2004-10-15

Subject: Vírus gigante merece designação de "ser vivo"

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Vírus gigante merece designação de "ser vivo"

 

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Apresentamos o Mimi, o maior vírus do mundo. O genoma deste monstro acabou de ser sequênciado e os cientistas consideram que, ao contrário dos outros vírus semelhantes, pode ser considerado "vivo". 

A sequência genética do vírus também encerra pistas que podem ajudar a explicar a evolução das primeiras células com núcleo contendo DNA.

Desde os anos 60 do século passado que os cientistas têm debatido se os vírus são organismos vivos ou apenas um conjunto de macromoléculas. Os vírus são geralmente muito mais pequenos e mais simples que as bactérias, consistindo apenas num segmento de ácido nucleico rodeado por um invólucro proteico. O vírus tem que utilizar o metabolismo de uma célula para replicar, o que faz inserindo o seu DNA no hospedeiro. As bactérias, por seu lado, transportam tudo o que necessitam para se reproduzir independentemente, sendo consideradas vivas.

Apesar de mostrar todas as características chave de um vírus, o mimivírus é muito mais complexo, explica Jean-Michel Claverie, biólogo do Instituto de Biologia Estrutural e Microbiologia de Marselha, que trabalhou na sequenciação. Se todos os vírus fossem carros, diz ele, o Mimi ainda seria um carro mas um modelo de luxo e com todos os extras. "Este vírus com DNA parece uma nova forma de vida parasita", diz ele.

O Mimi transporta cerca de 50 genes que codificam funções nunca vistas num vírus. É capaz de fabricar 150 das suas próprias proteínas, além de enzimas que as dobram e colocam na posição correcta. Consegue mesmo reparar o seu próprio DNA se for danificado, ao contrário dos vírus vulgares.

E apesar de os vírus puderem usar DNA ou RNA para transportar a sua informação genética, o Mimi apresentam ambos simultaneamente. "Estamos perante um organismo: existe DNA, RNA e abundância de proteínas", diz Didier Raoult, membro da equipa da Universidade Mediterrânica em Marselha, que relatam as suas descobertas na edição desta semana da revista Science.

O Mimi foi descoberto em 1992, aninhado no interior de uma amiba descoberta numa torre de arrefecimento em Bradford no Reino Unido. A torre estava a ser investigada como possível fonte de um surto de gripe. Investigações posteriores mostraram que se tratava de um verdadeiro monstro, com perto de 800 nm de diâmetro, mais de quatro vezes maior que o vírus da varíola. 

Este novo estudo mostra que o seu genoma contém 1,2 milhões de pares de bases, mais do que muitas bactérias e várias vezes maior que o maior DNA viral antes conhecido. As bases formam 1260 genes, o que o torna tão complexo como algumas bactérias, dizem os cientistas.

 

O DNA viral contém frequentemente grande quantidade de sequências "lixo", material genético que não parece ter função útil, mas o Mimi é escorreito: mais de 90% do seu DNA é codificante e específico.

Dado que o Mimi transporta alguns genes envolvidos na replicação, este facto pode ter ajudado a que se espalhasse mais rapidamente que outros vírus, explica Anne Bridgen, virologista da Universidade do Ulster. "Nunca soube de nenhum vírus que codificasse tudo isto", diz ela.

Oficialmente, o vírus foi baptizado mimivírus por imitar bactérias (mimic em inglês), diz Raoult. "Mas o meu pai, também cientistas, ensinou-me uma história acerca de Mimi, a amiba, quando eu era criança, pelo que também é uma homenagem a ele."

Apesar dos biólogos dividirem geralmente as formas de vida em três categorias, a equipa considera que o Mimi é suficientemente diferente para merecer uma quarta categoria só para si.

As bactérias formam o ramo mais simples da árvore da Vida, pois não apresentam núcleo individualizado. As arqueobactérias são muito semelhantes, mas pensa-se que tenham evoluído devido às suas membranas celulares invulgares. Todos os restantes organismos são eucariontes, ou seja, apresentam núcleo individualizado. Mas o Mimi contém sete genes que são comuns a todas as formas de vida celulares, o que o coloca na árvore da Vida com os restantes, considera Raoult.

Bridgen já não tem tanta certeza. "Considerar este vírus uma quarta categoria seria exagerar a importância das evidências que temos, mas pode indicar que reduzir todas as formas de vida a três categorias  talvez seja demasiado simplista", diz ela.

Alguns cientistas têm especulado que os eucariontes evoluíram originalmente a partir de uma simbiose um vírus e uma bactéria. A bactéria teria fornecido os ribossomas e o vírus poderia ter injectado o seu material genético num proto-núcleo. Um ponto fraco desta teoria é o facto de que os vírus geralmente não apresentam alguns dos genes chave presentes nos eucariontes. Mas o genoma complexo do Mimi inclui esses genes chave, fornecendo possíveis evidências que apoiam a teoria, diz Raoult.

 

 

Saber mais:

Science

Introduction to Viruses

Mimivirus information

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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