2003-11-03

Subject: Qual o papel dos dingos na extinção do lobo da Tasmânia?

 

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Qual o papel dos dingos na extinção do lobo da Tasmânia? 

 

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O dingo parece ter tido um importante cúmplice na extinção do lobo da Tasmânia do continente australiano: o Homem. 

Não parecem restas dúvidas de que os cães selvagens eram muito mais eficientes na captura de alimento do que o lobo e que terão ajudado este a recuar cada vez mais no seu habitat, há cerca de 3000 anos. No entanto, os investigadores consideram que ocorreu nessa mesma altura uma importante mudança a nível da ocupação de terras, número de indivíduos e uso da tecnologia pelos aborígenes, o que teria tido um importante impacto negativo na espécie. A espécie extinguiu-se em 1936, quando o último animal morreu num zoo. 

Com base nestas evidências, o júri condenou o dingo, mas as provas são circunstanciais, comentou Stephen Wroe, da universidade de Sydney, New South Wales. Pode-se usar exactamente os mesmos argumentos para a população humana. 

Analisadas superficialmente, as provas contra o dingo Canis lupus dingo são muito persuasivas. Os cães chegaram ao continente australiano há pouco mais de 4500 anos, espalhando-se rapidamente. Apenas não atingiram a Tasmânia devido à subida do nível do mar que inundou o estreito de Bass cerca de 6000 anos antes. 

Esta marcha através da Austrália está acompanhada pela retirada do lobo da Tasmânia Thylacinus cynocephalus para o seu último refúgio na ilha que lhe deu o nome. Não parece fácil acreditar em coincidências. 

Historicamente tem sido considerado que o dingo competiu com o lobo da Tasmânia pelos recursos, nomeadamente comida, e que terá mesmo trazido doenças. Sendo animais sociais, os dingos devem ter sido caçadores mais eficientes, mas também é verdade que pouco se sabe do comportamento do lobo da Tasmânia para que se possa avaliar. 

A teoria de Wroe considera que o dingo foi julgado prematuramente. Deve ter tido alguma influência no recuo do território do lobo da Tasmânia mas não podemos excluir a actividade humana com factor, pois existe uma coincidência no tempo com o aumento populacional na zona. 

Esta situação teria causado uma enorme pressão na restante fauna, mas que, tal como o dingo, nunca alcançou a Tasmânia. Quando os europeus chegaram, no século XVIII, o lobo da Tasmânia deixou de ter onde se refugiar: criadores de ovelhas e caçadores de prémios rapidamente acabaram com os últimos animais e o último, Benjamin, morreu no zoo de Hobart. 

As extinções são sempre acontecimentos complexos. Geralmente ocorre uma combinação de factores, incluindo alterações climáticas, pelo que neste caso ainda não podemos responsabilizar ninguém, disse Wroe. Podemos até argumentar que os dingos e os aborígenes se combinaram para formar um super-predador, que aniquilou o lobo da Tasmânia. 

 

 

 

Outras Notícias:

primeiro dingo era um animal de estimação indonésio

 

O dingo australiano provavelmente descende de um único cão doméstico, trazido do que é agora a Indonésia, revelam as pesquisas mais recentes. 

A mãe de todos os dingos pode ter sido uma única fêmea grávida que viajou para a Austrália há 5000 anos. Cientistas da universidade de New South Wales estudaram o DNA de mais de 200 dingos de toda a Austrália antes de chegarem a esta conclusão. 

Todos os dingos tem um DNA muito similar, revelou Alan Wilton. Qualquer variação das que encontramos na população é apenas uma única mutação a partir do original, ou tipo principal. Estas descobertas sugerem que todos os dingos descendem de um pequeno número de cães, ou mesmo de uma única fêmea, de uma raça doméstica da Indonésia. 

Os cães deveram ter sido trazidos para a Austrália pelos colonos humanos, tanto como animais de caça como para comida. No entanto, uma vez na Austrália, os cães reproduziram-se rapidamente e tornaram-se selvagens novamente, originando o dingo. 

O dingo puro está em rápido declínio na Austrália, onde se estima que mais de 80% do seu efectivo seja híbrido. O Dr Wilton alertou ainda para a necessidade urgente de implementar medidas para proteger os dingos dos cruzamentos com cães domésticos, sob pena de estes se extinguirem num prazo de 50 anos. 

 

 

Saber mais:   

Australia's Thylacine

Dingos

Stephen Wroe

 

 

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@ Born to be Wild, 2003


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