionar os envenenamentos, não acredita que os toirões tenham problemas por esse lado mas sim por acção dos rancheiros. 

"Deixar extinguir uma espécie é uma coisa terrível para o Homem fazer mas temos que ter em atenção alguns aspectos antes de devolvermos uma dada espécie à natureza, nomeadamente que não tenha impacto negativo sobre outros." Para apaziguar os rancheiros, o governo atribuiu um subsídio de $80000 ao Prairie Wildlife Research, a organização envolvida na recuperação dos toirões. Livieri refere que esse dinheiro será utilizado para incentivar os proprietários a manter algumas populações de cães da pradaria.

O rancheiro Charles Kruse, dono de 930 hectares junto à bacia do Conata e aluga terras federais para pastagem, exige indemnizações. "Vou perder mais de um terço do meu rendimento este ano. Se o governo deste país quer correr conosco com a ajuda de cães da pradaria, então vai ter que nos compensar." 

"Esta Endangered Species Act é uma das coisas mais perigosas que temos nas nossas leis hoje em dia", conclui Kruse, "Quando um roedor toma precedência sobre o modo de vida das pessoas de toda esta área, a situação é, no  mínimo, ridícula." 

 

Como ajudar? 

Envie uma mensagem (veja um modelo e endereços aqui) à administração Bush exigindo o fim dos envenenamentos e abate de cães da pradaria no Buffalo Gap National Grassland (por favor envie uma cópia "cc" para Jonathan Proctor para que haja um registo do número total de protestos enviados).

Veja um mapa do habitat de toirões de patas negras ameaçado aqui.

 

 

Saber mais:

Prairie Wildlife Research

Predator Conservation Alliance

World Wildlife Fund

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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