2004-10-16

Subject: Anfíbios enfrentam futuro sombrio

News of the Wild

 

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Anfíbios enfrentam futuro sombrio

 

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Os sapos, rãs e salamandras de todo o mundo estão a morrer. Estão a ser capturados em excesso para serem usados como alimento, os seus habitats estão a ser destruídos e, ainda mais preocupante, espécies inteiras estão a desaparecer sem razão aparente.

Menos de 250 adultos do sapo Corroboree Pseudophryne corroboree ainda vivem na natureza

Esta é a conclusão a que chegaram mais de 500 herpetologistas espalhados pelo mundo, agora relatada na revista Science. Apesar de já ser facto conhecido que muitas espécies de anfíbios estavam em perigo, esta é a primeira avaliação global do estado da classe.

Estudos semelhantes já tinham sido completados para aves e mamíferos, ambos com abundância de más notícias, mas esta avaliação a fundo é a que apresenta o panorama mais sombrio. Consultando os peritos locais através da realização de uma série de "workshops", Simon Stuart e a sua equipa da Conservation International and the World Conservation Union (IUCN) examinou o estatuto de todas as 5743 espécies conhecidas de anfíbios. Descobriram que 1856 delas, mais de 30%, são classificadas como vulneráveis, ameaçadas ou criticamente ameaçadas, segundo os critérios da Lista Vermelha da IUCN. 

"Dizer que vamos perder quase metade de uma categoria taxonómica importante em menos de 100 anos, é o mesmo que dizer que seremos responsáveis pela extinção de milhões de anos de evolução", diz Janice Chanson, co-autora do estudo.

Para muitas destas espécies, o futuro é claro, dizem os investigadores. Têm que ser implantados limites rigorosos à sua captura e devem ser estabelecidas áreas protegidas. Mas muitos destes animais estão a sofrer o que tem sido conhecido por um "enigmático declínio", pois a sua causa não é conhecida. Nestes casos, a única forma de os salvar pode ser um programa de procriação em cativeiro, pois se sabemos como os ajudar na natureza.

Os cientistas têm vindo, desde há décadas, a debater as reais causas que levam anfíbios aparentemente não molestados e felizes a desaparecer do dia para a noite.  Stuart refere que há um crescente consenso que aponta a culpa para as alterações climáticas e para uma devastadora doença causada por fungos, a chitridiomicose, que ataca a pele dos anfíbios adultos e a boca dos girinos.

O fungo pode ter tido origem numa espécie de anfíbio, com a qual coexistia mais ou menos pacificamente. A deslocação de organismos pelo Homem pode ter levado à sua disseminação. "É quase certo que se trata de um fungo invasor que se espalhou a partir do seu ponto de origem", diz Stuart. As alterações climáticas também podem estar a criar novos padrões climáticos que promovam a disseminação do fungo.

A teoria tem cada vez mais adeptos, mas Blair Hedges, biólogo evolucionário da Pennsylvania State University em Filadélfia e que ajudou na realização do estudo, não está convencido que o fungo seja o responsável por estas extinções. "Ainda não vi nenhuma prova disso", diz ele.

 

Ele está algo céptico quanto à descrição de alguns habitats como intocados. Durante um passeio nocturno por uma zona florestal das Caraíbas aparentemente intocada, ouvindo o coaxar das diferentes espécies de sapos, uma enorme ratazana europeia caiu-lhe em cima. "As ratazanas comem tudo o que encontram", diz ele, "não me parece que tal local possa ser considerado intocado."

O espaço de tempo entre o início do desaparecimento de espécies de anfíbios e o início da compreensão do problema, mais de um quarto de século, já está a revelar o seu preço. Uma família inteira de sapos parteiros gástricos australianos desapareceu totalmente. Estes animais engoliam os seus próprios ovos e posteriormente "vomitavam" as suas crias, depois de já terem passado o estádio de girino.

Desde que os primeiros sapos começaram a morrer misteriosamente nos anos 70 do século passado, mais de 100 espécies de anfíbios desapareceram e presume-se que se tenham extinto.

O efectivo populacional da rã arlequim  Atelopus varius sofreu um declínio dramático na Costa Rica e Panamá, possivelmente devido a uma doença fúngica

As rãs, salamandras e afins são geralmente menos robustas que as aves e os mamíferos. Os seus territórios são menores, a sua tolerância à secura é baixa e a sua pele porosa é particularmente sensível. Estes factos ajudam a explicar porque os anfíbios estão a desaparecer mais rapidamente que as aves e os mamíferos, mas também os torna muito úteis como indicadores de disrupções ambientais.

"É como a história do canário na mina", diz Stuart. "Devido à sua sensibilidade, os anfíbios são os primeiros a revelar reacções adversas a alterações climáticas e novas doenças."

As notícias são más, mas o esforço de avaliação talvez tenha injectado nova vida ao campo. Muitos herpetologistas encontraram-se pela primeira vez para comparar informação para o estudo e os encontros estão a produzir uma colaboração sempre importante, diz Stuart.

 

 

Saber mais:

IUCN

Conservation International

Amphibian populations in decline

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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