2004-10-13

Subject: Grande tubarão branco recebe mais protecção

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Grande tubarão branco recebe mais protecção

 

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Um sistema de licenças vai passar a controlar o comércio internacional de produtos de tubarão branco, decidiu a conferência da CITES que decorre em Banguecoque.

A Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas (CITES) colocou o tubarão no seu chamado Apêndice II, que exige regulação mais apertada. Os conservacionistas aplaudiram a decisão, que foi aprovada sob proposta da Austrália e de Madagáscar. 

"Esta medida irá contribuir significativamente para a conservação do grande tubarão branco", refere Nicola Beynon, da Humane Society International. "Agora temos uma oportunidade de garantir que o comércio de partes do corpo de tubarão branco seja regulado de forma sustentada."

CITES - Níveis de protecção
Apêndice I: inclui espécies cuja existência está de tal forma ameaçada que o seu comércio é totalmente proibido. Abrange cerca de 1000 animais e plantas
Apêndice II: permite um comércio controlado, regulado por um sistema de licenças. Abrange cerca de 4100 espécies animais e 28000 plantas.
Apêndice III: abrange 290 espécies que são protegidas pelo menos num país

Na sua proposta, a Austrália e Madagáscar alegavam que a inclusão da espécie num Apêndice superior ajudaria a garantir que a exploração desta espécie globalmente ameaçada é regulamentada e acompanhada.

Os grandes tubarões brancos são alvo tanto de pescadores comerciais, como de pescadores desportivos, pelas valiosas mandíbulas e dentes. As suas barbatanas, como as de outras espécies de tubarão, têm grande procura no oriente para a confecção de sopa.

Não são conhecidos números rigorosos sobre o efectivo do tubarão branco, mas os cientistas consideram que os dados disponíveis sugerem que as suas populações estão em declínio.

"Estou agradecido pelo reconhecimento por parte da comunidade internacional de que esta espécie realmente é, um predador oceânico perfeitamente adaptado e uma peça fundamental da maioria dos ecossistemas marinhos do mundo", refere Ramón Bonfil da Wildlife Conservation Society. "Apesar da sua famosa ferocidade, ironicamente esta espécie é uma das vítimas da que é, realmente, a espécie mais perigosa do planeta, o Homem. Esta listagem vai ajudar-nos a gerir o comércio que actualmente ameaça o grande tubarão branco, pois vai exigir dados que confirmem que a sua captura não está a ameaçar a espécie."

O grande tubarão branco já fazia parte da lista de espécies pertencentes ao Apêndice III. Passa agora a ser apenas a terceira espécie de tubarão listada no Apêndice II da CITES, juntamente com espécies maiores mas dóceis, como o tubarão baleia e o tubarão frade.

A "Lista vermelha" da organização suíça World Conservation Union, uma referência muito respeitada pela comunidade científica e conservacionista, classifica 82 espécies de tubarões e raias como ameaçados. Outras 10 espécies devem ser acrescentadas à lista muito em breve.

Ainda na conferência da CITES, a proposta japonesa para caçar baleias anãs comercialmente, foi rejeitada pelos delegados. A convenção coloca as baleias anãs no Apêndice I, que proíbe totalmente o comércio, mas o Japão tinha em mente uma alteração para o Apêndice II.

 

A proposta ficou bem aquém do que seria necessário para a sua aprovação, com uma maioria dos 166 delegados a votar contra a moção. Esta situação mantém em vigor uma moratória já com 18 anos sobre a caça comercial à baleia.

A passagem para um nível inferior de listagem das baleias anãs não teria ultrapassado a proibição em vigor, imposta pela Comissão Internacional de Caça à Baleia, mas teria, com certeza, aumentado a pressão sobre esse órgão regulador para levantar a proibição no futuro. 

Segundo os dados apresentados à CITES pelo Japão, existem mais de um milhão de baleias anãs em todo o mundo, o significaria que o seu efectivo atingiu um patamar que permitiria a captura limitada. 

No entanto, os conservacionistas estão decididos a bloquear o plano. "Existem grandes incertezas em relação à tendência das populações de baleias anãs e permitir o comércio através da CITES seria um sério desafio à autoridade da Comissão da Caça à Baleia", refere a chefe da delegação do WWF Susan Lieberman. "Estamos fartos do Japão andar a tentar reintroduzir a caça comercial à baleia pela porta de trás", conclui ela. 

No entanto, a delegação japonesa já comentou que irá continuar a a promover a caça comercial à baleia. "Os países ocidentais estão a impor os seus ideais unilaterais, o que para nós não passa de imperialismo cultural", explica o delegado Masayuki Komatsu.

Eugene Lapointe, presidente da IWMC World Conservation Trust, que promove a utilização sustentada da vida selvagem como forma de preservar a biodiversidade, concorda que as baleias anãs não devem fazer parte do Apêndice I. "Este resultado escarnece dos regulamentos internacionais de conservação", diz ele. "O Apêndice I deve incluir espécies ameaçadas pelo comércio internacional, não aquelas que chamam à atenção nos panfletos dos direitos dos animais."

"As baleias anãs são abundantes, as evidências são incontroversas e até existe alguma preocupação acerca do aumento do seu efectivo, que pode estar a impedir a recuperação de outras espécies, como a baleia azul."

Tendo visto a sua proposta para reduzir a protecção à baleia anã, o Japão também se mostrou crítico em relação ao aumento da protecção dado ao tubarão branco. "Não foi realizado nenhum balanço mundial da espécie", alega o delegado japonês Masayuki Komatsu.

Os signatários da convenção estão reunidos na Tailândia para a sua cimeira bianual, que termina na terça-feira. 

 

 

Saber mais:

CITES

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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